
domingo, 21 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
"El Viento en La Isla"

EL viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.
Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.
Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.
Escucha cómo el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.
Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.
Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.
.
Pablo Neruda
terça-feira, 16 de março de 2010
"Ria de Aveiro"

"Mas o que tem para mim um grande encanto são os sítios ignorados da ria, onde a água cismática encharca, embebida no céu e reflectindo meia dúzia de ervas e dois barcos encalhados. Água esquecida ou pedaço do céu translúcido?...Acolá um borrão azul empoçado diante de uma trincheira verde. E este azul entranha-se na terra baixa e empapada, infiltra-se no subsolo, reaparece em fios e charcos. É inesperado e imprevisto. Não se sabe onde vai ter. Estou na terra ou na água? é um lago ou um rego? Uma vela navega entre campos verdes. É um saleiro. Ao longe na vasta planície retalhada, correndo a par de um biombo de pinheiros, outro barco desliza sobre a erva tenra dos arrozais.
...Outro canal. Carros de bois. A planície imensa cortada, riscada, atravessada por fios de água que convergem para um canal mais largo. Há charcos verdes atufados de nenúfares em flor, gordos e espalmados ao lume de água, com um botão branco a abrir. Alguns tufos de árvores rasteiras desdobram-se na água negra e profunda. Mais poças e, no Inverno e nos dias baços e parados, os ramos finos das árvores desenhando-se fio a fio, à pena, na água adormecida. No ar adormecido e na água que não existe, porque tudo parece atmosfera.
São terras impregnadas de água em baixo e envolvidas carinhosamente pela atmosfera marítima. Um rasgão e avisto os montes de sal espalhados pelo campo farto. Nos milharais andam grupos de cachopas enterradas até aos joelhos e os arrozais deslavados atiram para o céu as hastes com os pés metidos metidos na água.

Um grande trecho líquido empoçado. Lodo emaranhado de valas e de regos. Silêncio e luz. Fios de terra encaixilhando a vasta superfície dividida em rectângulos, com renques de árvores baixinhas torturadas pela poda. Silêncio húmido. Água imóvel. O que eu queria dar só o podem fazer os pintores - os tons molhados, os reflexos verdes, o galopar das nuvens fugindo sobre a imensa superfície polida, e, por fim, ao cair da tarde, a agonia dolorosa da luz. No céu não é a mesma coisa, no céu perde-se tudo num momento. Nestas poças os dourados entranham-se misturados à podridão dos verdes e levam muito tempo a esvair, agarrados numa aflição. Só aqui se compreende bem o que a luz lhe custa morrer."

Um grande trecho líquido empoçado. Lodo emaranhado de valas e de regos. Silêncio e luz. Fios de terra encaixilhando a vasta superfície dividida em rectângulos, com renques de árvores baixinhas torturadas pela poda. Silêncio húmido. Água imóvel. O que eu queria dar só o podem fazer os pintores - os tons molhados, os reflexos verdes, o galopar das nuvens fugindo sobre a imensa superfície polida, e, por fim, ao cair da tarde, a agonia dolorosa da luz. No céu não é a mesma coisa, no céu perde-se tudo num momento. Nestas poças os dourados entranham-se misturados à podridão dos verdes e levam muito tempo a esvair, agarrados numa aflição. Só aqui se compreende bem o que a luz lhe custa morrer."
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Raúl Brandão in Os pescadores
Fotos- Américo Carvalho da Silva
domingo, 14 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
"Lisboa,Tejo e tudo"
Uma largada ao segundo e uma bolina muito boa, uma luz divinal que não é fácil adjetivar enquanto bolinávamos em direção "à outra margem",um bordo longo e o silêncio a bordo. O vento oscila entre os 19 e os 21, dá gosto ver a frota agrupada, quebra-se o silêncio, muda-se de bordo, aponta-se a Belém.
terça-feira, 9 de março de 2010
"Woman"

