
domingo, 19 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
"The Sound of Silence"
Não serão mil as águas que caem, mas vão caindo certinhas fazendo cumprir o dizer popular. O barco, enfiado na garagem aguarda melhores dias, daqueles que parecem que não acabam e nos fazem esquecer que há inverno, e chuva e frio e dias curtos. Demasiado curtos.
Que venham os dias que nos devolvam os prazeres da vela, de estar na água, de afinar o barco, daquela bolina com melhor ângulo que a anterior, da adrenalina do plananço que se retém na memória ou do silêncio das tardes bonançosas. O silêncio único que se tem quando, barco e tripulação são um e as conversas subitamente param, ficando cada um entregue aos seus botões. Quem faz vela sabe do que falo, os outros que tenham o prazer de descobrir.
terça-feira, 14 de abril de 2009
"The Sea"
domingo, 12 de abril de 2009
"Les Nuits"
" De tal modo estava o dia, convidativo.... para a vela, aquele vento certinho, a maré plena, que, acabando as tarefas no CENARIO, ficámos a observar a luz de fim de tarde. E veio a conversa, "agora é que era... sair daqui com este vento, esta maré, esta luz...", e nós a olhar a lancha do meu irmão, ali em frente. "Bem, não fazemos vela, mas podemos andar de barco". Eram 7da tarde. A lancha "Ventura" foi á água. Fixámos o motor, abastecemos e zás! a caminho do Carregal.Foi uma hora a deslizar sobre a água, nem uma palavra, eu e o António A. Passámos na foz do Cáster, Tijosa, Marinha, Torrão do Lameiro, Areínho.O dia estava de facto bom para velejar, concordo."Helder Ventura
sábado, 11 de abril de 2009
"Serenidade"

Nos murmúrios do crepúsculo
ecoam aplausos de remos
rasgando a corrente.
Recorta-se a ria, em ilhas
debruadas de algas.
Não há eco para as frases curtas
que o vento leva longe.
Sorvo o azul num gole
breve de espuma.
Com estrelas
acendo a noite.
Teço auroras
na manhã de chuva suave,
em serenata.
Maria Ascenção Rodrigues
sexta-feira, 10 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
"Tigris"

"Jamais em mar algum, víramos tantos navios iluminados brilhantemente em movimento ao mesmo tempo como aconteceu à nossa volta no momento em que Detlef ordenou um desvio abrupto de 90 graus para estibordo e os timoneiros nos lançaram na faixa principal de tráfego do estreito de Ormuz. Recebemos imediatamente uma violenta corrente de ar pela retaguarda e fomos impelidos para um funil de vento entre dois cabos opostos do mesmo continente, uma espécie de estreito de Gibraltar asático. A corrente também se devia deslocar nessa altura como um rio que desembocasse no golfo. A nossa velocidade quando ultrapassámos a ponta da adaga árabe era a mais elevada que tínhamos experimentado até então a bordo de um barco de juncos, e as silhuetas negras das montanhas ao nosso lado alteravam-se de um momento para o outro.
Àquela marcha, o Tigris reagia à mínima pressão nas canas dos remos e deslizávamos velozmente entre os supernavios que se deslocavam em torno de nós, como se fôssemos todos da mesma espécie.
As coisas desenrolavam-se quase ridiculamente bem, e com os dois timoneiros e os dois navegadores de olhos bem abertos na ponte de comando, eu e o Carlo pudemos tirar uns minutos de folga antes de entrarmos de serviço. Costumava ser suficiente transpor a pequena porta da cabina, para nos imaginarmos numa cabana de selva longe do mar.
A atmosfera de canas e bambus era pouco marítima, mas muito repousante. Os ventos e as vagas foram deixados imediatamente ao cuidado dos que permaneciam na coberta. Ali dentro, existia uma zona neutra de paz e silêncio, ainda que as cristas das ondas espreitassem por entre a abertura de entrada quase ao alcance da mão. Quando me estendi na enxerga junto da porta, senti-me tão contente como um garoto que experimentava pela primeira vez o beliche perto da janela de um comboio nocturno, e coloquei-me de lado para ver os navios iluminados e montanhas obscuras desfilar como estações de caminhos-de-ferro nos Alpes.
Afastara-se a ameaça de naufrágio ou colisão e sigrávamos como numa via-férrea moderna."
Thor Heyerdhal in A Expedição do Tigris
segunda-feira, 6 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
"Fim-de-Semana"

