sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Les Nuits"



"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida."
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 8 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

"Titanic"










Fotografias do tristemente célebre Titanic, irmão gémeo do Olympic, que aparece em algumas delas mas em estado mais avançado de construção. Nestes estaleiros trabalhavam à data 15.000 pessoas, estimando-se em 3.000 as que trabalharam no Titanic durante 25 meses.
Contribuição de Sérgio Paulo Silva.

"Tigris"


"Jamais em mar algum, víramos tantos navios iluminados brilhantemente em movimento ao mesmo tempo como aconteceu à nossa volta no momento em que Detlef ordenou um desvio abrupto de 90 graus para estibordo e os timoneiros nos lançaram na faixa principal de tráfego do estreito de Ormuz. Recebemos imediatamente uma violenta corrente de ar pela retaguarda e fomos impelidos para um funil de vento entre dois cabos opostos do mesmo continente, uma espécie de estreito de Gibraltar asático. A corrente também se devia deslocar nessa altura como um rio que desembocasse no golfo. A nossa velocidade quando ultrapassámos a ponta da adaga árabe era a mais elevada que tínhamos experimentado até então a bordo de um barco de juncos, e as silhuetas negras das montanhas ao nosso lado alteravam-se de um momento para o outro.
Àquela marcha, o Tigris reagia à mínima pressão nas canas dos remos e deslizávamos velozmente entre os supernavios que se deslocavam em torno de nós, como se fôssemos todos da mesma espécie.
As coisas desenrolavam-se quase ridiculamente bem, e com os dois timoneiros e os dois navegadores de olhos bem abertos na ponte de comando, eu e o Carlo pudemos tirar uns minutos de folga antes de entrarmos de serviço. Costumava ser suficiente transpor a pequena porta da cabina, para nos imaginarmos numa cabana de selva longe do mar.
A atmosfera de canas e bambus era pouco marítima, mas muito repousante. Os ventos e as vagas foram deixados imediatamente ao cuidado dos que permaneciam na coberta. Ali dentro, existia uma zona neutra de paz e silêncio, ainda que as cristas das ondas espreitassem por entre a abertura de entrada quase ao alcance da mão. Quando me estendi na enxerga junto da porta, senti-me tão contente como um garoto que experimentava pela primeira vez o beliche perto da janela de um comboio nocturno, e coloquei-me de lado para ver os navios iluminados e montanhas obscuras desfilar como estações de caminhos-de-ferro nos Alpes.
Afastara-se a ameaça de naufrágio ou colisão e sigrávamos como numa via-férrea moderna."
Thor Heyerdhal in A Expedição do Tigris

segunda-feira, 6 de abril de 2009

domingo, 5 de abril de 2009

"Fim-de-Semana"


"Ele olhou para ela e arqueou as sobrancelhas num gesto que dantes a enternecia e agora apenas servia para a irritar. Depois de extensa recta, atravessavam a Ponte da Varela. Iam passar para a outra margem da Ria de Aveiro, para essa fita de terra cuja estrada o carro parecia conhecer desde sempre. Primeiro chegariam à Torreira e depois aos pinhais do Muranzel. A Pousada ficava do lado esquerdo, mesmo sobre a ria, e eles olharam-na sem novidade nem hesitação. Percebia-se que era um lugar onde tinham estado de outras vezes, o que lhes causou um efeito instantâneo de apaziguamento naquele fim de tarde ainda quente de Setembro."
Fernando Pinto do Amaral in Área de Serviço e outras histórias de amor

sábado, 4 de abril de 2009

"Genesis"










Fotografias de Sebastião Salgado

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"Torreira"


