terça-feira, 5 de abril de 2011
"Sharpies na Costa Nova"
Não passava de um puto quando andei a primeira vez de Sharpie. Durante as férias "Grandes", aquelas que duravam três meses ou mais e andávamos "como bandos de pardais à solta" pela Torreira, a fazer o que nos desse na real gana, muitos de nós descrobiam a vela porque era à borla, estava ali e havia quem nos aturasse as maluqueiras. Nesses Verões de intermináveis bons momentos e vivências que perduram, experimentei um destes pela primeira vez, sentadito na borda a tentar não atrapalhar muito quem ia aos comandos. Apenas os mais velhos e experimentados estavam autorizados a andar com as "máquinas do clube", os petizes que andassem com os "Lusitos", "Cadetes" e alguns nos "Snipes".
A sensação que tenho dessa primeira experiência, embora vaga sempre foi muito boa, o barco era muito mais rápido que os normalmente utilizados pelos mais novatos.
Este fim de semana, em jeito de estreia desportiva, fui até ao Sharpie Clube de Aveiro para participar na primeira PAN da época, a convite de um amigalhaço que se lembrou de mim, em boa hora!
No sábado, embora o dia estivesse a ameaçar chuva, o vento que chegou a estar fresquinho, baixou um pouco nas horas das regatas e cumpriu o seu papel na perfeição.
As memórias que tinha avivaram, continua a ser um belo barco de regatas, rápido, sensível ás afinações, exigente para as tripulações, flúido sobre a água e que dá imenso prazer.
Percebe-se fácilmente que seja uma classe com adeptos ferrenhos.
Depois das três regatas feitas no sábado, as agendadas para domingo foram canceladas de comum acordo, o vento já soprava um bocado forte demais.
Os meus parabéns ao Sharpie Clube pelas belas instalações, ambiente cordial e simpatia.
Ficam umas fotografias rapinadas do site do Clube, da autoria de Paulo Silveirinha. Venha a próxima!
sábado, 2 de abril de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
Esta semana morreu a senhora dos olhos violeta, a gata que se contorcia em cima do telhado quente, que levava à letra a máxima de que os diamantes são os melhores amigos das cachopas. Aposto que foi pró lado de lá com umas gotas de Chanel 5 a perfumar-lhe o pescoço, uma diva é-o até na morte.
Não tinha a altivez de uma Bacall, a petulância de uma Bette Davis, nem o espalhafato platinado de uma Harlow, era um cocktail apetecível de sensualidade, castidade e convite ao pecado. Aquele ar atormentado do Richard Burton tinha razão de ser.
Se a Ava foi o mais belo animal do mundo, a senhora dos olhos violeta personificou o charme, a classe e o desejo.
Da velha guarda poucos restarão, daqueles mesmo grandes, daqueles que quando entravam monopolizavam olhares e atenções, daqueles a quem os implacáveis dos estúdios achavam que tinham "star quality".
Os verdadeiramente grandes não desaparecem, seja nos livros, na pintura ou na película. O ar angustiado do Bogart, o olhar vivaço do Cagney e o deslizar suave pelas cenas do McQueen.
A senhora dos olhos violeta não morreu, aposto que está a beber um copo com o granítico Lee Marvin enquanto no palco dança o Astaire e a Rogers. Na piscina, de touca florida, a Esther Williams nada entre jacintos e orpheus.
Na outra ponta do balcão o Dean está a leste, o Hitchcok catrapisca uma das suas louras e o Brando esconde-se na penumbra a balbuciar algo, brilhantemente.
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
"Lionheart"


Em 1937, quando "Mike" Vanderbilt encomendou o "Ranger", foram feitos cinco projectos, dos quais quatro nunca sairiam do fundo da gaveta. A J-Class seria substituida no pós guerra pelos menos dispendiosos 12mR e dos dez magníficos construídos, apenas resistiram três.
Esses três continuaram a passear a sua grande categoria nas regatas de clássicos, surgiram novos entusiastas e este é já o terceiro desta nova vaga. Depois de terem sido modelados em 3D, esses quatro desenhos deram origem ao "Lionheart", 44m de revivalismo e performance.
Pelo que se vê no video parece não andar muito mal!
sábado, 12 de março de 2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
"A poesia virou confete"

É na areia que está o meu carnaval,
é no mar que estão as serpentinas,
brancas ondas a quebrar na praia,
Aqui encontro a magia da poesia,
vestindo fantasia que a luz do sol irradia.
No meu carnaval não tem máscaras!
Tem rostos, tem corpos bronzeados
desfilando naturais alegorias na praia,
que vem do mar, que vem da areia
desfilando como neptunos e sereias.
É a palavra que brinca na praia,
no balanço das ondas faz o samba enredo,
o carro abre alas é um navio pirata
assaltando um coração enfeitado
por poesia que na areia virou confete.
