sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Beside Seaside"



Toni Frissell
António Carneiro


António Carneiro

Snapshots of Portuguese coastal life.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"Vouguinha"






António Carvalho, o homem que está a fazer uma réplica do Almagrande, enviou-me ontem estas fotografias para mostrar o andamento da obra. Acho notável o cuidado com que está a ser feito, o respeito pelo desenho, a utilização de madeiras iguais ao original e pela técnica de construção.
Parabéns ao Artista.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Why Not"


Health, South Wind, Books, Old Trees, a Boat, a Friend.
Ralph Waldo Emerson

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Les Nuits"


O "Navegar é preciso" termina hoje, um ano depois.
Às Almas que colaboraram comigo, às que conheci por aqui e às que gostaria de ter conhecido, aquele abraço. Bons Ventos.
Almagrande
foto- Dorothea Lange

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Portugal's Captains Courageous"




"Aqui também havia nevoeiro, pesado, frio e cego. Uma vez o pescador António Rodrigues Chalão, um homem competente, que trabalhava perto do Porto, no salva-vidas da barra do Douro, durante o Inverno, ficou perdido durante 5 dias e quase perdemos a esperança dele voltar. Desapareceu no nevoeiro e depois veio mau tempo.
O temporal fustigou durante três dias e depois, outra vez nevoeiro, mas ao quinto dia do seu desaparecimento, o tempo clareou e o António Rodrigues regressou! Regressou sorridente mas teve de ser içado para bordo, no dori, completamente exausto. Todavia, nesse mesmo dia, voltou à faina da pesca.
Conversei com ele acerca da sua experiência. O que teria pensado no seu tão frágil dori? "Rezei"- disse - "Fiz o que pude e depois voltei a rezar e pensei na minha mulher e nos meus sete filhos em Portugal. A bússula estava avariada; foi por isso que o nevoeiro me apanhou. Depois, na tempestade, ancorei e aproava ao vento,usando os remos para manter o dori aproado, em condições de aguentar o tempo".
- "Frequentemente esgotava a água do dori, para me salvar, porque com as vagas, entrava água. Tive medo de que, com aquele rodo, a âncora garrasse, por não ser suficientemente longo e então iria à deriva para longe dos bancos, para dentro do Estreito. Para mim , eu sabia-o, seria o fim".
- " Mas não garrou?"
- "Não. Mas tive de remar muito para me manter aproado às vagas. Improvisei um abrigo com a vela. Comi bacalhau cru e bebia água do nevoeiro, espremendo o boné de lã".
Foi tudo o que consegui do António Rodrigues Chalão, depois de ter remado cinco dias contra a borrasca, para manter aproada uma embarcação de 14 pés (4,20m), acima do Círculo Polar Árctico. A pele da palma das mãos parecia ter sido lixada. Mas teve sorte, por sobreviver e tinha a noção disso. O pequeno cemitério de Holsteinborg, na Gronelândia, tem muitas sepulturas de pescadores portugueses falecidos nos bancos."

Allan Villiers in I Sailed with Portugal's Captains Courageous

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Os Homens da Falésia"

Pesca e apanha de percebes na praia da Atalaia. Realizado por Helder Mendes nos anos sessenta

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Twelves"










Regata de 12mR em Kiel, fotografada de uma perspectiva menos usual.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Kon-Tiki"

"Ás vezes também saíamos no pequeno bote de borracha para ver que tal eramos à noite. De todos os lados erguiam-se os paredões negros das ondas, e miríades de cintilantes estrelas tropicais provocavam um frouxo reflexo dos plânctones na água. O mundo era simples: estrelas na escuridão. Se o ano em que estávamos era 1947 d.C. ou 1947 a.C tornava-se sùbitamente coisa sem importância. Estávamos vivos e sentíamo-lo em plena intensidade. Compreendíamos que a vida também fora cheia para os homens que existiram antes da técnica, mais cheia e até mais rica a muitos respeitos do que a vida do homem moderno. O tempo e a evolução , de certo modo, cessavam de existir; tudo o que era real e tudo o que oferecia importância era o mesmo hoje que sempre tinha sido e que sempre seria; nós estávamos, engolidos pela medida comum absoluta da História, escuridão intérmina e ininterrupta sob um cardume de estrelas. Na nossa frente,nas trevas, a Kon-Tiki erguia-se de entre as vagas para de novo mergulhar por detrás de negras massas de água, que se elevavam como torreões entre ela e nós. À claridade do luar havia uma singular atmosfera em volta da jangada. Sólidos toros de pau franjados de algas, o negríssimo contorno quadrado de uma vela que fazia lembrar as dos velhos vikings, uma cerdosa choupana de bambu com a luz amarela de uma lâmpada de parafina na parte posterior - aquele conjunto trazia à mente antes a representação de um conto de fadas do que a pura realidade. De vez em quando, a jangada desaparecia, completamente oculta pelas ondas negras; depois tornava a levantar-se e recortava-se em silhueta, contra as estrelas, enquanto a água faiscante escorria dos trocos."
Thor Heyerdahl in A Expedição da Kon-Tiki

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Outras Navegações"

Toni Frissell - 1947



John Collier - 1942



Harris & Ewing



John Vachon - 1942



Josef Hoflehner


Cinco fotografias avulsas de outros tantos autores, de que gostei bastante.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Blow me down"

The North wind blew on Monday
As the East wind got the flu
The West wind blew on Tuesday
As the South wind never knew

