quarta-feira, 24 de junho de 2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Alma Lavada"


Sábado, ao raiar do meio-dia, lá fui até à Torreira com a esperança de ter um fim-de semana decente de vela. Na sexta tratei de arranjar tripulação, o que nem sempre é fácil, mas lá se conseguiu arranjar maneira de ter "Quorum" a bordo. No sábado, hora e meia depois do esperado e depois de uns quantos telefonemas e impropérios, lá apareceu um dos proas da embarcação. Mas vá lá, apareceu..
Depois das canseiras habituais, levanta mastro, afina aqui, aperta acolá, lá se pôs o barco na água. A seguir foram dois dias perfeitos de vela, daqueles que raramente acontecem na Ria. Calor, vento certinho e sem rajadas, na conta pra umas voltas descontraidas. Para compor o ramalhete, água com fartura, às horas certas. No domingo soprou um bocadinho mais forte e a Ria arrebitou qualquer coisa, mas com o calor que estava, as chuveiradas até souberam bem. No final ainda houve quem mandasse uns mergulhos, que a água convidava.
Costuma-se dizer que o óptimo é inimigo do bom, não foi o caso.

domingo, 21 de junho de 2009

"Havia sempre um cão que ia a bordo"

Falava sózinho o marinheiro sentado a uma mesa. Podia ter-se sentado numa outra mesa qualquer onde havia outras pessoas ou ao balcão do bar onde outros falavam também e onde um empregado talvez não os ouvisse. Sentado diante dum copo que fazia oscilar entre os dedos, falava sózinho o envelhecido marinheiro e dizia insistentemente que havia sempre um cão que ia a bordo. O resto do seu solilóquio perdia-se nas ventanias que fustigavam a sua embarcação desamparada onde ia um cão.
Quem nunca teve um cão não sabe o que é ser amado. Não sei se foi Kant que o disse ou qualquer outro filósofo que tenha escrito sobre o sentimento da angústia. Poderia ter sido o marinheiro. Ou outro qualquer navegante porque a vida tem muitos outros mares e muitas outras marés para as pessoas navegarem.
O cão… Desde tempos imemoriais, dos segredos das areias do velho Egipto dos faraós, que o cão viaja ao lado do homem. Ou por dentro do homem. De ser tão antiga a história confundiu – os, entrelaçou raízes, misturou as vidas. Vida de cão. Sobretudo as vidas que viajam. Já sabeis: para quem viaja sem rumo, sem destino certo, nenhum vento é favorável. E os vadios, os abandonados não têm rumo nem destino certo. Podem apenas esperar uma monção favorável que quase nunca sopra. Para sustento lhes basta um afago, a ternura duma mão, um olhar, mesmo que volátil, e viajarão sempre carregando a suas fomes milenares e as cicatrizes do abandono. Brel, muito antes de navegar, já trazia por dentro um desses cães:

Laisse moi devenir l’ombre de ton ombre
L’ombre de ta main
L’ombre de ton chien

Sentir sobre a sombra o afago da mão querida, eis quanto bastava para diluir a corrosão. Por certo o sabia o marinheiro sentado a uma isolada mesa do bar: havia sempre um cão que ia a bordo. E o barco, todos os barcos viajam sempre até encalharem ou naufragarem, que também são destinos de cão. Sei dum barco que naufragou um dia nas planícies de Soria:

Oye otra vez, Dios mio, mi corazón clamar
Señor, ya estamos solos mi corazón y la mar

Sim, eu sei porque Machado disse isto. E soube-o melhor quando o rumo do meu barco se tornou incerto fazendo ganir o cão que ia a bordo.
Texto de Sérgio Paulo Silva.

sábado, 20 de junho de 2009

"Les Nuits"


Fazer vela, coisa que raramente faço, é indescritívelmente belo. Não se sabe muito bem porque os barcos fascinam os homens mas ninguém é imune à beleza dum barco à vela. Sejam "Optimists" no seu bambolear característico, com miúdos que não lembrava ao diabo de tão novos que são, o poder fantástico dum moliceiro à bolina com vento forte ou à grandiosidade dum "Creoula" ou duma "Sagres". Das coisas mais bonitas que já vi em termos de vela, foi-me possibilitada por uns dos mais capazes lemes da Murtosa, não aos comandos de um moliceiro em que é "Ás", mas antes aos de uma bateira, em treinos para a regata de S.Paio. Penso que se chama Reinaldo, sem certeza, e deliciou-me com uma récita de bem manejar um barco.
E se ninguém é imune à beleza, ao sonho, quem lá vai dentro sê-lo-á ainda menos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

"A Desperate Battle"

Há uns tempos atrás descobri Russ Kramer e fiquei admirador das suas pinturas, este é o seu último trabalho a que junto a sua descrição.

