sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Twelves"










Regata de 12mR em Kiel, fotografada de uma perspectiva menos usual.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Kon-Tiki"

"Ás vezes também saíamos no pequeno bote de borracha para ver que tal eramos à noite. De todos os lados erguiam-se os paredões negros das ondas, e miríades de cintilantes estrelas tropicais provocavam um frouxo reflexo dos plânctones na água. O mundo era simples: estrelas na escuridão. Se o ano em que estávamos era 1947 d.C. ou 1947 a.C tornava-se sùbitamente coisa sem importância. Estávamos vivos e sentíamo-lo em plena intensidade. Compreendíamos que a vida também fora cheia para os homens que existiram antes da técnica, mais cheia e até mais rica a muitos respeitos do que a vida do homem moderno. O tempo e a evolução , de certo modo, cessavam de existir; tudo o que era real e tudo o que oferecia importância era o mesmo hoje que sempre tinha sido e que sempre seria; nós estávamos, engolidos pela medida comum absoluta da História, escuridão intérmina e ininterrupta sob um cardume de estrelas. Na nossa frente,nas trevas, a Kon-Tiki erguia-se de entre as vagas para de novo mergulhar por detrás de negras massas de água, que se elevavam como torreões entre ela e nós. À claridade do luar havia uma singular atmosfera em volta da jangada. Sólidos toros de pau franjados de algas, o negríssimo contorno quadrado de uma vela que fazia lembrar as dos velhos vikings, uma cerdosa choupana de bambu com a luz amarela de uma lâmpada de parafina na parte posterior - aquele conjunto trazia à mente antes a representação de um conto de fadas do que a pura realidade. De vez em quando, a jangada desaparecia, completamente oculta pelas ondas negras; depois tornava a levantar-se e recortava-se em silhueta, contra as estrelas, enquanto a água faiscante escorria dos trocos."
Thor Heyerdahl in A Expedição da Kon-Tiki

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Outras Navegações"

Toni Frissell - 1947



John Collier - 1942



Harris & Ewing



John Vachon - 1942



Josef Hoflehner


Cinco fotografias avulsas de outros tantos autores, de que gostei bastante.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Blow me down"

The North wind blew on Monday
As the East wind got the flu
The West wind blew on Tuesday
As the South wind never knew

The North East wind had Wednesday
As the South West wasn’t chuffed
The North West blew on Thursday
As the South East hardly puffed

The East and West blew Friday
As the others had a rest
The North and South blew Saturday
As the weekends were the best

The lot of them had Sunday
As the winds turned into storm
The whole of them had Monday off
As the week got back to norm

David Threadgold

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

"Stars"








Imagens antigas de um barco que continua a apaixonar os grande nomes da vela a nível mundial.
Extremamente exigente para as tripulações pela sua gande área vélica, proporciona sempre imagens de grande beleza. Faz parte dos Jogos Olímpicos desde 1932 e foi o único barco que foi readmitido após a classe ter sido excluída nos Jogos de 1976.
comp.-6,9m larg.-1,7m área vélica - 26,1m2

"Os Pescadores de Dori"








"Quando há vento e cachão os doris saltam com violência, dão esticões na linha, enchem-se de água, mas o trabalho tem de continuar. E o corpo retesado pelo esforço, os músculos agora crivados de dores agudas da fadiga, o suor escorrendo em bica e misturando-se com a espuma salgada, o pescador vai alando sempre, mais um anzol, mais outro, mais outro ainda... Se a pesca é boa, o próprio peixe tendendo a boiar ajuda a levantar o aparelho; se o peixe é escasso o desânimo que provoca a vista dos anzóis limpos torna mais dura a tarefa.
Por fim surge o último anzol (trazendo porventura o último bacalhau...), o grapolim é recolhido, mas o pescador imediatamente inicia nova tarefa, sem um momento sequer de descanso. Procura outro local para de novo lançar a linha, e então toda a faina se repete, ou regressa ao navio se vê já içada a bandeira que é sinal de chamada.
Nos dias de calma, ou com vento contrário, o pescador tem por vezes que remar longos períodos, lutando contra o cachão desencontrado, arrastando penosamente um dori que teve a sorte de carregar. Nos dias de vento favorável pode enfim descansar um pouco, enquanto a aragem benfazeja se encarrega de o transportar, juntamente com a preciosa carga, fruto de um dia inteiro de labor. Mas bem fraco descanso é aquele - timonar um bote minúsculo, frágil e sobrecarregado, que o vento empurra com rudeza sobre um mar encrespado. O mais pequeno descuido, uma rajada que não foi sentida a tempo, um cachão mais cavado que se desfaz em espuma, e a borda do dori mergulha, a água gélida invade-o num instante, afunda-o, fá-lo desaparecer!"
Eduardo Lopes in Os Pescadores de Dori
Pinturas de Jack Lorimer Gray

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Avieiros"


