
Acordo mais rápido do que seria supôr para um fim-de-semana, é dia de cruzeiro. É um dia especial, haja que regatas houver durante o resto do ano, é especial e tem um carisma que só a sua longevidade e o local onde é realizada explicam. São dois dias especiais, diferentes, em que vencer é importantíssimo mas não primordial, dois dias de vela tão cheios que não cabem em duas linhas de prosa mal amanhada. O segredo, presumo eu, está , para além da beleza cénica, nas variantes que se vão perfilando aos concorrentes. Todos os anos ouvimos todos nós a queixar-nos dos sequeiros a norte da Varela e damos conosco a pensar na melhor maneira de os fintar. Todos os anos temos a dúvida de ir pela Béstida ou mais junto ao mar, e faz pensar os que lá estão.
É uma regata única, que orgulha quem a faz e quem a promove, tem a patine cinquentenária de algo a quem se desculpam erros crassos e uma ou outra imprecisão.
O silêncio antes da largada será igual à angústia do guarda-redes antes do penalty.
Largar ao segundo zero ou lançar-se no segundo zero.
O barquinho avança, as bigodaças à proa dizem-me que vou a andar bem, ponho o spi ou não? A equipa vai na perfeição e estamos com o vento ideal para os Vougas mostrarem o seu melhor.
À viragem para Aveiro, a cambadela corre a preceito e o barquinho mostra o que vale, acelera num largo de boa memória.
Chegar a Aveiro é das coisas mais sensaboronas que há, vai-se lá porque tem que se ir.
No regresso a S. Jacinto ainda se viu o Delmar Conde a passear o seu F1 pelo meio dos regateiros. Pujante!
Depois de cortar a meta e duma boleia providencial, o barco descansou à sombra das tramagueiras. Outro dia virá.