"A Torreira, as "Areias", para os amantes da natureza sabia a paraíso. No deserto de dunas entre duas águas se implantou, na restringa que o vento semeara, transformando a grande baía onde desaguava o Vouga no delta que se diz ria, mas é rio, o "nosso rio". Bom sítio para as xávegas da sardinha. Assim nasceu e medrou a povoação que aí está. Sem frigoríficos nem camionetas, o peixinho (ah, a sardinha do nosso mar quase despida de escamas!) tinha de ser rapidamente vendido nas terras marinhoas por dez réis de mel coado; uma fartura em comparação com o aperto da gente mais para as serras para quem o peixe um luxo, de regra uma sardinha para três, e viva o velho. Com ele na canastra nos batiam à porta as peixeiras, tão bem lembradas na estátua erguida no antigo fato da Carneira, agora Largo da Varina, tão sugestiva que parece correr pelo areal ( a vila da Murtosa nunca teve nenhuma; a que assim se dizia estátua não passava de um alto-relevo talhado no monumento à independência municipal e que, não resistindo ao olhar de revés de quem nela rejeitava a representação, a mulher da Murtosa, teve o destino da cacaria para dar lugar ao que aí está). O peixinho da teca, quando o mar não se fazia ruim, valia de tranca da barriga à gente condenada a arrastar-se por ali menos livre que as lagartixas na areia. Leia-se o romance "Servidão" de Assis Esperança. Nesses tempos ominosos, não havia praia mais chique da Figueira à Granja. Espinho não passava então de uns palheiros de pescadores. Pois Espinho desbancaria a Torreira por obra da via-férrea, primeiro a do Norte, depois a do Vale-do-Vouga. Mas tornou-se mais nossa a praia, dos fiéis das terras marinhoas e vizinhas. De uma banda a ria, da outra o mar, ligava-os uma única estrada por onde o "progresso" lhe haveria de oferecer um "americano" à vela, quando não a burro, a vapor, e até eléctrico; para o norte, a capela do S.Paio com o seu ermitão no quase deserto, que só povoado pelas festas.
Nem telefone, nem farmácia, nem pensões, nen electricidade, e o silêncio que o ronrom do mar sublinhava, quebrava-o a corneta do homem da rampa, de aviso à partida do mercantel da travessia, e ainda o guisalhar dos bois pelos "fatos" à ida e à vinda da faina."
Joaquim Lagoeiro

quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Pesca do Cerco no Tejo"

Aos ratoneiros do costume aquele abraço. Piratas..

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Livros"


“Posfácio à Segunda Edição
A nova edição de um livro significa que esse livro não morreu. (...) Um livro que se reedita é um livro que se esgotou. Portanto: Quem o esgotou? Quem o leu? E porquê? (...) Dúvidas graves de quem não desejaria que o seu romance fosse apenas ópio, claro está. (...) Alguém que, muitas vezes, põe este problema: valerá a pena escrever romances? E estoutro: valerá a pena lê-los? Sim; porque leio eu um romance? Admitamos que há numerosas razões e que uma delas pode ser esta: passar o tempo. (...) Independentemente de me ajudar a passar o tempo, a leitura dum romance multiplica em várias direcções a minha pobre vida quotidiana, permitindo-me sonhar. Mas não só: para além desse alargamento de actividade que me lança num palco imaginário, a leitura satisfaz o meu amor desinteressado pelas histórias. Porque gosto de ouvir histórias, mas nem sempre os amigos as têm “verdadeiras” para contar. E nem sempre eu estou com os amigos. Essas histórias – ouvidas ou lidas, real ou fingidamente verdadeiras – ajudam-me a sair de mim próprio e a descobrir o mundo. (...)
”in 2ª edição de A Cidade das Flores, de Augusto Abelaira. 1961
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Contribuição de Maffie. O meu agradecimento.

domingo, 29 de março de 2009

"A nossa casa"


