terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Yachtmen"



"Um marinheiro, para o profano, é aquele a quem a profissão obriga a viver no mar. Erro! Erro crasso! Um marinheiro é aquele a quem o seu gosto faz viver com o mar. Só os que navegam por prazer estão neste caso. Sempre.
Desprezados pelos seus colegas das outras marinhas? Claro! Mas os operários desprezam os «sonhadores» e, no entanto, os «sonhadores» transformam mais a humanidade que o mais hábil artesão.
Os marinheiros da quarta marinha não devem, aliás, inquietar-se com o que se pensa deles. Quis uma fatalidade que ainda mal acabada de nascer (a navegação de recreio conta, em decénios, o que as outras contam em séculos), recebesse a mais esmagadora herança, que conserva sózinha: a civilização milenária da vela, a frequência do mar «rasando a água»."

Eric de Bisschop

domingo, 13 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"Ribeira da Aldeia"


Sempre que posso gosto de passar pela Ribeira da Aldeia, fica-me perto de casa e do local de trabalho. Muitas vezes saio do trabalho e vou até lá, tenho a Ria ali ao lado e o estaleiro dos Mestres carpinteiros que me fizeram o Almagrande, sou a terceira geração pra quem eles construiram barcos. É um oásis de calmaria, um sítio que parece ter parado no tempo e, para além da admiração que tenho por eles como profissionais, há uma amizade que me faz passar por lá a vê-los, a saber se estão rijos e às vezes conversar um bocado.
Sempre têm pachorra para ir respondendo às minhas perguntas, sejam elas relacionadas com a construção naval, com estórias de barcos e homens que foram passando por lá ou até dos seus próprios percursos de vida. Por vezes não há conversa, só trabalho, e fico por ali a observá-los em silêncio, um silêncio quebrado apenas pelo assobio do Mestre Zé que mais parece o vento Norte a entrar por uma frincha do esburacado armazém.
Hoje a tarde estava bonita e pensei em fazer-lhes a visita habitual mas ao chegar dei com o estaleiro fechado, voltei para trás e parei no centro para um café, afixado na parede da entrada um papelucho anunciava a morte do Mestre Diniz.
Morreu com 84 anos, uma vida dedicada aos barcos, primeiro aos moliceiros e bateiras e depois a outros de utilização mais desportiva ou de lazer.
Vou ter saudades dele mas como me dizia hoje o Mestre Zé, com a voz embargada por sessenta anos de vivências em conjunto, "É assim a vida...".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"Vouguices"



Saudades da água, saudades do mar. O barco espera melhores dias, vai esperando e juntando pó no costado. Passa-se a semana a pensar num fim-de-semana soalheiro que dê para dois ou três bordos a arejar os paneiros e a desempoeirar os bolores dos panos e não há meio..
Os passeios pela beira da Ria matam algumas saudades, mas não as da bolina mansa em que ele, risonho, risca a água num silêncio que os Vouguistas conhecem. Os Vouguistas e os outros, fundamendalismos à parte, navegar na ria é especial.
A Ria é temperamental e pouco complacente com quem não a conhece.
Diferenças à parte, não deixem morrer este barco fantástico.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Kon-Tiki"

"Decorreram semanas. Não vimos sinal algum nem de navio nem de qualquer outra coisa que vogasse, para nos mostrar que havia mais gente no Mundo. O oceano inteiro pertencia-nos e, com todas as portas do horizonte abertas, uma paz real e a verdadeira liberdade desceram do firmamento sobre nós. Era como se o gosto fresco de sal que havia no ar e a imensa pureza azul que nos rodeava nos tivesse lavado o corpo e purificado a alma. A nós, sobre aquela jangada, os grandes problemas do homem civilizado afiguravam-se falsos e ilusórios, meros produtos pervertidos do espírito humano. Só os elementos se revestiam de importância. E os elementos pareciam não fazer caso da pequena jangada. Ou talvez a estivessem aceitando como um objecto natural que não quebrava a harmonia do mar, mas que se adaptava à corrente e ao oceano como a ave e o peixe. Em vez de se mostrarem um inimigo temível, investindo comnosco a espumar, os elementos haviam-se tornado num amigo fiel que, com firmeza e segurança nos ajudava a avançar. Enquanto o vento e as ondas empurravam e impeliam, a corrente oceânica permanecia debaixo de nós e puxava-nos sempre para o rumo da nossa meta."

