quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
"Da taca e da unhaca"
Há bastantes anos, não seria eu mais que um projecto longínquo, havia por estas bandas dois amigos que se encontravam depois do jantar para umas partidas de bilhar no centro recreativo local, habitualmente ganhava o mesmo, e o perdedor exclamava num tom de incredulidade, " Não sei...este taco..não sei... só pode ser do taco...". O outro sorria e disparava," Não é da taca, é da unhaca!".
Mudando o registo, é sabido que os "Vouguistas" tratam bem das embarcações, da arrumação a bordo e da limpeza com que apresentam as embarcações em, ou sem público. Geralmente lavam-se antes ou depois da utilização, seja em passeio ou regata, mas o brio da equipa de que fiz parte nas regatas da Torreira achou por bem, numa manobra inédita, lavá-lo durante a regata. Manobra difícil mas executada por nós na perfeição, que logo suscitou espanto, admiração e diga-se, uma certa curiosidade pela forma acrobática, atlética, circense, de lavar o barco em plena competição. No final das regatas fomos cumprimentados, pela classificação e pelo aprumo com que cruzámos a linha de chegada, de tal forma que fomos copiados no dia seguinte pela tripulação do barco que me enviou este mail. Tentaram, em vão, ter a nossa graciosidade a baldear o barco, resta-me uma palavra de incentivo para que não deixem de ir treinando tal manobra. Não é fácil!
Neste caso não foi da unhaca, foi mesmo da taca.
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"Para a tripulação do "RAQUEL" na PAN da Torreira, relembro que até esta data a dimensão do nome da embarcação continua inalterada pelo que recomendo vivamente a execussão de novo lettring de maiores dimensões conforme acordado antes da prova. Poderão ainda optar pela oferta de uns Binóculos à tripulação do "Beatriz" se assim o entenderem.Ao Armador da embarcação resta-lhe assumir a responsabilidade de ter cedido tão bela embarcação em excelente estado de conservação, a uns "tripulantezecos" que não estiveram à altura não só da embarcação como do seu equipamento pois é de enaltecer o esforço financeiro do Armador em ter mandado executar velame novo de alta qualidade, em vão é certo, na tentativa de levar para Ílhavo a tão desejado prémio de vencedor a exemplo do que se passa na Taça América, mesmo tendo apostado num navegador local na tentativa de melhor conhecimento daquelas águas.Acho ainda que foi de mau tôm, mesmo depois de todo o esforço que o Armador teve em apresentar o barco nas devidas condições, terem ído para o meio da Ria baldear o barco como quem diz, podia ter limpo o barco para antes da Regata.Meus caros colegas, espero não levem a mal mas o prometido é devido.A bem da boa camaradagem e sã convivência entre os Vougas,Um abraço a todos."
Miguel Paião
quinta-feira, 6 de maio de 2010
"Campinos e Ílhavos"

--'Então agora como é de fôrça, quero eu saber, e estes senhores que digam, qual é que tem mais fôrça, se é um toiro ou se é o mar'.
--'Essa agora!..'
--'Queriamos saber'.
--'É o mar'.
--'Pois nós que brigâmos com o mar, oito e dez dias a fio n'uma tormenta, de Aveiro a Lisboa, e estes que brigam uma tarde com um toiro, qual é que tem mais fôrça?'
Os campinos ficaram cabisbaixos; o publico imparcial applaudiu por ésta vez a opposição, e o Vouga triumphou do Tejo.
--'Essa agora!..'
--'Queriamos saber'.
--'É o mar'.
--'Pois nós que brigâmos com o mar, oito e dez dias a fio n'uma tormenta, de Aveiro a Lisboa, e estes que brigam uma tarde com um toiro, qual é que tem mais fôrça?'
Os campinos ficaram cabisbaixos; o publico imparcial applaudiu por ésta vez a opposição, e o Vouga triumphou do Tejo.
Tenho seguido por estes dias os relatos de dois distintos membros do grupo de forcados amadores de Alhandra, vieram visitar a Ria e levaram, pelo que se pode ler, boas recordações. Lembrei-me do inverso, das minhas recordações de estadias no Ribatejo, de férias, à solta por aquelas várzeas amarelecidas no estio de Julho ou Agosto.