"Anoitecia. O sol sumira-se no horizonte por detrás de uma nuvem escura, franjada, que a lua debruava de oiro. Mais longe, a norte e a sul, o debrum passava a ser esbranquiçado brilhante, com intervalos luzentes nos mais elevados cumes. Pelo céu, aqui e além, viam-se farrapos de nuvens pelos quais se espalhavam as cores do espectro que o sol, na agonia lhes dispensava, como último adeus do dia a desaparecer na fuga para o outro hemisfério. O amarelo e o laranja predominavam nas ilhas flutuantes das nuvens mais próximas e o verde e o roxo coloriam as mais distantes para as bandas do nascente. E, pouco a pouco, as sombras iam caindo e o silêncio foi-se apossando da tripulação barulhenta do barco.
Já a caminho da ribeira da aldeia, nasceu a lua. No canal, as rugas de água multiplicavam as luzes reflectidas, em rosário de contas luminosas, ao lado da embarcação.
A lua ascendia em quarto crescente avantajado; em torno abronzeava-se a atmosfera e havia uma ligeira viração de suave melancolia a cobrir-nos a todos, na contemplação daquele quadro que pedia a paleta de Corot.
Tudo recolhia. Os barcos da faina do dia, os trabalhadores das mondas dos milheirais e da abertura e limpeza das rigueiras dos juncais vizinhos. Chilreavam vagamente as aves mais retardatárias que se acoitavam nos campos marginais. As codornizes por lá se conservavam. A fortaleza das chuvas ainda não as fizera descer aos campos em busca da milhã. Mas essas aves de há muito dormiam sono alvoroçado, com receio dos caçadores.
Todos - e até a nossa caravana - se sentiam fatigados a caminho dos lares, naquele lusco-fusco crepuscular em que a natureza se torna mais modesta, na quietação das coisas."
Egas Moniz in A Nossa Casa

sábado, 28 de março de 2009

"Control"


Na minha terra , há uns quantos anos atrás, quem ía buscar os filmes era o Ernesto. Descia a Avenida em pose racing, na sua bicla , em vôo rasante, até se imobilizar no largo da Estação. Eu via-o passar, com a pala do boné ligeiramente atravessada, em grande aceleração, ao que se seguia uma paragem estratégica na tasca que ainda lá mora. No sentido inverso, Ernesto empurrando a bicla, em esforço homérico avenida acima. De tal forma eram conhecidos os seus esforços a transportar as fitas enlatadas, colina acina, ao lado da ginga, em penitência redentora, que era comum ouvir-se;"o filme é pesado?", e alguém respondia, "Tens que perguntar ao Ernesto...". Isto a propósito de um dos melhores que vi nos dois últimos anos.

quinta-feira, 26 de março de 2009

"Rednecks"


Encontrei esta fotografia na Biblioteca do Congresso norte americano, gostei dela mas gostei particularmente da legenda que a acompanha. "Spain. Lisbon waterfront & Plaza of Commerce. Sem comentários...

quarta-feira, 25 de março de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

"Opium"


There's no opium so sweet as the unguarded sunny sleep
on the deck of a boat when it's after lunch in summer
and you don't know when you're going to arrive nor
what port you will land at, when you've forgotten
east and west and your name and address...
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John Dos Passos

segunda-feira, 23 de março de 2009

"Turistas"






Este sábado a maré estava já bastante baixa a meio da tarde, pelos vistos hora de lanche para esta rapaziada. Não deviam contar que por lá estivesse alguém, depois da surpresa inicial e de alguma desorganização lá foram mariscar pra outro lado qualquer.
fotos- Miguel Tavares

domingo, 22 de março de 2009

"E porque hoje é sábado.."










Depois de uma semana de trabalho, e algumas canseiras, depois de andar com o barco às costas, montar, pôr na água, aparelhar, é o gozo total. Todo o resto desaparece, para todos, seja para o leme, pró proa ou pra qualquer passageiro acidental. Hoje foi curta a velejadela, a água não dava pra muito mais. Um ventinho mareiro agradável, boa companhia e um sol a ajudar.
fotos- M.Tavares/Róz

sábado, 21 de março de 2009

"Cântico Negro"

A assinalar a data, em boa hora lembrada pelo Comandante João Veiga, José Régio declamado por um dos que melhor soube tratar a nossa língua, João Villaret. Para os que não vão por ali.

"Vintage Sailing"









sexta-feira, 20 de março de 2009

"A Wind"


A wet sheet and a flowing sea,
A wind that follows fast
And fills the white and rustling sail
And bends the the gallant mast.
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Allan Cunningham

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Knife in the water"

Gosto de alguns filmes que o Polanski fez, mas os seus primeiros, à excepção de "Repulsa", desconheço-os por completo. Por este tenho uma certa curiosidade, quanto mais não seja porque o barquinho, apesar da sua estética algo duvidosa, anda bastante bem. Se bem me lembro, o enredo já foi reutilizado num filme qualquer de Hollywood com a Nicole Kidman.