
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
"Les Nuits"
Jimi Hendrix
Betty Page
Tom Waits.
Brilhante e imaginativa forma de reinventar alguns ícones POP.
Fica o link para os restantes.- http://www.flickr.com/photos/iri5/sets/72157611954107572/
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
"White Sails"
sábado, 17 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
"O Litoral"

" O litoral português devia formar uma província à parte, esguia, fresca e alegre, só de areia e espuma. Eu, pelo menos, assim o vi sempre, comprida e lavada franja de renda da variegada colcha lusitana. Repartido em fatias para satisfazer a gulodice do Minho, da Beira, da Estremadura, do Alentejo e do Algarve, fica quebrada a unidade dum sorriso que desce inteiro de Norte a Sul, sem compartilhar dos humores vários que caracterizam as terras a que, por obrigação oficial, tem de pertencer. Passada a foz do rio Minho, até á embocadura do Guadiana, é sempre Atlântico e praia aberta. Um ou outro calhau que se interpõe, foi colocado de propósito ali para o mar se entreter e fazer som. Sempre Atlântico, praia... e pescadores. Sempre uma onda a desfazer-se na proa dum barco carregado de homens que esperam uma aberta para largar.

E quer seja em Viana, Póvoa, Espinho, Mira, Pedrogão, Nazaré , Peniche, Cascais, Sezimbra, Lagos, Olhão ou Tavira, é sempre a mesma mão que semeia a rede sobre o azul ondulado. É certo que de cada popa se vê um Portugal diferente, verde e gaiteiro em cima, salino e moliceiro no meio, maneirinho e a rilhar alfarroba no fundo. Camponeses de branqueta e soeste a apanhar sargaço na Apúlia, marnotos a arquitectar brancura en Aveiro, saloios a hortelar em Caneças, ganhões de pelico a lavrar em Odemira, árabes a apanhar figos em Loulé.

Metendo barco pela terra dentro, é mesmo possível ir mais longe. Olhar de perto a miséria da Ribeira, no Porto, ver semear as dunas da Gafanha, ter miragens nos campos de Coimbra num dia de cheia, ao lado dos choupos constrangidos de solidão, fotografar as tercenas abandonadas do Lis, sofrer no cenário da Arrábida uma alucinação de cor, ou cansar os olhos na tristeza dos sobreirais do Sado.

Mas são vistas... imagens variegadas dum caleidoscópio que muda no fundo da mesma luneta de observação. A realidade que irmana a grande família ribeirinha não é o fogo preso das festas da Agonia, nem a lealdade do castelo da Feira à primeira voz da Pátria, nem a sedução dos braços líquidos da ria, nem a podridão fecunda das valas do Mondego, nem a música oceânica do pinhal de Leiria, nem a desabrigada tristeza alentejana, nem a brancura das amendoeiras em flor.

É a força da maré que sim ou não deixa encalhar o barco em porto de salvamento. Um porto que é sempre a mesma praia imensa, branca, estéril, onde as mulheres, Cassandras sempre de luto, rezam e profetizam."
Miguel Torga in Portugal
terça-feira, 13 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
"Faina Maior"

"Chuva, muita chuva, o vento vem a seguir rijo, duro, bárometro muito baixo. O mar alaga o navio de proa à popa. O pessoal de quarto em cima já não ousa passar para a proa, segura~se a cabos passados de um a outro bordo. Amarra-se o homem ao leme. Não há refeições, come-se uma latinha de conversa, bebe-se um golinho de aguardente. O navio já não aguenta a "capa". Corre à popa, agora em "árvore seca", e aquela volta de mar arranca, despedaça todos os dóris, rebenta o albói da câmara, leva os faróis da borda, - ai, ai que desgraça, vão nove homens varridos ao mar, salvam-se dois não se sabe como.
Arriba-se aos Açores, reparam-se as avarias, volta-se para os Bancos. Depois da tempestade vem a bonança."
.
Ana Maria Lopes e Francisco Marques in Faina Maior
sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
"le Bateau Ivre"