"Mal entraram no túnel das árvores que enchem as duas margens, apareceu um vento áspero, a sacudir tudo; até assobiava nos troncos e nos ramos. E corria tanto, e assobiava tanto,espantado, quem o espantara?, que as folhas começaram a cair aos cachos, fugindo algumas, juntando-se depois, num torvelinho, indo e regressando num corrupio, que Olinda Carramilo parou de remar e ficou queda no banco, meio tonta, como o Tóino, que já bebera mais de meio garrafão de vinho e ainda não parara de cantar. E num repente, quando o vento garanhão fugiu para a Lezíria à procura das éguas, as folhas que revoluteavam como pintassilgos tontos caíram de chapuz sobre a vala da Casa Branca e deixaram tudo alagado das cores do Outono, um nadinha triste, mas tão sorrateiro, que o Tóino da Vala não se mexeu no fundo do barco. Amarelas, doiradas, vermelhas, quase de fogo, ardidas e ainda ardentes, verdes, cúpricas, verde-cré, verde-montanha, verde-gaio, verde-negro, ocres, castanho-queimado, e vermelhas, acesas, fogaréus a arder, as folhas do arvoredo da vala tombaram, de repente, sobre o corpo do pescador vagabundo e vestiram-no a esmo de todas as cores que havia nesse mês.
Deslumbrada, Olinda Carramilo ergueu os olhos para aquela chuva fantástica que também lhe escorria pelos ombros e engrinaldava a cabeça.
Depois tudo se quedou num grande silêncio, como se as árvores ficassem a ver o que delas fugira com o vento."
Alves Redol in Avieiros
pintura - David Alfaro Siqueiros

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Luzito"


"Em 1937 o Governo decidiu apoiar a vela através da criação da Secção de Vela da Mocidade Portuguesa, que estabeleceu o seu primeiro Centro de Vela em Lisboa, seguindo-se depois outros por todo o País e até pelas Colónias. dos quais 16 no Continente e Ilhas Adjacentes.
No começo praticava-se vela nos barcos existentes mas, a seguir, projectou-se e construiu-se um barquinho de iniciação de 2,55m, baseado num exemplar canadiano, o Cap Cod, mas de construção nacional, muito equilibrado, com duas velas, permitindo aos jovens velejadores aprenderem a velejar, a tratar dos barcos, a conhecerem as regras internacionais de regata, etc.
Segundo outros testemunhos, o Lusito, nome do pequeno barco de que estamos a falar, foi construído por iniciativa de Rudolfo Fragoso pelas mãos do velho Brites, famoso na construção de embarcações de recreio, mas tinha características marcadamente nacionais."
Excerto retirado do livro "Vela Olímpica Portuguesa - 75 anos"
Barquinho com que muitos se iniciaram nas lides e de que terão, certamente, boas memórias. O Lusito era bem agradável de tripular, bastante previsível nas reacções e, tanto quanto me é possível recordar, com um comportamento que desculpava as muitas falhas dos petizes.

sábado, 24 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"5 do mesmo"









Imagens bucólicas de uma Ria temperamental, capaz de nos pregar algumas partidas. A máquina que outrora fotografou alguma coisa em que o verde era, mais ou menos verde, continua a dar-me uma certa luta. Parece-me que a a máquina vence ao intervalo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Vintage Sailing"

ENDEAVOUR II - Mrs. Phyllis Sopwith at the helm - 1937



ALERA - Larchmont Races - 1920



ELENA and IROLITA -1913



MOUETTE - 1933



TYPHOON - 40 footer - 1931

domingo, 18 de janeiro de 2009

"Clifford W. Ashley"








Clifford W. Ashley -Pintor, ilustrador e fotógrafo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Baleação"

"Está tudo calado e ansioso, ninguém diz palavra inútil: homens, barco, arpoador e arpão, tudo tem o mesmo corpo e a mesma alma. São sete, à caça do monstro. Todos ganham: uma baleia dá muito óleo e o óleo dá muito dinheiro. Às vezes dá âmbar. Já outras canoas de aproximam. Mas, antes que lhe tirem a baleia, o trancador lança o ferro. O bicho tem um momento de hesitação e surpresa, como o touro quando lhe cravam a bandarilhas, o que permite ao barco desviar-se numa remada, antes de ser abafado na cauda ou envolvido no redemoinho das ondas. Não há um segundo de dúvida ou movimento falso. A baleia mergulha entre as vagas, com o risco de os arrastar para o fundo, e leva-os numa velocidade de expresso, pelo mar fora, porque aquela grande massa é de uma agilidade espantosa. E lá vão no curso entre as águas rasgadas, no grande sulco aberto com violência tomando tento na linha. A baleia mergulha. Corre agora linha de manilha americana, muito bem enrolada dentro de duas selhas, e os homens pálidos e imóveis, com o coração do tamanho de uma pulga, esperam. A baleia pode desaparecer durante vinte minutos. Às vezes a linha acaba-se quando a baleia mete muito para o fundo. Se está outro barco perto, fornece-lhe mais linha, senão a baleia perde-se: têm de cortar a manilha ou são arrastados para o abismo. A arça é o fim da linha, e é com pena que eles a vêm acabar-se. Passam a ponta de mão em mão, até ao último tripulante, que só larga com desespero. Mas em geral a baleia mergulha, vem à tona antes que se acabe a linha, e o que ela mostra primeiro é o focinho, para resfolgar. Aproxima-se e dão-lhe uma lançada ao pé da asa para a sangrarem. Mergulha, reaparece, esgotam-na e têm-na certa quando começa a esguichar sangue pelas ventas. "

Excerto retirado do site da Câmara Municipal das Lajes do Pico

terça-feira, 13 de janeiro de 2009