domingo, 27 de março de 2011



Esta semana morreu a senhora dos olhos violeta, a gata que se contorcia em cima do telhado quente, que levava à letra a máxima de que os diamantes são os melhores amigos das cachopas. Aposto que foi pró lado de lá com umas gotas de Chanel 5 a perfumar-lhe o pescoço, uma diva é-o até na morte.
Não tinha a altivez de uma Bacall, a petulância de uma Bette Davis, nem o espalhafato platinado de uma Harlow, era um cocktail apetecível de sensualidade, castidade e convite ao pecado. Aquele ar atormentado do Richard Burton tinha razão de ser.
Se a Ava foi o mais belo animal do mundo, a senhora dos olhos violeta personificou o charme, a classe e o desejo.
Da velha guarda poucos restarão, daqueles mesmo grandes, daqueles que quando entravam monopolizavam olhares e atenções, daqueles a quem os implacáveis dos estúdios achavam que tinham "star quality".
Os verdadeiramente grandes não desaparecem, seja nos livros, na pintura ou na película. O ar angustiado do Bogart, o olhar vivaço do Cagney e o deslizar suave pelas cenas do McQueen.
A senhora dos olhos violeta não morreu, aposto que está a beber um copo com o granítico Lee Marvin enquanto no palco dança o Astaire e a Rogers. Na piscina, de touca florida, a Esther Williams nada entre jacintos e orpheus.
Na outra ponta do balcão o Dean está a leste, o Hitchcok catrapisca uma das suas louras e o Brando esconde-se na penumbra a balbuciar algo, brilhantemente.

3 comentários:

António disse...

Um texto a retratar o glamour e os holofotes do além. E noutro registo: o Jackson!
Maria Figueira

jc disse...

Obrigado.

patricia disse...

Com textos destes não há diva que morra!