"Ele olhou para ela e arqueou as sobrancelhas num gesto que dantes a enternecia e agora apenas servia para a irritar. Depois de extensa recta, atravessavam a Ponte da Varela. Iam passar para a outra margem da Ria de Aveiro, para essa fita de terra cuja estrada o carro parecia conhecer desde sempre. Primeiro chegariam à Torreira e depois aos pinhais do Muranzel. A Pousada ficava do lado esquerdo, mesmo sobre a ria, e eles olharam-na sem novidade nem hesitação. Percebia-se que era um lugar onde tinham estado de outras vezes, o que lhes causou um efeito instantâneo de apaziguamento naquele fim de tarde ainda quente de Setembro."
Fernando Pinto do Amaral in Área de Serviço e outras histórias de amor
sábado, 4 de abril de 2009
sexta-feira, 3 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
"Torreira"

"A Torreira, as "Areias", para os amantes da natureza sabia a paraíso. No deserto de dunas entre duas águas se implantou, na restringa que o vento semeara, transformando a grande baía onde desaguava o Vouga no delta que se diz ria, mas é rio, o "nosso rio". Bom sítio para as xávegas da sardinha. Assim nasceu e medrou a povoação que aí está. Sem frigoríficos nem camionetas, o peixinho (ah, a sardinha do nosso mar quase despida de escamas!) tinha de ser rapidamente vendido nas terras marinhoas por dez réis de mel coado; uma fartura em comparação com o aperto da gente mais para as serras para quem o peixe um luxo, de regra uma sardinha para três, e viva o velho. Com ele na canastra nos batiam à porta as peixeiras, tão bem lembradas na estátua erguida no antigo fato da Carneira, agora Largo da Varina, tão sugestiva que parece correr pelo areal ( a vila da Murtosa nunca teve nenhuma; a que assim se dizia estátua não passava de um alto-relevo talhado no monumento à independência municipal e que, não resistindo ao olhar de revés de quem nela rejeitava a representação, a mulher da Murtosa, teve o destino da cacaria para dar lugar ao que aí está). O peixinho da teca, quando o mar não se fazia ruim, valia de tranca da barriga à gente condenada a arrastar-se por ali menos livre que as lagartixas na areia. Leia-se o romance "Servidão" de Assis Esperança. Nesses tempos ominosos, não havia praia mais chique da Figueira à Granja. Espinho não passava então de uns palheiros de pescadores. Pois Espinho desbancaria a Torreira por obra da via-férrea, primeiro a do Norte, depois a do Vale-do-Vouga. Mas tornou-se mais nossa a praia, dos fiéis das terras marinhoas e vizinhas. De uma banda a ria, da outra o mar, ligava-os uma única estrada por onde o "progresso" lhe haveria de oferecer um "americano" à vela, quando não a burro, a vapor, e até eléctrico; para o norte, a capela do S.Paio com o seu ermitão no quase deserto, que só povoado pelas festas.
Nem telefone, nem farmácia, nem pensões, nen electricidade, e o silêncio que o ronrom do mar sublinhava, quebrava-o a corneta do homem da rampa, de aviso à partida do mercantel da travessia, e ainda o guisalhar dos bois pelos "fatos" à ida e à vinda da faina."
Joaquim Lagoeiro
quarta-feira, 1 de abril de 2009
"Pesca do Cerco no Tejo"
Aos ratoneiros do costume aquele abraço. Piratas..
Etiquetas:
Moving Pictures
Subscrever:
Mensagens (Atom)

































