
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
"Viva o inútil!"
"Foi tudo isto que os participantes retiraram desta regata: a aventura, a evasão, a confiança, uma reflexão sobre si próprios e sobre a vida, um exercício de esforço e de sofrimento, a medida das capacidades, das limitações de cada um, a aprendizagem do medo e da coragem. Tudo isto lhes ficará como aquisição importante pela vida fora.
Insatisfação? Sim, muitos experimentaram certa forma de insatisfação. Entre quase todos, para começar, a de não terem podido permanecer mais tempo nalguns dos locais visitados. Não terem podido deter-se nesses espantosos fiordes da ilha de Etats; nos ancoradouros desolados das ilhas Kerguelen ou Croizet. Alguns sonham já com o regresso àquelas paragens em cruzeiro turístico. Reviverem a fascinação das latitudes austrais, experimentarem a emoção das vagas gigantescas e dos espaços solitários que não há noutro lado, admirarem de novo o voo dos albatrozes, ou sentirem mais uma vez a atracção estética das montanhas de gelo flutuantes dos mares da Antárctida, magia de gelos esculpidos refulgindo em cintilações de azul, diamantes únicos e preciosos que a natureza oferece à audácia dos homens.
Ninguém, nesta volta ao mundo, perdeu o seu tempo. Todos regressam enriquecidos para o resto da vida. Lá longe, porém, três homens foram sacrificados por esse mar que eles amavam, e ao qual muito haviam dado de si. A sua maior razão de viver era a vela, o mar alto, a acção. Todos três eram homens verdadeiramente livres. Para eles , a vida que valia a pena ser vivida era aquela em que se aceita participar até ao risco de a poder perder.
Para todos os companheiros que deixaram Portsmouth naquele dia 8 de Setembro de 1973, rumo a esse desconhecido que se chamava a regata da volta ao mundo, havia, mais forte do que tudo, o fascínio da aventura. Souberam corresponder-lhe. A aventura pagou-lhes a centuplicar.
Nada é tão necessário ao homem como o inútil."
Jean-Michel Barrault in No cabo horn aos vinte anos
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
"On the Rocks"

"Avistei-o... Dos bons, mesmo à proa! O coração batia-me no peito, sentia as mãos humedecidas. Mas não tinha dúvidas: ele aí estava, enfiado com a roda de proa, trânslúcido nessa meia luz matinal, impreciso qual medusa em águas límpidas, mas tenebroso como qualquer grande promontório. Era uma cadeia de montanhas com os seus picos agudos arranhando as montanhas, com falésias abruptas, colinas gastas e arredondadas, uma sequência de relevos surpreendentes e geométricos. Era de um branco muito puro na solidão absoluta do azul do céu e do mar. A montanha de gelo continha toda a sabedoria e toda a tristeza do mundo, as suas veias azuis denotavam nobreza e grandiosidade, representavam em si a pureza intocável e eterna. Na sua essência, reúne todo o sol do mundo, toda luminosidade do nosso sistema; conhece as tempestades e ignora-as; conhece os céus cinzentos e mantém-se mais vivo que eles; a sua luz estonteante rompe, sempre, vitoriosa, impõe-se, aterroriza ou afaga, e a montanha enorme deriva ao sabor das correntes, lenta, incansável, pacífica, evitando todo o contacto com as terras civilizadas."
Gérard Janichon
fotografia - Cartier Bresson
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
"Falésias praias areais ardentes"

Para deixar-vos tenho o meu orgulho
que para vos deixar não tenho nada
ensinei-vos o mar o verão o julho
o alvoroço da pesca e da alvorada
os pássaros a caça o doce arrulho
do instante que passa e é tudo e é nada.
Para deixar-vos tenho a liberdade
um astro a lucidar dentro do não
o riso e seu esplendor a intensidade
da vida que se dança um só verão
o fulgor dessa breve eternidade
o azul o vento o espaço a solidão.
Para deixar-vos nada que deixar
só um país e as ilhas adjacentes
um rectãngulo inteiro e ainda o mar
as montanhas os rios e afluentes
as índias que ficaram por achar
falésias praias areais ardentes.
Para deixar-vos tenho o que não tenho
que para vos deixar não tenho mais
do que a escrita da vida e o eco estranho
de ritmos sons e signos e sinais
metáforas que têm o tamanho
do mundo que vos deixo. E nada mais.
Manuel Alegre
fotografia- Zacarias da Mata
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
"Vouguinha"



António Carvalho, o homem que está a fazer uma réplica do Almagrande, enviou-me ontem estas fotografias para mostrar o andamento da obra. Acho notável o cuidado com que está a ser feito, o respeito pelo desenho, a utilização de madeiras iguais ao original e pela técnica de construção.
Parabéns ao Artista.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
"Les Nuits"
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
"Portugal's Captains Courageous"


