segunda-feira, 23 de março de 2009

"Turistas"






Este sábado a maré estava já bastante baixa a meio da tarde, pelos vistos hora de lanche para esta rapaziada. Não deviam contar que por lá estivesse alguém, depois da surpresa inicial e de alguma desorganização lá foram mariscar pra outro lado qualquer.
fotos- Miguel Tavares

domingo, 22 de março de 2009

"E porque hoje é sábado.."










Depois de uma semana de trabalho, e algumas canseiras, depois de andar com o barco às costas, montar, pôr na água, aparelhar, é o gozo total. Todo o resto desaparece, para todos, seja para o leme, pró proa ou pra qualquer passageiro acidental. Hoje foi curta a velejadela, a água não dava pra muito mais. Um ventinho mareiro agradável, boa companhia e um sol a ajudar.
fotos- M.Tavares/Róz

sábado, 21 de março de 2009

"Cântico Negro"

A assinalar a data, em boa hora lembrada pelo Comandante João Veiga, José Régio declamado por um dos que melhor soube tratar a nossa língua, João Villaret. Para os que não vão por ali.

"Vintage Sailing"









sexta-feira, 20 de março de 2009

"A Wind"


A wet sheet and a flowing sea,
A wind that follows fast
And fills the white and rustling sail
And bends the the gallant mast.
.
Allan Cunningham

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Knife in the water"

Gosto de alguns filmes que o Polanski fez, mas os seus primeiros, à excepção de "Repulsa", desconheço-os por completo. Por este tenho uma certa curiosidade, quanto mais não seja porque o barquinho, apesar da sua estética algo duvidosa, anda bastante bem. Se bem me lembro, o enredo já foi reutilizado num filme qualquer de Hollywood com a Nicole Kidman.

quarta-feira, 18 de março de 2009

"Thomas Hoyne"












Thomas Hoyne . 1924-1983

"Argus"


"O vento frio do norte aumentava constantemente de intensidade e os flocos de neve dançavam em rodopios diante da luz forte das lâmpadas do convés. O vento começou a assobiar nas enxárcias de aço e as ondas do mar, quebrando-se ao atingir o costado, varriam o convés, misturando-se com o sangue e as entranhas do peixe. Amontoados nos enormes quetes, os bacalhaus rebolavam e deslizavam para um lado para o outro quase como se estivessem vivos. Por todos os cantos do convés, a neve e a água brilhavam sobre as badanas e sobre os rostos dos homens fortes e barbudos que tinham começado o trabalho às quatro da madrugada. Ágil e determinado, o primeira linha parou por um momento de escalar peixe e de arrancar espinhas para levar uma mão suja ao sueste e tirar de lá um cigarro. Cada homem concentrava-se no seu trabalho individual, em silêncio, enérgica e eficientemente, fazendo valer cada golpe de faca e movendo-se por entre amontoados de bacalhau, de cabeças de bacalhau e de entranhas que lhes chegavam até aos tornozelos, por vezes até aos joelhos - e labutavam sem parar, hora após hora. Nove da noite, dez da noite, onze da noite...Ninguém tocava o sino a marcar as horas e todos ignoravam o altifalante. Pouco passava das onze quando o trabalho finalmente acabou, à excepção das espinhas, tarefa que poderia ser terminada no dia seguinte pelos moços. Os pescadores podiam finalmente descer. Foi servida então uma ceia generosa, de sopa de peixe. A «chora», como lhe chamavam.
- Não a comas - avisou o César. - Porque quem a comer há-de regressar aos bancos.
Aceitei o conselho e não a comi, porque era feita de cabeças de bacalhau e de caras de linguado gigante. E porque não tinha vontade de regressar aos bancos. Esta rotina prolongar-se-ia ainda por seis semanas, e depois disso iríamos rumar à Gronelândia, onde as condições eram bastante piores. Achei que uma viagem para mim bastava."
Allan Villiers in A campanha do Argus

segunda-feira, 16 de março de 2009

"Ria de Aveiro"






Um copo de três para quem gosta desta Ria, sendo a primeira dedicada aos blogues "Imagens com Água" e "Milhas Náuticas"! Um abraço aos blogueiros citados.