Pernoitava numa casa centenária de capa de revista, à entrada de Lisboa e resguardada de quem passava por muros altos e árvores imponentes. O conforto e o bom tratamento imperavam, boa cozinha e mordomias que me faziam sentir em casa.
O meu anfitrião, homem rijo e de poucas falas, fazia-me sentir à vontade e aturava as perguntas que lhe ia fazendo sobre cavalos e toiros, excêntrico e com uns olhos azuis quase transparentes que faziam transparecer uma certa dose de loucura latente.
Os dias eram passados numa herdade ali para os lados de Porto Alto, 600 ou 700 ha de recreio pra um puto que adorava aquilo, cavalos, vida ao ar livre, espaço, liberdade e a possibilidade de alguma aventura. Entregaram-me um cavalo velho, como convém a cavaleiro novo, e a única regra imposta era a de fechar cada portal que abrisse. Passava horas a deambular sozinho pela herdade, ajudava os campinos no maneio do gado, almoçava com eles uma sardinha assada, uma fatia de torricado e uma talhada de melão, vigiava-se o gado e até tive que aprender a dormir a sesta. A minha montada, o "Branquinho", que nos seus anos áureos fora o cavalo de correr lebres da senhora da casa, com a idade fora relegado para o trabalho diário, aguentava os meus excessos com uma pachorra de assinalar. Todo ele era calmo, poupado nos esforços, cada dia que passava gostava mais dele. Entrava nas tapadas onde pastavam os toiros bravos com uma calma só alterada quando eu queria mais proximidade com os bichos pretos, aí ele acordava, levantava a cabeça um bocado mais, parecia que rejuvenescia alguns anos. Avançava a custo, de orelha guiada, mas até um certo limite em que se recusava a dar mais um passo que fosse, ele lá sabia dos seus limites de cavalo velho. Se tivesse que fugir já lhe faltavam as pernas, três ou quatro cicatrizes mal curadas na garupa explicavam o comportamento.
Houve um dia que chegou um contrato de Espanha para uma corrida, onde os "Palhas" eram conhecidos pelo "Horror, Terror y Furor". Era preciso escolher escolher sete dum lote de vinte e tal toiros de quatro anos. Lá fui com o "Branquinho", junto com o resto dos campinos, muito, mas muito lentamente, juntando os bois até que eles ficaram agrupados num canto duma cerca, e a única coisa que me lembro até hoje é da tremedeira que sentia, a minha e a do "Branquinho", que tremia mais do que eu. A dois passos de nós, os toiros de olhar negro inexpressivo, amontoados como ninho de vespas metiam muito respeito. Se um resolvesse investir não haveria hipótese de fuga, pelo menos para mim. Muito calmamente, um a um, foram sendo escolhidos e separados. Naquele dia não houve nem cavalos nem cavaleiros furados mas pra mim nesse dia o Tejo "triumphou" sobre o Vouga.
domingo, 2 de maio de 2010
"Russ Kramer"
sábado, 1 de maio de 2010
"Les Nuits"
quinta-feira, 29 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
"À maneira..."
Um fim-de-semana à maneira, a fazer vela em boa companhia em barcos com andamentos mais ou menos semelhantes e que é um prazer ver evoluir no campo de regata. Rápidos, elegantes e graciosos, tanto os Vougas como os Sharpies. Verdadeiros hinos à construção naval do distrito pois, todos os Vougas presentes e alguns dos Sharpies, foram construídos cá.

Regatas animadas, um ou dois naufrágios, saltos de vento a baralhar o jogo, muita marola e muito vento no segundo dia, grandes chuveiradas que não foram suficientes para arrefecer os ânimos competitivos.
domingo, 25 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
"Raquel"
Sexta-feira passada saio a correr muito do trabalho e, depois de várias e diversificadas trangressões às leis da estrada, chego à Toreira onde já me esperava o armador deste menino aqui da fotografia, o "Raquel", para as primeiras apresentações. Na impossibilidade de participar nas regatas dos próximos dias 24 e 25, convidou-me a fazer parte da tripulação e é a velha história de perguntarem ao cego se quer ver..."Quando é?". Na sexta pouco ou nada se fez para além de pôr a conversa em dia e de algumas explicações prévias, combinou-se então para a manhã seguinte o aparelhar do barco enquanto maré fosse subindo e, logo que possível dar umas voltitas a aproveitar a tarde. No sábado a coisa prometia e conforme o previsto fomos aparelhando a embarcação para, logo a seguir ao almoço, hora em que já devíamos ter um palminho de água, levantar pano e fazer uns bordos. Estava um final de manhã de encomenda quando nos sentámos à mesa para uma refeição frugal, um céu azul e uma brisa apetitosa de oeste. De volta à marina, o vento já rodara para sul e com ele, nuvéns que não enganam ninguém, baixas, inchadas e mortinhas por nos estragar o dia. E estragaram... num instante já chovia em S.Jacinto e de lá até nós era uma pressinha, começou com uns ameaços mas não tardou a cair certinha, forte até.
