quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Da Vida e da Morte dos Bichos"

São 4 da manhã e acabo de cumprir um dia comprido. Estou cansado e sem sono, a rever o dia e a tentar perceber o que fiz com ele. Ou o inverso.
Acordei na perspectiva de ter de mandar eutanasiar uma égua que, de tão velha, já não conseguia sustentar-se, qual velha Inuit sem conseguir mascar as peles. Há muito que se arrastava pela quinta como aqueles velhos que se arrastam de casa para o banco de jardim. Tinha ganho o nosso máximo respeito pelos serviços prestados, primeiro dando projecção à marca da casa, depois dando filhos que a continuariam.
Animal de uma nobreza enorme, incapaz de magoar alguém, alguma vez que fosse.
A perspectiva consumou-se e não restava outra alternativa senão acabar-lhe com o sofrimento.
Ao ser dada a injeção terminal, a alma do bicho relutante,já sem corpo que a acompanhasse, mostrou uma dignidade tocante.
Da parte da tarde tive que lidar com uma série de seres idiossincráticos que só sabem olhar para o seu umbigo, que lhes pagam 8 horas para eles trabalharem 6, que trabalham 11meses e recebem 14 a tempo e horas. Seres só com direitos e sem grandes obrigações que, ao serem confrontados com a necessidade de fazer umas horas extras, problemas mais prementes os esperavam fora do local de trabalho, do seu trabalho.
Ficaram uns que asseguraram que a empresa em que trabalham cumprisse os compromissos, e os outros..
Aos outros apeteceu-me dizer-lhes que não valiam os cascos da minha égua.

3 comentários:

António Cândido disse...

Um abraço Marco!
Que mais dizer?

Luiz Braga disse...

Meia volta, volta e meia dou uma viajada por seu blog e lembrei-me de uma dica, www.almacarioca.com.br. Muito bom !
Abraços.

Em tempo: breve teremos José Saramago, A Viagem do Elefante, lançamento.

almagrande disse...

Luiz, obrigado pela dica.Lá irei meter o nariz.