The North East wind had Wednesday
As the South West wasn’t chuffed
The North West blew on Thursday
As the South East hardly puffed

The East and West blew Friday
As the others had a rest
The North and South blew Saturday
As the weekends were the best

The lot of them had Sunday
As the winds turned into storm
The whole of them had Monday off
As the week got back to norm

David Threadgold

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

"Stars"








Imagens antigas de um barco que continua a apaixonar os grande nomes da vela a nível mundial.
Extremamente exigente para as tripulações pela sua gande área vélica, proporciona sempre imagens de grande beleza. Faz parte dos Jogos Olímpicos desde 1932 e foi o único barco que foi readmitido após a classe ter sido excluída nos Jogos de 1976.
comp.-6,9m larg.-1,7m área vélica - 26,1m2

"Os Pescadores de Dori"








"Quando há vento e cachão os doris saltam com violência, dão esticões na linha, enchem-se de água, mas o trabalho tem de continuar. E o corpo retesado pelo esforço, os músculos agora crivados de dores agudas da fadiga, o suor escorrendo em bica e misturando-se com a espuma salgada, o pescador vai alando sempre, mais um anzol, mais outro, mais outro ainda... Se a pesca é boa, o próprio peixe tendendo a boiar ajuda a levantar o aparelho; se o peixe é escasso o desânimo que provoca a vista dos anzóis limpos torna mais dura a tarefa.
Por fim surge o último anzol (trazendo porventura o último bacalhau...), o grapolim é recolhido, mas o pescador imediatamente inicia nova tarefa, sem um momento sequer de descanso. Procura outro local para de novo lançar a linha, e então toda a faina se repete, ou regressa ao navio se vê já içada a bandeira que é sinal de chamada.
Nos dias de calma, ou com vento contrário, o pescador tem por vezes que remar longos períodos, lutando contra o cachão desencontrado, arrastando penosamente um dori que teve a sorte de carregar. Nos dias de vento favorável pode enfim descansar um pouco, enquanto a aragem benfazeja se encarrega de o transportar, juntamente com a preciosa carga, fruto de um dia inteiro de labor. Mas bem fraco descanso é aquele - timonar um bote minúsculo, frágil e sobrecarregado, que o vento empurra com rudeza sobre um mar encrespado. O mais pequeno descuido, uma rajada que não foi sentida a tempo, um cachão mais cavado que se desfaz em espuma, e a borda do dori mergulha, a água gélida invade-o num instante, afunda-o, fá-lo desaparecer!"
Eduardo Lopes in Os Pescadores de Dori
Pinturas de Jack Lorimer Gray

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Avieiros"


"Mal entraram no túnel das árvores que enchem as duas margens, apareceu um vento áspero, a sacudir tudo; até assobiava nos troncos e nos ramos. E corria tanto, e assobiava tanto,espantado, quem o espantara?, que as folhas começaram a cair aos cachos, fugindo algumas, juntando-se depois, num torvelinho, indo e regressando num corrupio, que Olinda Carramilo parou de remar e ficou queda no banco, meio tonta, como o Tóino, que já bebera mais de meio garrafão de vinho e ainda não parara de cantar. E num repente, quando o vento garanhão fugiu para a Lezíria à procura das éguas, as folhas que revoluteavam como pintassilgos tontos caíram de chapuz sobre a vala da Casa Branca e deixaram tudo alagado das cores do Outono, um nadinha triste, mas tão sorrateiro, que o Tóino da Vala não se mexeu no fundo do barco. Amarelas, doiradas, vermelhas, quase de fogo, ardidas e ainda ardentes, verdes, cúpricas, verde-cré, verde-montanha, verde-gaio, verde-negro, ocres, castanho-queimado, e vermelhas, acesas, fogaréus a arder, as folhas do arvoredo da vala tombaram, de repente, sobre o corpo do pescador vagabundo e vestiram-no a esmo de todas as cores que havia nesse mês.
Deslumbrada, Olinda Carramilo ergueu os olhos para aquela chuva fantástica que também lhe escorria pelos ombros e engrinaldava a cabeça.
Depois tudo se quedou num grande silêncio, como se as árvores ficassem a ver o que delas fugira com o vento."
Alves Redol in Avieiros
pintura - David Alfaro Siqueiros

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Luzito"


"Em 1937 o Governo decidiu apoiar a vela através da criação da Secção de Vela da Mocidade Portuguesa, que estabeleceu o seu primeiro Centro de Vela em Lisboa, seguindo-se depois outros por todo o País e até pelas Colónias. dos quais 16 no Continente e Ilhas Adjacentes.
No começo praticava-se vela nos barcos existentes mas, a seguir, projectou-se e construiu-se um barquinho de iniciação de 2,55m, baseado num exemplar canadiano, o Cap Cod, mas de construção nacional, muito equilibrado, com duas velas, permitindo aos jovens velejadores aprenderem a velejar, a tratar dos barcos, a conhecerem as regras internacionais de regata, etc.
Segundo outros testemunhos, o Lusito, nome do pequeno barco de que estamos a falar, foi construído por iniciativa de Rudolfo Fragoso pelas mãos do velho Brites, famoso na construção de embarcações de recreio, mas tinha características marcadamente nacionais."
Excerto retirado do livro "Vela Olímpica Portuguesa - 75 anos"
Barquinho com que muitos se iniciaram nas lides e de que terão, certamente, boas memórias. O Lusito era bem agradável de tripular, bastante previsível nas reacções e, tanto quanto me é possível recordar, com um comportamento que desculpava as muitas falhas dos petizes.