"Vouguinha"



A construção do "Vouguinha" de A. Carvalho vai avançando. Por este andar devemos ter Bota-Abaixo lá pró Verão.

domingo, 15 de março de 2009

"Les Nuits"


" There is a poetry of sailing as old as the world" - A. de Saint - Exupéry

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Jeff Weaver"










Mais cinco de Jeff Weaver

"Shamrock V"

Tenho um gosto especial por estes colossos, devem ter proporcionado momentos absolutamente ímpares a quem os viveu. Um homem como Sir Charles Lipton, que durante trinta anos correu atás de um sonho que nunca alcançou, gastando milhões e sempre com um fair-play fora do vulgar é um exemplo. Se pensarmos que, entre 1899 e 1930 mandou construir cinco barcos extraordinários, do mais moderno que havia no Velho Mundo para atravessar o Atlântico e ir desafiar os americanos, faz dele um homem especial.

Shamrock V - comp.-36,58m / larg. -5,85 / cal. -4,81m / ano de construção - 1930

quinta-feira, 12 de março de 2009

"Será?"



Será que é este fim de semana que vai terminar a hibernação? Deve ser. Consultei os oráculos, os feiticeiros da meteorologia nacional e até o guru do vento. Ameacei o proa com um Colt 44, arranjei maneira de antecipar um bocadito o descanço semanal e até acendi uma velinha ao S.Pedro. Toca a tirar o barquinho do cabanal, dar-lhe aquela banhoca a tirar uns quantos meses de pó, juntar escotas, velas e restante palamenta há meses espalhada pela casa e descobrir onde param os calçonecos de banho. Será? Deve ser.

terça-feira, 10 de março de 2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Swans"

"Constitution"


"Reliance"


"Reliance"


"Defender"


"Shamrock"


Todos eles tiveram uma vida curta, alguns apenas duraram uma época. Depois de fazerem o que se esperava deles, eram desmantelados sem apêlo nem agravo. Outros houve que nem a "passerelle" maior da vela tiveram direito a calcar. Grandiosos na água, catedrais erguidas por homens empreendedores, implacáveis nos negócios e para quem uma vitória na "Taça" representava o máximo reconhecimento da pujança económica e técnica do seu país.
Fora de água revelavam linhas de uma elegância invulgar que ainda hoje surpreendem pela sua beleza e fluidez.

domingo, 8 de março de 2009

"Mulher"




Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco... ?

E o ventre, inconsistente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!


Presídio - David Mourão Ferreira

sábado, 7 de março de 2009

"Alan Villiers"









Fotografias de Alan Villiers

quinta-feira, 5 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

"Asa Negra"








Parando e, tentando perceber de onde vem o meu gosto pela Ria, pelos grandes espaços, pelos barcos à vela, por momentos únicos que só se vivem lá, no meio dela, a este barco o devo.
Construído a partir de uns planos alemães de um Jollenkreuzer, importados por Francisco Ramada e também proprietário de um exemplar, "Vareiro" de seu nome, mais conhecido pelo "Alemão".
Era pau pra toda a colher, tanto servia para ir ao Cruzeiro fazer boa figura como a fazia também a passear a famelga ao fim de semana. Foi construído no estaleiro de Mestre José da Silva, de Pardilhó, nos anos finais da década de sessenta. A ele lhe devo a descoberta do prazer de fazer vela, do prazer libertador de estar na Ria, de dia ou de noite.
A ele lhe devo ter-me mostrado outra perspectiva, a outra face da moeda. "Vivre pour vivre".
Mas também lhe devo ter-me proporcionado outros momentos inesquecíveis, bons e maus. O balanço é claramente positivo.