sábado, 5 de abril de 2008

"Centennial" Johnson

Em 1876,ano em que os Estados Unidos comemoravam o centenário da Independência,as grandes cidades rivalizavam em engenho para para festejar a data,várias delas organizaram exposições onde seriam apresentadas as últimas realizações do espírito e do trabalho yankee.Os marinheiros não queriam ficar atrás,até que alguém propôs:um barco que fizesse a travessia do Atlântico com um só homem.
Alfred Johnson,um pescador de bacalhau à linha,habituado aos caprichos do Atlântico Norte,propõe-se a faze-lo no barco que conhecia melhor, sabendo-o capaz de aguentar com qualquer tempo;um Dóri.No pequeno dóri de cinco metros foi montado um tecto sob o qual o pequeno espaço conseguido constituia um porão e não um alojamento.Aparelhou-o com tudo o que conseguiu;quadrangular latina,traquete,vela de giba e uma vela de ré para o vento de popa.Partiu de Gloucester no dia 15 de junho de 1876,tendo feito uma primeira escala em Shake -Harbor na Nova Escócia,o que lhe permitiu experimentar o barco e dez dias mais tarde parte para Inglaterra.Johnson não era muito falador e os pormenores da viagem não abundam limitando-se aos factos mais salientes da navegação.Dos seus estados de alma,dos pequenos problemas que vão surgindo nada dirá.Quando se dormiu enrolado no capote de oleado,entre peixe,num dóri perdido na bruma,na chuva gelada ou na neve dos bancos,todo o resto são pormenores menores.No dia 2 de Agosto de Agosto,apanha uma tempestade a 300 milhas da Irlanda que lhe volta o barco,a leveza do dóri,que era o maior dos seus problemas aqui é uma ajuda preciosa.Johnson consegue voltar o barco,esvaziá-lo e continuar viagem.A 10 de Agosto entra no porto de Abercastel após 46 dias de mar.Pela primeira vez um homem sozinho tinha atravessado o Atlântico.Como o seu destino era Liverpool,larga dois dias mais tarde tendo chegado a 17 de Agosto de 1876.
Em breve o feito seria esquecido e Johnson continuaria a pescar bacalhau.
Com mais de 80 anos,por volta de 1930 era ainda chamado amigávelmente de "Centennial Johnson"
in "Os Navegadores Solitários"-Jean Merrien

11 comentários:

Laurus nobilis disse...

Não fazia ideia que uma façanha deste tipo tinha sido realizada num dóri. Impressionante! É realmente pena não existirem registos escritos da travessia.

almagrande disse...

Nem eu, o registo que eu tenho e do qual transcrevi certas partes está num livro de Jean Merrien sobre navegadores solitários.Por lapso não mencionei a fonte.O seu a seu dono..

almagrande disse...

Caro Laurus,fui á procura e pelos vistos há pelo menos um livro sobre a travessia.Aqui fica o link.http://www.alfred-centennial-johnson.co.uk/

jc disse...

Eu não sabia que tinha sido num dóri,nem que tinha sido um pescador americano, o primeiro em solitário a atravessar o Atlantico!Fantástico se pensarmos nos meios que ele usou e a época em que o fez!

Laurus nobilis disse...

Obrigado. Vou investigar.

garina do mar disse...

eu tenho o livro do Merrien!! chama-se mesmo "Os navegadores solitários"... emprestei-o ao meu mano mais novo mas um dia destes vou ter que o recuperar ;)

outra história extraordinária que vem nesse livro é o daquele (seria uma primeira viagem do Johnson ou foi outro?) que ficou perdido num dóri e como percebeu que as mãos iam congelar, congelou-as mesmo à volta dos remos para garantir que não deixava de conseguir remar... chegou a terra! amputaram-lhe os dedos (ou as mãos?)... quando recuperou, meteu-se ao mar outra vez!!

e a história que referi num comentário mais antigo sobre o Chichester também acho que a li neste livro ;)

garina do mar disse...

quando "encontrei" a vela, há uns anitos já ;) houve 3 livros que li e reli inúmeras vezes:
este do Merrien, o "No cabo Horn aos 20 anos" do Jean-Michel Barrault, sobre a primeira regata à volta do mundo em equipa, em 1973, e o Victoire en Solitaire do Tabarly (este não tenho)...

almagrande disse...

Garina,o personagem a que se refere foi Howard Blackburn.
"Blackburn reparou que as suas mãosse tornavam completamente insensíveis e um pensamento acudiu-lhe o espírito:«Se as minhas mãos gelam,não serei capaz de segurar um remo e Tom Welch terá de remar sozinho para terra.Já que tenho as mãos perdidas,ao menos que possam ainda ser-nos de alguma utilidade!»"
Curiosamente tenho os três livros a que se refere,o de Tabarly cá teve como título,Tabarly/o navegador solitário."no cabo Horn aos vinte anos"li e reli as desventuras do favorito PEN-DUICK 6 e a surpresa da vitória do Sayula.

garina do mar disse...

coitado do Tabarly!! partir 3 mastros é obra... mas tenho a sensação de que ele sempre teve uns "azares" grandes nas regatas que fez! ou esticava demasiado a corda...
já o Sayula era um exemplo de organização e ordem e um barquinho que não me importava nada de ter ;)

mas voltando às questões da memória... depois de ficar a pensar no livro do Merrien, começo a achar que a história que referi sobre o Chichester na realidade é sobre o Moitessier ;(

almagrande disse...

Parece-me que ele esticava um bocado a corda..pelo que se lê no livro,a máquina de costura não parava tal a quantidade de velas e spis rasgados

Anónimo disse...

Caro amigo
Procuro um Dóri para adquirir e colocar na minha escola de navegacao em Lisboa. Pode ajudar-me?
David
djfal@clix.pt