fina/torneada/caprichosa
rasgada/plangente/misteriosa
transparente/raiada/dorida
lisa/leitosa/polida
cerimoniosa/excelsa/mundana
meiga/nostálgica/leviana
íntima/libidinosa/poética
saturada/satírica/céptica
alva/esclarecida/expectante
rasgada/vasta/exorbitante
misteriosa/contorcida/inabalável
egocêntrica/cruel/inexplicável
volúvel/inflamável/viciosa
fútil/distraída/caprichosa
maviosa/vibrante/condescendente
recreativa/rósea/prudente
viscosa/libertina/viciada
tranquila/pensativa/debilitada
circunspecta/pomposa/formal
expansiva/generosa/total
mística/doente/devaneadora
agreste/descarnada/ameaçadora
frágil/melada/recolhida
depauperada/desbotada/sumida
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Balada das 24 residências de phalo - Alberto Pimenta
domingo, 7 de março de 2010
"Breeze"
Algumas imagens de um fim-de-semana fantástico, a bordo do "Breeze", em regata no Tejo. Houve de tudo um pouco, algum trabalho quando o vento refrescou, boa disposição, espírito competitivo a apimentar a coisa, ausência total de vento a permitir aproveitar um sol primaveril que fez as delícias da tripulação, um serviço de catering a bordo de se lhe tirar o chapéu, um cenário lindo pra fazer vela. A tripulação que, diga-se em abono da verdade, esteve em grande nível, teve ainda oportunidade de saborear o cosmopolitismo lisboeta em actividades menos aquáticas mas igualmente recompensadoras. Um agradecimento aos armadores pela forma inexcedível como me receberam. Ah...e o Mar da Palha...!
sexta-feira, 5 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
"À vol d'oiseau"
Aqui o bloguinho, situo-o algures entre Braga e Nova Iorque, como o outro catalogava a sua música, tanto sou sensível às 600 milhas cumpridas em 24 horas pelos melhores da Volvo Ocean Race como acho de uma beleza notável um moliceiro ou uma bateira a bolinarem com um vento fresco de noroeste. A destreza das tripulações é de se lhes tirar o chapéu, pela forma como tiram tudo ao barco, pela atenção constante nas afinações, pela escolha da equipa e pela coragem. A competição por algo que, a maior parte das vezes , não vale cinco tostões, cria sensações nos intervenientes que são impagáveis, o prazer pelo prazer. A afinação do barco, o metro que se ganha, o grito de amuras que vem do barco ao lado, a constante tentativa de optimizar o desempenho consoante as condições, faz com que alguns gostem da competição até morrer. É a emoção do barco, do vento quase sempre inconstante, que nos faz ganhar ou perder metros sem que saibamos muito bem como, que nos dá vontade de morder o próprio fígado por não termos escolhido determinado bordo, um olho no nosso e outro no barco ao lado. Pra quem anda na Ria contra vento, aquele pequeno ângulo quase imperceptível, pode fazer a diferença, muita mesmo.
A competição é tanto melhor quanto mais renhida for, metro a metro, centímetro a centímetro se possível, ganhar sem oponência deixa um certo amargor de boca.
Uma das melhores, talvez a regata que maior prazer me deu foi uma com um 470 de uns espanhóis, de férias, puramente veraneantes, e que com um sorriso que não precisa de grandes explicações desafiou-nos pra dois ou três bordos revisitáveis.
Durante meia hora andámos por ali a jogar ao gato e ao rato, atrás de não sei o quê, apenas pelo prazer de ganhar um metro ao outro.
Não os cheguei a conhecer, mas gostava.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
"Horn"

"O vento sopra de oeste, e levanta mau tempo, mar grosso a lembrar o Índico, de que se tinham já esquecido as brutalidades. A 35 ou 40 nós, o vento empurra o Grand Louis para o Horn, os aguaceiros não deixam ver para além da ponta do nariz, o mar engrossa, torna-se cavado, o tempo cinzento e desagradável. De súbito, entre dois paspalhões, Michel Vanek distingue duas sombras lembrando rochedos, a emergirem da névoa: é a ilha de Diego Ramirez, isolada, a sudoeste do Horn. Calhaus desérticos, que são deixados a bombordo, passando à frente. O vento refresca mais: 45 nós , com rajadas de 55. O barco segue a uma velocidade de dez nós. Os fundos desceram para a batimétrica dos cem metros, e sente-se que as vagas enormes se adelgaçam, crescem, e quebram, derramando-se em espuma, que desenha na água fibras esticadas por acção do vento. De súbito, no meio da chuva, o Horn! O marinheiro do leme tem de ter mais pulso, mais atenção, redobrar de cuidados: duas ou três vagas ameaçadoras exigem um golpe de leme a provocar uma guinada rápida, para colocar o barco na perpendicular da crista que quebra. A terra aproxima-se rapidamente. O homem de leme vai ligeiramente para a orça: este morro cheio de prestígio todos o querem ver um pouco mais de perto...
Assim que o cabo é dobrado, o vento cai, o mar recompõe-se. No íntimo, cada um medita sobre as impressões de um dia cheio de emoções. Jantar com champanhe e foie gras . O Horn é bem merecedor duma festa."
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Jean-Michel Barrault
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
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