(...)
O vento abençoou minhas manhãs marítimas.
Mais leve que uma rolha eu dancei nos lençóis
Das ondas a rolar atrás de suas vítimas,
Dez noites, sem pensar nos olhos dos faróis!
Mais doce que as maçãs parecem aos pequenos,
A água verde infiltrou-se no meu casco ao léu
E das manchas azulejantes dos venenos
E das manchas azulejantes dos venenos
E vinhos me lavou, livre de leme e arpéu.
Então eu mergulhei nas águas do poema
Do Mar, sarcófago de estrelas, latescente,
Devorando os azuis, onde às vezes - dilema
Lívido - um afogado afunda lentamente;
Onde, tingindo azulidades com quebrantos
E ritmos lentos sob o rutilante albor,
Mais fortes que o álcool, mas vastas que os nossos prantos,
Fermentam de amargura as rubéolas do amor!
Conheço os céus crivados de clarões, as trombas,
Ressacas e marés: conheço o entardecer,
A aurora em explosão como um bando de pombas,
E algumas vezes vi o que o homem quis ver! (...)
Arthur Rimbaud
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
"Vouga no Tejo"
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
"Cal. 12"

Ainda está escostada num canto qualquer da casa uma velha secretária que foi durante anos laboratório do meu pai, caçador convicto que, antes das facilidades posteriores, aí se sentava a carregar os tiros em vésperas de uma qualquer incursão, fosse pelas serranias do interior com o passo largo a perseguir as perdizes, pelas nossas milhãs atrás das codornas ou das levianas narcejas acocoradas nas terras frescas da Beira-Ria. Isto vem a propósito de um amigo me ter falado hoje da " Abertura Solene" do próximo domingo, a data por que todos os caçadores esperam. Esperam mais caça, por muito pouca que ela seja, e, a maior parte deles, os que podem dizer-se caçadores, saborear a perseguição, admirar o trabalho do cão e o culminar do acto final.
Porque eles me entravam pela porta, privei com alguns dos bons, com uma paixão e um respeito pelos bichos que abatiam e recordavam com um brilho juvenil nos relatos cuidados, plenos de pormenor, quase fazendo-nos cheirar a urze, a giesta e o agreste do penedo.
Fui um cão de caça de aptidões medianas, palmilhei uns quantos socalcos à procura das aves que, ou mortas ou agonizantes, esperavam o fim.
Qual Alma Grande do Torga, abreviava-lhes o sofrimento duma chumbada menos certeira, prendia-as na trela furando-lhes o bico, limpava as mãos do sangue quente e via a passarada apagar-se.
Por muito que goste de uma perdiz à moda do Convento de Alcântara, de uma Galinhola assada envolta da sua tripa ou de outros opíparos repastos, trocava o sabor de tais manjares pelo sabor de as vêr por aí.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
"Tempus Fugit"

Ainda ontem eu me lamentava que o Verão dos dias longos, ensolarados e passados ao redor do barco nunca mais chegava e ele num piscar de olhos foi-se. O calor continua convidativo a umas velejadas óptimas pela Ria, que nesta época nos presenteia com dias habitualmente mais calmos que os meses anteriores. As nortadas de Agosto dão lugar a ventos mais mareiros e dóceis, e a Ria fica com uma atmosfera quase surreal. Há no ar, em certos dias, uma poalha dourada que encanta quem nos visita e quem a conhece melhor. Sabe-me bem sentar no fundo do barco e deixar-me levar ao sabor da fantasia, embalado pelo chapinhar do casco.
É tempo também de tratar do barco, pintar e envernizar as esmocadelas de dias mais atribulados e fazer um ou outro melhoramento.
Os Vouguistas, quase sem excepção, têem um orgulho enorme nos seus barcos e ainda bem que assim é, gostam de se apresentar com eles impecáveis e tratam-nos como se fossem da família. A maior parte deles ostentam nomes de familiares, não será por acaso.
Alguns passam de geração em geração e com eles a paixão de navegar num barco fantástico.
No próximo fim-de-semana, nas águas da Costa Nova poderemos vê-los a competir no Campeonato Nacional da classe. Fica o convite aos amantes e aos curiosos destas coisas.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
"Requiescat in Pace"

Não sei se terá sido sol a mais na moleirinha ou alguma retrancada mais violenta com efeitos secundários, mas um dos proas da embarcação vai mesmo embarcar na vida de casado. Tentei tudo mas falhei, o rapaz não me deu ouvidos e preferiu o canto da sereia. Um bocadinho mais a sério, desejo-lhe publicamente as maiores felicidades. Ao amigalhaço do peito e proa de primeira água, um grande abraço.
Estão abertas as inscrições para uma vaga na tripulação do Almagrande...
Espero que não.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
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