"Aqui também havia nevoeiro, pesado, frio e cego. Uma vez o pescador António Rodrigues Chalão, um homem competente, que trabalhava perto do Porto, no salva-vidas da barra do Douro, durante o Inverno, ficou perdido durante 5 dias e quase perdemos a esperança dele voltar. Desapareceu no nevoeiro e depois veio mau tempo.
O temporal fustigou durante três dias e depois, outra vez nevoeiro, mas ao quinto dia do seu desaparecimento, o tempo clareou e o António Rodrigues regressou! Regressou sorridente mas teve de ser içado para bordo, no dori, completamente exausto. Todavia, nesse mesmo dia, voltou à faina da pesca.
Conversei com ele acerca da sua experiência. O que teria pensado no seu tão frágil dori? "Rezei"- disse - "Fiz o que pude e depois voltei a rezar e pensei na minha mulher e nos meus sete filhos em Portugal. A bússula estava avariada; foi por isso que o nevoeiro me apanhou. Depois, na tempestade, ancorei e aproava ao vento,usando os remos para manter o dori aproado, em condições de aguentar o tempo".
- "Frequentemente esgotava a água do dori, para me salvar, porque com as vagas, entrava água. Tive medo de que, com aquele rodo, a âncora garrasse, por não ser suficientemente longo e então iria à deriva para longe dos bancos, para dentro do Estreito. Para mim , eu sabia-o, seria o fim".
- " Mas não garrou?"
- "Não. Mas tive de remar muito para me manter aproado às vagas. Improvisei um abrigo com a vela. Comi bacalhau cru e bebia água do nevoeiro, espremendo o boné de lã".
Foi tudo o que consegui do António Rodrigues Chalão, depois de ter remado cinco dias contra a borrasca, para manter aproada uma embarcação de 14 pés (4,20m), acima do Círculo Polar Árctico. A pele da palma das mãos parecia ter sido lixada. Mas teve sorte, por sobreviver e tinha a noção disso. O pequeno cemitério de Holsteinborg, na Gronelândia, tem muitas sepulturas de pescadores portugueses falecidos nos bancos."
Allan Villiers in I Sailed with Portugal's Captains Courageous
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
"Os Homens da Falésia"
Pesca e apanha de percebes na praia da Atalaia. Realizado por Helder Mendes nos anos sessenta
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
"Kon-Tiki"
"Ás vezes também saíamos no pequeno bote de borracha para ver que tal eramos à noite. De todos os lados erguiam-se os paredões negros das ondas, e miríades de cintilantes estrelas tropicais provocavam um frouxo reflexo dos plânctones na água. O mundo era simples: estrelas na escuridão. Se o ano em que estávamos era 1947 d.C. ou 1947 a.C tornava-se sùbitamente coisa sem importância. Estávamos vivos e sentíamo-lo em plena intensidade. Compreendíamos que a vida também fora cheia para os homens que existiram antes da técnica, mais cheia e até mais rica a muitos respeitos do que a vida do homem moderno. O tempo e a evolução , de certo modo, cessavam de existir; tudo o que era real e tudo o que oferecia importância era o mesmo hoje que sempre tinha sido e que sempre seria; nós estávamos, engolidos pela medida comum absoluta da História, escuridão intérmina e ininterrupta sob um cardume de estrelas. Na nossa frente,nas trevas, a Kon-Tiki erguia-se de entre as vagas para de novo mergulhar por detrás de negras massas de água, que se elevavam como torreões entre ela e nós. À claridade do luar havia uma singular atmosfera em volta da jangada. Sólidos toros de pau franjados de algas, o negríssimo contorno quadrado de uma vela que fazia lembrar as dos velhos vikings, uma cerdosa choupana de bambu com a luz amarela de uma lâmpada de parafina na parte posterior - aquele conjunto trazia à mente antes a representação de um conto de fadas do que a pura realidade. De vez em quando, a jangada desaparecia, completamente oculta pelas ondas negras; depois tornava a levantar-se e recortava-se em silhueta, contra as estrelas, enquanto a água faiscante escorria dos trocos."
Thor Heyerdahl in A Expedição da Kon-Tiki
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
"Blow me down"
The North wind blew on MondayAs the East wind got the flu
The West wind blew on Tuesday
As the South wind never knew
The North East wind had Wednesday
As the South West wasn’t chuffed
The North West blew on Thursday
As the South East hardly puffed
The East and West blew Friday
As the others had a rest
The North and South blew Saturday
As the weekends were the best
The lot of them had Sunday
As the winds turned into storm
The whole of them had Monday off
As the week got back to norm
David Threadgold
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
"Stars"
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