domingo, 24 de janeiro de 2010

"Cais do Chegado"




Passeio pela beira Ria em tarde soalheira e fresca, a nascente do Bico da Murtosa e nas imediações do Cais do Chegado.

sábado, 23 de janeiro de 2010

"12mR"

Constellation


Sovereign

"Os americanos, com efeito, na quadra que estamos em Newport, preparam-se activamente nas regatas de selecção que devem designar o defensor da famosa taça instituída pelo «Yacht Club» de Newport e de New York. Sabe-se que a regata da América se repete sempre que um país aceita o desafio renovado depois de cada vitória dos americanos, vencedores desde 1851.
Este ano os ingleses aceitaram o desafio. Construiram, especialmente com vista à regata, dois regateiros - o «Sovereign» e o «Kurewa V» - objectos de todos os seus desejos, frutos de todos os progressos da sua técnica náutica. Estes dois soberbos veleiros vão enfrentar-se em Cowes sob o olhar implacável dos peritos do «Royal Thames Yacht Club». O vencedor virá em Setembro medir-se com o vencedor dos representantes americanos. Estes têm barcos antigos mas modernizados e afinados com os últimos aperfeiçoamentos: o «Columbia», vencedor da taça em 1958 contra o inglês «Sceptre»; «Easterner» e «Nefertiti», igualmente antigos pretendentes à competição, e dois barcos completamente novos: o «American Eagle» e o «Constellation». Um sexto barco, o «Nereus», não concorreu: serve para treinar o «Constellation» do qual é irmão mais velho: o mesmo mastro em titanium, o mesmo aparelho, ou quase.
É um espectáculo extraordinário ver evolucionar estes barcos, mas é difícil aproximarmo-nos deles tal a sua velocidade e a rapidez das suas manobras."
Eric Tabarly
(O Constellation viria a vencer a Taça, em confronto com o Sovereign)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Raquel"


O Vouga "Raquel", construído por "Mestre" Alberto.
Fotografia enviada por João Senos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"Puritan"






Foi o vencedor da edição de 1885 da America's cup. Em 1888 ruma à Europa onde passa o resto da sua vida como barco de transporte de carga e passageiros entre Portugal e os Açores. Apesar de ser um barco rápido, o seu tamanho não lhe permitia manter-se lucrativo. Foi desmantelado em 1925.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"A Doida de Rolecha"


" - Não é tão doida como isso, mas a loucura aparece de vez em quando... Há quem diga que aparece com a Lua - explicou-me Barria, enquanto eu remava, levando a canoa para o local onde íamos recolher marisco.
À medida que nos aproximávamos, a silhueta da mulher destacava-se como um rochedo sombrio e vivo à beira da praia. Usava um vestido preto e coçado, estava acocorada e, de vez em quando, atirava para a água pedrinhas que tinha no regaço, num gesto infantil e equívoco, que podia ser interpretado como um apelo ou um adeus. Era semelhante a uma camponesa atirando grãos à criação.
- Está a dar de comer ao mar - disse Barria..
- O quê? Pedrinhas?
- Para ela são migalhas que todas as manhãs atira ao mar, é o pequeno-almoço do marido...
A princípio, julguei que Barria troçava de mim. Ou, então, que também ele era um pouco poeta, ou um pouco doido, também ele...
-Uma mulher casada com o oceano! - repliquei no mesmo tom."
Francisco Coloane in Naufrágios

"Deep Blue"








Fotografias- K. Arrigo /C. Borlenghi


domingo, 17 de janeiro de 2010

"Mulheres do meu país"










Fotografias de António Cravo

"Mar Largo"


ò mar largo, ò mar largo
ò mar largo sem ter fundo
mais vale andar no mar largo
que nas bocas do mundo.