"The America’s Cup trials of 1934 were closer than any before or since. YANKEE, the Boston syndicate boat, under owner Chandler Hovey and helmed by Charles Frances Adams, had the upper hand throughout the Summer. But, after Mike Vanderbilt ordered RAINBOW to be re-ballasted, she soon drew even in matches. All tied up going into the final race, RAINBOW would win it by a single second, and when chosen over YANKEE to defend, it was a crushing blow to the team from Marblehead."

"Vintage Sailing"

Shamrock IV


Bluenose

Britannia


Water Witch

sábado, 13 de junho de 2009

" Les Nuits "


" Uma vez que ignoras o que te reserva o dia de amanhã,
procura ser feliz, hoje.
Toma uma ânfora de vinho, senta-te ao luar e bebe,
lembrando-te que, talvez amanhã, a lua te procurará em vão. "
Omar Khayyam, poeta persa.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Lusitânia"


Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.

Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Onde os bois lavram o Mar"

Tinhamos preparado, aqui o escriba e os escravos de serviço ao blogue, dois apontamentos sobre a Arte Xávega, o anterior e um que também se publicou no Youtube, filmado na Praia de Mira nos anos Oitenta. Apareceu entretanto um outro, filmado na mesma praia uns quantos anos antes, que só peca por estar incompleto. Junto-lhe algumas palavras de Egas Moniz, retiradas do seu livro "A Nossa Casa", algumas recordações da sua primeira passagem pela Praia da Torreira.

"Depois, no regresso, o costumado banho. O mar continuava ruim, mas ia decrescendo o desmando das ondas alterosas, prometendo próximos dias de pesca. Diziam os entendidos que havia sinal de sardinha. Uma companha, suponho que a do arrais Sebolão, arrostou o mar, ainda agitado, no lanço das 11 horas. O barco com as cordas e as redes, correu o perigo, com a sua proa arqueada e a sua meia quilha, afrontando as águas. Daí a momentos ele desaparecia no vale das ondas para surgir altaneiro no dorso das vagas e voltar a ocultar-se da vista dos que o seguiam com ansiedade. Isto durou longos minutos. Em certa altura viu-se o arrais a fazer grande esforço para atacar de frente as ondas que, se batessem de flanco, poderiam voltar a embarcação. Mas vinham outras traiçoeiras, de ressaca. Logo correu pela classe piscatória que havia barco em perigo. Tudo apareceu na praia. Não ficou viv'alma nos palheiros. Também saímos a ver o que se passava. Parecia que a população decuplicara. Era uma vozearia vibrante que penetrava pelos ouvidos até às almas angustiadas. Velhos a clamarem, mulheres a barafustarem, crianças a chorar..."

domingo, 31 de maio de 2009

"Mudar de Vida"

Cenas da Arte Xávega na praia do Furadouro, retiradas do filme "Mudar de Vida", realizado por Paulo Rocha em 1966.

sábado, 30 de maio de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"Spray"


"Esta minha construção literária vai fazer-se ao mar, no modelo e armação originais, carregada com a narração dos estranhos acontecimentos ocorridos num lar flutuante. O construtor, marinheiro há muitos anos, poderia ter carregado o barquinho, por assim dizer, com uma carga de sal, em vez de tão ousadamente se intrometer nos domínios dos navegadores da borda de água. Pudesse ao menos o autor e construtor virar de bordo, à maneira dos velhos lobos do mar, ai de mim! e esperar que o perdoassem!
Que importa que a corrente nos seja contrária? Se estiver a favor, somos por ela levados, mas para onde, ou para quê? A rota de toda a viagem é tão insignificante que pouco interessa, talvez; e afinal, onde quer que se vá, o que importa é a felicidade de se viver mais um dia no mar! É isso que torna feliz o velho marinheiro, mesmo na tempestade; e que o mantém cheio de esperança, ainda que agarrado a uma tábua no meio do oceano. Sem dúvida, é só isso! porque a beleza espiritual do mar, que conquista a alma do homem, não admite infiéis nas suas extenções sem limites."
Joshua Slocum in Sózinho à Volta do Mundo

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Velhas Glórias"







"Alexander Smith Cochran's beautiful bronze-hulled racing sloop Vanitie flashed across the finish line in the first test for America's Cup defenders on the Sound yesterday, a winner by 16 minutes and 48 seconds over her smaller rival, Resolute. Vanitie carried off the first day's honors in impressive style, snatching victory from almost certain defeat when the race was half run and the most fickle of northwest breezes died out altogether."
Excerto da notícia do New York Times de 3 de Junho de 1914.

domingo, 24 de maio de 2009

"Ria de Aveiro"



Fotografias de Abel Santiago que, olhando para os originais, teriam sido tiradas pelos finais da década de sessenta, inícios da década de setenta.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"Hot Spot"


Fotografia de Clark Little, um surfista que trocou a prancha pela máquina fotográfica.