
domingo, 17 de janeiro de 2010
"Mar Largo"
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
"Arqueologias"



A última fotografia do post anterior já andava por aqui há algum tempo, sempre gostei muito dela. Mostra um barco de linhas superiormente desenhadas, de uma elegância fora do comum e que deve dar imenso prazer a tripular. Procurei e encontrei mais duas do mesmo barco e uma terceira de um outro da mesma classe, originária do norte da Europa.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
"Costa Nova"

sábado, 9 de janeiro de 2010
"Les Nuits"

Nos dias menos bons, talvez alguns de setembro ou outubro, saio para uma volta que se adivinha sem história, só o vento vago de oeste a querer virar pra sul. E vai virando, o vento bate-nos pelas ventas e arrependemo-nos de ter tirado férias naquela semana. Não tarda que os ameaços o deixem de o ser e comece a cair uma chuva esparsa, grossa, fria. Se há coisa que mexe é andar na água com um céu de chumbo, sem saber bem o que nos espera, mas é um espectáculo único.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
"Arte de Velejar"

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
"Veronique"
Dispensa apresentações para a maioria e é um dos desenhos mais bonitos da Ria. Tem uma silhueta inconfundível, carisma e uma história fora do comum. Como admirador do "Veronique", pedi ao Comandante João Veiga que me escrevesse umas palavras sobre ele. A ele o meu agradecimento e aos autores das fotografias, um pedido de desculpas pela usurpação e manipulação das mesmas.
" O estaleiro naval do mestre Alberto, praticamente dentro da cidade de Aveiro, ganhou fama mundial pela qualidade dos seus trabalhos. Ainda há muito pouco tempo recuperou a nau "D.Fernando e Glória", construída em Goa e destruída por um incêndio nos anos sessenta. Esta fama mundial que granjeou fez acorrer aos seus estaleiros veleiros de todo o mundo, de iates e também de vagabundos do mar, homens de grande experiência e conhecimento, de uma riqueza cultural que dá gosto beber nas longas conversas das tertúlias que tenho o prazer de participar. Destes destaco dois sexagenários, o inglês Andrew e o alemão Georg.
O inglês naufragou à entrada da nossa barra há três anos. Nesse naufrágio perdeu a mulher que não resistiu ao Mar alteroso e a um braço engessado que a arrastou para o fundo do Mar. Depois do naufrágio foi ficando por cá, habita no seu tri-Maran semi destruído que ele recupera aos poucos para continuar as suas sagas marítimas à volta dos sete mares.
O Georg, um pouco mais velho, veio reparar o seu 36 pés de ferro, foi também ficando, esperando a melhoria do estado do Mar, tertuliando com os velhos marinheiros que por aquele estaleiro aparecem todos os dias e fazendo pequenos trabalhos para o Mestre Alberto.
Quando terminou a reparação do seu veleiro, retirou-o da carreira e amarrou-o a um velho arrastão azul que esperava ser desmantelado para a sucata. Já lá estava há uns meses e chamava a atenção pelas linhas esbeltas que ostentava. A meio de uma semana de Janeiro do ano passado os dois Marinheiros resolveram vir à cidade beber um copo num dos bares de gente do Mar que por aqui existem. Ao passar do portaló do barco onde estava amarrado, Georg escorregou e caiu. Transportado para o Hospital, diagnosticou-se fractura da coluna que o manteria na cadeira de rodas para o resto da vida. No domingo a seguir faleceu.
O resto juro que é verdade, eu assisti. Por volta das sete da tarde desse domingo, sem ponta de vento ou barco a levantar as águas da ria, o veleiro do Georg agitou-se estranhamente e as adriças bateram no mastro de alumínio de forma compassada e gritante, lembrando sinos a tocar sinais pela morte de alguém, como é hábito nas nossas aldeias.