Cantiga popular - contribuição de Sérgio Paulo Silva

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"Arqueologias"






A última fotografia do post anterior já andava por aqui há algum tempo, sempre gostei muito dela. Mostra um barco de linhas superiormente desenhadas, de uma elegância fora do comum e que deve dar imenso prazer a tripular. Procurei e encontrei mais duas do mesmo barco e uma terceira de um outro da mesma classe, originária do norte da Europa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Vintage Sailing"





"Costa Nova"


"Há a praia da minha infância, em Espinho, quando era mais pequeno, e a da minha adolescência mais profunda, na Costa Nova, dos 14/15 anos, dos primeiros amores, era eu campeão de natação e gostava era de andar na Ria, à vela ou à pesca. Lembro-me bem do cheiro da Ria...essa é a praia das praias. Mas, nos anos 1980, descobri a Foz do Arelho, mais selvagem, em estado puro, um sítio onde podia pescar robalos à vontade. Gosto muito do Atlântico,do cheiro do Atlântico - lembro-me que quando estava exilado em Paris, ia até Biarritz só para sentir o cheiro do mar. Gosto das águas fortes e lá ouve-se o silêncio e a música do mar. E ainda vou, na Primavera, no Outono e no Inverno...Tenho muitos poemas escritos ali. E da minha varanda vêem-se Peniche e as Berlengas. E às vezes, só a neblina."
Manuel Alegre in Visão de 9-7-2009

sábado, 9 de janeiro de 2010

"Les Nuits"


Nos dias menos bons, talvez alguns de setembro ou outubro, saio para uma volta que se adivinha sem história, só o vento vago de oeste a querer virar pra sul. E vai virando, o vento bate-nos pelas ventas e arrependemo-nos de ter tirado férias naquela semana. Não tarda que os ameaços o deixem de o ser e comece a cair uma chuva esparsa, grossa, fria. Se há coisa que mexe é andar na água com um céu de chumbo, sem saber bem o que nos espera, mas é um espectáculo único.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

"God is in the details"







"Arte de Velejar"


"A arte de velejar é o desporto náutico mais são, mais próprio e mais fecundo em imprevistos e emoções que o mar oferece ao homem.
Não visa, em especial, ao robustecimento muscular, mas, em virtude do meio onde se pratica, contribue para desenvolver o físico do indivíduo.
Permite, igualmente, desenvolver a iniciativa e a decisão a um grau que a maioria dos desportos não conhece, exige da parte de quem o pratica uma boa dose de confiança em si mesmo, a par de um agudo sentimento de responsabilidade.
As situações imprevistas, em que a serenidade e decisão são tão necessárias para as enfrentar, como a rapidez e segurança para as resolver, dão ao velejador uma têmpera especial. Os casos complicados e as rascadas requerem tanto de reflecção madura como de prontidão na decisão.
O nauta aprende,assim, em contacto com os elementos, a contar só consigo para resolver as dificuldades.
Este desporto aviva e anima o espírito de observação e o golpe de vista em apreciar ràpidamente as situações. Muitas vezes, a segurança do barco e das vidas depende de uma simples rajada mal estimada ou duma manobra tardia ou executada atabalhoadamente.
O velejador, entre este meio especial e a Natureza, desenvolve a atenção concentrada e inteligente.
O desporto náutico cria-lhe pouco a pouco uma mentalidade nova e permite-lhe desenvolver e melhorar as qualidades de iniciativa, desembaraço e perseverança.
É pois, o desporto ideal que, como nenhum outro, prepara o indivíduo para a luta pela vida."
Condensado do livro « Arte de Velejar »

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

"Veronique"



Dispensa apresentações para a maioria e é um dos desenhos mais bonitos da Ria. Tem uma silhueta inconfundível, carisma e uma história fora do comum. Como admirador do "Veronique", pedi ao Comandante João Veiga que me escrevesse umas palavras sobre ele. A ele o meu agradecimento e aos autores das fotografias, um pedido de desculpas pela usurpação e manipulação das mesmas.

" O estaleiro naval do mestre Alberto, praticamente dentro da cidade de Aveiro, ganhou fama mundial pela qualidade dos seus trabalhos. Ainda há muito pouco tempo recuperou a nau "D.Fernando e Glória", construída em Goa e destruída por um incêndio nos anos sessenta. Esta fama mundial que granjeou fez acorrer aos seus estaleiros veleiros de todo o mundo, de iates e também de vagabundos do mar, homens de grande experiência e conhecimento, de uma riqueza cultural que dá gosto beber nas longas conversas das tertúlias que tenho o prazer de participar. Destes destaco dois sexagenários, o inglês Andrew e o alemão Georg.