Foi a tarde avançando e ela cair, mais conversa, cigarros e cafés e os barcos em seco já com uma maré altamente convidativa a umas voltas.
Já ao final da tarde parou a chuva e o vento e os barcos navegaram 20m em cima dos atrelados do sítio onde tinham sido aparelhados para onde ficaram estacionados...nada mal!
Ou seja, no próximo fim-de-semana vou participar com um barco onde nunca entrei e com uma equipa que não conheço, só espero que a "Lei de Murphy" não o seja pela sua infalibilidade.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
"Sea Fever"

I must down to the seas again, to the lonely sea and the sky,
And all I ask is a tall ship and a star to steer her by,
And the wheel’s kick and the wind’s song and the white sail’s shaking,
And a grey mist on the sea’s face, and a grey dawn breaking.
I must down to the seas again, for the call of the running tide
Is a wild call and a clear call that may not be denied;
And all I ask is a windy day with the white clouds flying,
And the flung spray and the blown spume, and the sea-gulls crying.
I must down to the seas again, to the vagrant gypsy life,
To the gull’s way and the whale’s way where the wind’s like a whetted knife;
And all I ask is a merry yarn from a laughing fellow-rover
And quiet sleep and a sweet dream when the long trick’s over.
John Masefield
quarta-feira, 14 de abril de 2010
"Ria"
"Mergulharam ambos num silêncio que estava de acordo com a paisagem.Tinham pedido o pequeno-almoço para o quarto e acabavam de o tomar na varanda. O domingo amanhecera sob um lençol de névoa que mais uma vez lhes fazia evocar a adolescência naquelas praias, à espera que o sol abrisse depois do meio-dia. Respiravam o ar húmido da ria com uma sensação de clandestinidade, como se aquele mato cinzento os escondesse do mundo exterior e os protegesse de toda a gente, das ameaças da vida terrestre.
- Parece que estamos num barco.
Ela concordou. Sim, parecia-lhe que estavam os dois sozinhos num barco, mas num barco sem remos nem motor, nem leme, nem velas. Um barco à deriva , que apenas vogasse ao sabor das águas num grande lago estagnado, envolto num nevoeiro tão espesso como o que pouco a pouco fora cobrindo as suas vidas, sem que os deixasse descortinar uma saída. Era talvez uma antevisão da eternidade, o prenúncio de um tempo já sem tempo, em que o passado e o futuro pareciam flutuar à superfície daquela água invisível que os rodeava."
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Fernando Pinto do Amaral in Fim-de-Semana
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
"Memórias do Tejo"
"Lisboa é bonita. Está ainda para nascer o primeiro insensível que no alto de Santa Catarina não arregale os olhos de espanto diante da formosura dum panorama que a natureza se não gaba de ter repetido.
Entre a investida castelhana do Doiro, em cima, e o esquivo namoro do Guadiana, em baixo, Portugal merecia a visita calma e demorada dum grande curso de água que, sem ajuda de noras, lhe matasse a sede, e, sem leixões, fosse um porto de abrigo.
A secura do corpo pedia refrigério; a agressão do oceano, protecção das vagas. Quis a sorte que assim fosse e o Tejo abrisse no calcário estremenho um estuário largo e majestoso, fundo e aconchegado, que, depois de magoar os montes, os transformasse em miradoiros de sonho.

E de cada colina onde a gente se debruça é um pasmo sem limitações, que abrange o céu e a terra na mesma agradecida emoção. Sobre a toalha límpida do rio cai luz a jorros duma lâmpada hialina, escondida no teto azul do cenário; e o movimento ritmado das embarcações, o perfil recortado do casario e o enquadramento dos longes, arredondam a beleza da tela, dando-lhe realidade.
terça-feira, 6 de abril de 2010
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