Thor Heyerdahl in A expedição da Kon-Tiki

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"Pátria"

Soube a definição na minha infância,
Mas perdi a memória
Das coisas que só tinham importância
Ditas a palmatória.
Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.
.
Miguel Torga

sábado, 28 de novembro de 2009

"Águas"






Fotografias de F.Monteiro

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"Vougas na Ria"






Ainda algumas imagens do último campeonato, disputado nas águas da Costa Nova.
Entre estas e a do post abaixo distam alguns cinquenta anos.

"Vougas no Tejo"


"Em 1939 foi criada a Secção de Desportos Náuticos da Brigada Naval, que funcionava como uma capitania da Marinha de Recreio, fazendo exames e passando cartas de marinheiro, patrão-de-rio, patrão-de-costa e patrão-de-alto-mar e ainda o registo de embarcações de recreio.
Logo a seguir, fundou-se a Associação Desportiva da Brigada Naval, que funcionava como um clube.
Começam então a proliferar os barcos de vela ligeira.
A secção de Vela do Sport Algés e Dafundo, clube fundado em 1915, organiza a Classe Nacional dos Vougas, barco originário da Costa Nova, Aveiro, que na década de 40 princípios de 50 chega a dispor de setenta unidades."
Gabriel Lobo Fialho in Vela Olímpica Portuguesa - 75 anos
fotografia - Museu de Marinha

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"12mr"

Weatherly - 1962



Gretel - 1967

Intrepid - 1967

Courageous - 1977

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Amadeirado"


"Nos whiskies sempre preferi os novos, frutados, irreverentes e bruscos, ao contrário dos mais velhos, amadeirados e complexos. Já nos vinhos não haverá casamento mais feliz que o da nossa Touriga com uma bela barrica de carvalho, o resultado é quase Portugal em forma líquida. Estão lá as nossas flores e o agreste do granito, o parto difícil da terra.
Tenho um certo fascínio pela madeira e por quem a trabalha, seja o mais tosco dos carpinteiros ou o énologo mais capaz, com dúvidas existenciais sobre as suas báquicas criações.
Uns trabalham de enxó e cumprem a função, outros utilizam a plaina e o raspador, têm orgulho na obra, seja no pormenor do acabamento ou na complexidade aromática, a parte estética amarra-os ao pormenor, ao detalhe, ao que os distingue da maralha. Nas uvas ou nas tábuas.
Carvalho françês ou americano para a sobrequilha, barricas de Nacional pró tinta roriz?
São magos da madeira, que tanto nos fazem o objecto dos nossos sonhos como nos fazem sonhar com ele.


"Vidas do Mar e da Ria"












Fotografias de António Cravo

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Vintage Sailing"

Endeavour


Henry Ford






Enterprise

"S. Martinho"



Em Ovar, na Marina do Carregal no próximo fim-de-semana e com previsões pouco animadoras; vento Sul moderado e chuva no sábado e mais do mesmo no domingo, mas com mais vento. Um Verão de São Martinho precisa-se! Parabéns ao autor do cartaz.
As regatas estão previstas para as 14.00 horas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Boss"






Compromissos publicitários a quanto obrigam!

domingo, 8 de novembro de 2009

"O difícil refúgio"


Este frio, este frio que de repente chegou sem que o suspeitassemos às nossas vidas - outono havias de vir, minha querida Irene, tu que antes de todos o adivinhaste sibilando pelas frinchas dos teus olhos - este frio oceânico que arrepia os gatos e enovela os cães é-me agradável por tudo quanto aporta à minha vida: a cor dos diospiros e das romãs que revejo à noite na lenha que de novo arde, o cheiro das maçãs e do bagaço que espreita a voz dos alambiques proibidos, as derradeiras rosas e os últimos figos, as folhas, a química das folhas, das videiras ou dos plátanos, da trepadeira que forra a parede da velha casa; este frio, este frio que de repente chegou e que se dilui nas chamas que contemplo e me bailam na alma onde o mar está chão, que enquanto caminho me fustiga o rosto, é-me agradável. Estão nus os giestais há muito esquecidos de Maio e enquanto as cadelas buscam aromas de perdizes nos refúgios que o verão lhes deixou, eu caminho serra fora. Sabem dos meus passos os arroios e os montes. Ninguém mais. Mas se o frio que agita os rosmaninhos ou os bugalhos dos carvalhos me recordarem o teu nome então eu o amaldiçoarei pelos rasgões que me faz e desejarei o doce tempo de verão em que jamais fui feliz.
.
Sérgio Paulo Silva in Poemas de Amor e Não

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Deep Blue"






"Those who live by the sea can hardly form a single thought of which the sea would not be part."
Hermann Broch

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Perspectivas"






Fotografias de Guido Trombetta