O inglês naufragou à entrada da nossa barra há três anos. Nesse naufrágio perdeu a mulher que não resistiu ao Mar alteroso e a um braço engessado que a arrastou para o fundo do Mar. Depois do naufrágio foi ficando por cá, habita no seu tri-Maran semi destruído que ele recupera aos poucos para continuar as suas sagas marítimas à volta dos sete mares.

O Georg, um pouco mais velho, veio reparar o seu 36 pés de ferro, foi também ficando, esperando a melhoria do estado do Mar, tertuliando com os velhos marinheiros que por aquele estaleiro aparecem todos os dias e fazendo pequenos trabalhos para o Mestre Alberto.




Quando terminou a reparação do seu veleiro, retirou-o da carreira e amarrou-o a um velho arrastão azul que esperava ser desmantelado para a sucata. Já lá estava há uns meses e chamava a atenção pelas linhas esbeltas que ostentava. A meio de uma semana de Janeiro do ano passado os dois Marinheiros resolveram vir à cidade beber um copo num dos bares de gente do Mar que por aqui existem. Ao passar do portaló do barco onde estava amarrado, Georg escorregou e caiu. Transportado para o Hospital, diagnosticou-se fractura da coluna que o manteria na cadeira de rodas para o resto da vida. No domingo a seguir faleceu.

O resto juro que é verdade, eu assisti. Por volta das sete da tarde desse domingo, sem ponta de vento ou barco a levantar as águas da ria, o veleiro do Georg agitou-se estranhamente e as adriças bateram no mastro de alumínio de forma compassada e gritante, lembrando sinos a tocar sinais pela morte de alguém, como é hábito nas nossas aldeias.




Eu estava presente com um amigo e fomos ver o que se estava a passar e nada descobrimos. Na altura não demos ao facto outra importância que não fosse a da curiosidade e estranheza pelo que não sabíamos explicar.

Na segunda-feira seguinte, tivemos a notícia que Georg tinha morrido em Coimbra pouco depois das sete da tarde, a hora a que o Veronique se agitou, sentindo a morte do seu dono.

O Veronique é um sloop de linhas clássicas com a proa em meia lua a lembrar os lugres do estaleiro do Mestre Mónica.

Quis o destino que me tornasse proprietário desse magnífico barco e, mais do que isso, Amigo do Udo Postfcher, filho do Georg que tanto amava aquele barco que era a sua casa.

O Veronique já ostenta o pavilhão da Quinas, mas chamar-se-á sempre Veronique."

João Madail Veiga - (10-Jan-2001)

"Kurt Arrigo"

















segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Spray"



"Mas o nosso barquito atravessou a rebentação como um peixe - como se fora parte natural dos elementos, e tão livre como eles!
De todos os mares que quebravam furiosamente ao redor dele, mantendo-o por vezes, quase a prumo, nem um só o varreu, nem sequer lhe entrou a bordo, e o barco atravessou triunfante aquela tempestade de escarcéus. Depois, metendo em cheio, abriu as velas ávidas de vento e voou por sobre o mar como uma ave."
Joshua Slocum in Sózinho à Volta do Mundo

domingo, 3 de janeiro de 2010

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"Outras Águas"







Pinturas de Ran Ortner
Contributo de J.M.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"Bons Ventos"



E vós, ó coisas navais, meus velhos brinquedos de sonho!
Componde fora de mim a minha vida interior!
Quilhas, mastros e velas, rodas do leme, cordagens,
Chaminés de vapores, hélices, gáveas, flâmulas,
Galdropes, escotilhas, caldeiras, coletores, válvulas;
Caí por mim dentro em montão, em monte,
Como o conteúdo confuso de uma gaveta despejada no chão!
Sede vós o tesouro da minha avareza febril,
Sede vós os frutos da árvore da minha imaginação,
Tema de cantos meus, sangue nas veias da minha inteligência,
Vosso seja o laço que me une ao exterior pela estética,
Fornecei-me metáforas imagens, literatura,
Porque em real verdade, a sério, literalmente,
Minhas sensações são um barco de quilha pro ar,
Minha imaginação uma ancora meio submersa,
Minha ânsia um remo partido,
E a tessitura dos meus nervos uma rede a secar na praia!

Excerto da Ode Marítima de Álvaro de Campos