Eu estava presente com um amigo e fomos ver o que se estava a passar e nada descobrimos. Na altura não demos ao facto outra importância que não fosse a da curiosidade e estranheza pelo que não sabíamos explicar.
Na segunda-feira seguinte, tivemos a notícia que Georg tinha morrido em Coimbra pouco depois das sete da tarde, a hora a que o Veronique se agitou, sentindo a morte do seu dono.
O Veronique é um sloop de linhas clássicas com a proa em meia lua a lembrar os lugres do estaleiro do Mestre Mónica.
Quis o destino que me tornasse proprietário desse magnífico barco e, mais do que isso, Amigo do Udo Postfcher, filho do Georg que tanto amava aquele barco que era a sua casa.
O Veronique já ostenta o pavilhão da Quinas, mas chamar-se-á sempre Veronique."
João Madail Veiga - (10-Jan-2001)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
"Spray"

domingo, 3 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
"Bons Ventos"

E vós, ó coisas navais, meus velhos brinquedos de sonho!
Componde fora de mim a minha vida interior!
Quilhas, mastros e velas, rodas do leme, cordagens,
Chaminés de vapores, hélices, gáveas, flâmulas,
Galdropes, escotilhas, caldeiras, coletores, válvulas;
Caí por mim dentro em montão, em monte,
Como o conteúdo confuso de uma gaveta despejada no chão!
Sede vós o tesouro da minha avareza febril,
Sede vós os frutos da árvore da minha imaginação,
Tema de cantos meus, sangue nas veias da minha inteligência,
Vosso seja o laço que me une ao exterior pela estética,
Fornecei-me metáforas imagens, literatura,
Porque em real verdade, a sério, literalmente,
Minhas sensações são um barco de quilha pro ar,
Minha imaginação uma ancora meio submersa,
Minha ânsia um remo partido,
E a tessitura dos meus nervos uma rede a secar na praia!
Excerto da Ode Marítima de Álvaro de Campos
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
"Navegar é preciso"
sábado, 19 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
"Yachtmen"
"Um marinheiro, para o profano, é aquele a quem a profissão obriga a viver no mar. Erro! Erro crasso! Um marinheiro é aquele a quem o seu gosto faz viver com o mar. Só os que navegam por prazer estão neste caso. Sempre.
Desprezados pelos seus colegas das outras marinhas? Claro! Mas os operários desprezam os «sonhadores» e, no entanto, os «sonhadores» transformam mais a humanidade que o mais hábil artesão.
Os marinheiros da quarta marinha não devem, aliás, inquietar-se com o que se pensa deles. Quis uma fatalidade que ainda mal acabada de nascer (a navegação de recreio conta, em decénios, o que as outras contam em séculos), recebesse a mais esmagadora herança, que conserva sózinha: a civilização milenária da vela, a frequência do mar «rasando a água»."
Eric de Bisschop
domingo, 13 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
"Ribeira da Aldeia"
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
"Vouguices"
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
"Kon-Tiki"
"Decorreram semanas. Não vimos sinal algum nem de navio nem de qualquer outra coisa que vogasse, para nos mostrar que havia mais gente no Mundo. O oceano inteiro pertencia-nos e, com todas as portas do horizonte abertas, uma paz real e a verdadeira liberdade desceram do firmamento sobre nós. Era como se o gosto fresco de sal que havia no ar e a imensa pureza azul que nos rodeava nos tivesse lavado o corpo e purificado a alma. A nós, sobre aquela jangada, os grandes problemas do homem civilizado afiguravam-se falsos e ilusórios, meros produtos pervertidos do espírito humano. Só os elementos se revestiam de importância. E os elementos pareciam não fazer caso da pequena jangada. Ou talvez a estivessem aceitando como um objecto natural que não quebrava a harmonia do mar, mas que se adaptava à corrente e ao oceano como a ave e o peixe. Em vez de se mostrarem um inimigo temível, investindo comnosco a espumar, os elementos haviam-se tornado num amigo fiel que, com firmeza e segurança nos ajudava a avançar. Enquanto o vento e as ondas empurravam e impeliam, a corrente oceânica permanecia debaixo de nós e puxava-nos sempre para o rumo da nossa meta."
Thor Heyerdahl in A expedição da Kon-Tiki



