Sónia Schmorantz
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quarta-feira, 2 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
"Por este rio acima"
Bela jornada de vela no Tejo, a bordo do "Breeze", numa regata bem disputada, disputada num dia escolhido a dedo. Um dia lindo, temperatura ideal, ventinho um bocado saltitão mas agradável e que nunca foi demais. A bordo, ambiente descontraído entre um grupo com visível gosto por fazer vela. Muito bom.
O meu agradecimento aos anfitriões pela forma generosa e simpática com que sempre me recebem.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
"Cenários"
A Cenário fez um "upgrade" às instalações e achou que seria interessante convidar os sócios e amigos a contribuir com algumas fotografias para a decoração do novo espaço, imagens relacionadas com a vela e com a Ria. De umas quantas que tenho por aqui, gosto bastante destas três e da publicada no post "Viva a Ria". Se alguém quiser dar uma ajudinha a escolher uma agradeço.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
"Pedro e o Lobo"
Numa das paredes cá da casa, está pendurado um carvão, bem feito diga-se, de um senhor com bigodes à kaiser e que tem em rodapé uma quadrinha dedicada ao padrinho, coisa sem qualquer tipo de interesse. O quadro é engraçado pelas semelhanças com um registo fotográfico da época. É um familiar meu que um dia saiu de casa e, á semelhança de tantos outros, rumou ao Brasil em busca do ouro branco, do latex, que fazia a fortuna de alguns no início do século passado. Só falo dele porque cada vez que entro na sala, os bigodes impecáveis estão lá. Foi e não voltou, não sei se foi bem sucedido na sua quimera, se juntou uns trocos, se foi feliz, tirando o seu semblante brilhantemente retratado, nada sei do jovem emoldurado que me observa cada vez que estou a ver televisão. Sei que terá cortado todos os laços com a família, terá conseguido, casou com alguma índia, ía ao teatro em Manaus?
Falo do jovem com bigodes imperiais pela facilidade que alguns têm em largar tudo.
E, por falar em largar, tenho que referir a largada de grande nível do "Breeze" nas regatas do último fim-de-semana em Lisboa. Embora curta, foi de grande valia, apesar da tripulação pouco ou nada se conhecer. De boa memória a última parte, uma dupla de excelentes proas que nunca falharam uma cambadela com o balão, muito bom. Aqui o escriba alternou entre o "piano", qual Glenn Gould, a afinação da genoa e uma mãozinha nas alantas do spi. Grande serenidade a bordo, condizente com o dia, finalizado com um repasto muito agradável lá para os lados de Alcântara e dois cálices de Genebra que lembraram terras mais a norte.
Os meus agradecimentos aos armadores pela óptima jornada, venha a próxima.
Por momentos pareceu-me que o jovem da bigodaça irrepreensível me sorria, emoldurado, com uma quadrinha, dedicada ao padrinho e sem sentido nehum.
sábado, 29 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
"Fair Winds"
"Jubilee"- 1893Sempre me deu bastante gozo ir fazendo aqui o bloguinho, passar umas quantas horas à procura de umas fotos interessantes, em formatos suficientemente grandes para serem devidamente apreciadas, descobrir algumas em arquivos esconsos como esta aqui de cima de provecta idade. O procurar e eventualmente descobrir alguma que me chame mais a atenção e partilhá-la com quem vai passando sempre me deu grande prazer, e continua a dar.
Ter discussões com o proa porque estava a fotografar em vez de estar a olhar pró que devia, perdem significado pelo bem que sabe revisitar alguns momentos, chatear os amigos pelos filmes fantásticos arquivados em VHS no fundo da gaveta, o prazer de ler ou reler alguns livros, passagens brilhantes de tão verdadeiras que são, escabulhar a história, a maior parte das vezes fascinante, de algum barco centenário e dos homens que se lhe atravessaram no caminho.
Posts feitos a várias mãos, algumas bacoradas que se escrevem, procurar uma musiquinha que me fale ao ouvido.
O prazer de postar anda não sei por onde, o de procurar igual. O gosto pela água, pela Ria, pela vela e pelo Mar, igual ao de sempre.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
"Beside Seaside"
"Sol de oiro. Na frente da praia três muralhas de ondas que ninguém podia atravessar. E para lá dessas ondas que saltavam e corriam, em bandos de cavalos brancos, o mar liso como vidro, com aquela cor de pescarejo que não engana: -
«Houvesse um portinho de abrigo, um muro que nos defendesse, já a fome era menos. Mas nem uma pedrazinha mexerem... E a gente, quando ganha, paga impostos como os mais...»
Os pescadores olhavam, calculavam os «rasos», os intervalos das ondas, para verem se dariam tempo, se podiam arriscar... Mas viravam costas, desanimados. Alguns metiam-se para o fundo escuro das tabernas onde ainda tinham crédito, pondo à mão a garrafa que levavam à boca; outros juntavam-se dentro dos barcos em seco nas ruas e nas praças.
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