terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Moonbeam IV"






'No matter whether she is under way or at anchor, Moonbeam is beautiful to look upon, and combining the speed of a racer with the comfort of a cruiser, is a vessel any seaman would be proud to own'.


Desenhado e constrúido por William Fife III entre 1914 e 1920 para Charles Plumtre Johnson, sendo o maior dos quatro que ele mandou fazer. Vencedor da King's Cup em 1920 e 1923, teve nos dez anos que se seguiram e enquanto não surgiram os J-Class nos anos 3o, um brilhante percurso desportivo. Como outros, no decurso da II Guerra Mundial, foi levado para o sul de França e em 1950 é comprado pelo Príncipe Rainier do Mónaco, rebaptizado de "Deo Juvante", estando dez anos na posse da família Grimaldi. Depois de anos como barco de cruzeiro do Conde Hannibal Scotti, foi descoberto na Grécia pelos actuais proprietários que se decidem por um restauro de grande envergadura, feito num estaleiro Birmanês durante três anos.
De regresso ao Mediterrâneo, participa habitualmente no circuito regateiro dos clássicos fazendo aínda serviços "charter".
Comp. 32.1m /Larg. 5.1m / Cal. 3.9 m /Área vélica máx. 791 m2

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

domingo, 12 de outubro de 2008

"Quando a aLma não é pequena"



"As Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha são locais onde todos os dias passa o povo que trabalha. Os painéis devem mostrar aquilo que ele faz, aquilo que sente. Por vezes o que sofre - a emigração e a saudade que fica. É a mistura do real e do lendário. A vida quotidiana e as lendas de gerações. As varinas de Lisboa e a Nau Catrineta. Coisas que a arraia-miúda conhece."
Cristina Vaz

sábado, 11 de outubro de 2008

"Captains Courageous"

Filme de 1937, baseado no livro de Rudyard Kipling e realizado por Victor Fleming sobre a relação de um jovem náufrago com o seu salvador, um pescador português dos Grandes Bancos,a bordo de uma escuna de Gloucester ,interpretado por Spencer Tracy e que lhe valeria um Oscar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"Fado Moliceiro"

Morro de amor pelas águas da ria
Esta espuma de dôr eu não sabia
Sou moliceiro do teu lodo fecundo
Sou a Ria de Aveiro, o sal do mundo

Vara comprida
Tamanho da vida
Braço de mar
A lavrar, a lavrar

Morro de amor nesta rede que teço
E é no sal do suor que eu aconteço
Para além da salina
O horizonte me ensina
Que há muito mar
Muito mar p'ra lavrar
P'ra lavrar

Ary dos Santos

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

"Quem tem unhas..."

"Gosto muito de voltar a ver o barco, mas não assim.." dizia-me o mestre Zé hoje à tarde. Nem eu, mas dá-me um prazer especial ver a forma como eles tratam o barco e o orgulho que sentem na obra. Depois de ter sériamente equacionado a oferta de ajuda do Cândido para metermos mãos à obra, pensei melhor e aínda bem, "A viola quer-se na mão do tocador".

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Carneiro da Silva"

" Meu Amigo: Divulga isto porque pode haver curiosos e interessados. Penso que todos quantos vêm o teu blog amam a Ria e as suas "coisas" e pode haver quem não conheça... Portanto, caríssimos, façam favor de escrever no google Álbum Fotografico Carneiro da Silva. Aí encontrareis antigos lugres e outros "mimos" . No canto inferior direito o álbum remete-vos para outro intitulado Colecção Carvalhinho. Neste, também para além de outros "mimos"é-vos servida uma deliciosa colecção das nossas salinas. Entretanto aproveito o coreto para pedir, digo mesmo mais como Mrs. D. et D...., para solicitar a quem possua imagens dos vendedores de melões e melancias nas antigas romarias do S.Paio da Torreira ou dos descantes que por lá se faziam com o Marques Sardinha, a Guida Rei, a Deolinda do Couto ou a Maria Barbuda o favor de me dar novas (neste último caso não valem as fotos do libro do João Sarabando de que eu fiz 2ª edição), mesmo que seja para eu me ter de chegar com a barriga ao balcão, para o mail paulo.silva@cires.pt
Saludos a todos."

"Fife Dragons"






Será nos barcos à vela o equivalente a ter na frente do carro o "Spirit of Ecstasy" que embeleza a frente dos Rolls Royce, uma imagem que continua a mover paixões e milhões, ambicionada por muitos, símbolo de qualidade e performances sem abdicar do conforto. A imagem do Dragão Chinês estilizado foi adoptada por William Fife III como assinatura do seu estaleiro, continuando nos dias de hoje a ser motivo de cobiça, orgulho, prestígio e até estatuto.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Cadaqués"

Encontrei a fotografia nas minhas andanças virtuais e lembrou-me este quadro de Salvador Dalí. Pensada ou não, foi feita praticamente no mesmo sítio onde bastantes anos antes o quadro fora pintado. O olhar do fotógrafo a tentar reproduzir o olhar do pintor ou puro acaso?

domingo, 5 de outubro de 2008

"Nos domínios da monção"

"Alguns anos antes, eu tinha atravessado o estreito de Bali, de noite, a bordo dum navio de velame completo. Ao anoitecer, os picos de Java erguiam-se a grande altura acima de mim, pelo que os altos mastros do barco pareciam anões. A noite caiu de repente. Não havia Lua. A maré seguia rápida para o norte e o meu navio avançou à força de vela. No ponto mais estreito - apenas uma milha de largura - as águas corriam à velocidade de 6 nós e o navio avançava a 16, porque o vento era fresco e todas as velas foram desferradas. A terra alta de Java parecia estar quase sobre mim, e a rebentação era ruidosa e ameaçadora. Podiam ouvir-se os grilos a cantar nas florestas próximas, porque o meu barco não fazia qualquer ruído, salvo o que produzia o bater da água de encontro à proa e aos dois lados dos velho casco de ferro. Estava uma dessas noites tropicais, perfeita e tranquila, quando falar parece sacrilégio e todo o mundo, pelo menos uma vez, está em paz, não se ouvindo nenhuma voz humana discordante. Havia alguns redemoinhos na corrente rápida, e, aqui e além, um movimento de ressaca proveniente da proximidade demasiada dos recifes. O meu pequeno barco recuava e balouçava às vezes, quando o movimento das águas da superfície queria tolher-lhe o passo. Mas ele seguia corajosamente, com a espuma elevando-se alta á proa e a esteira fosforescente, semelhante a uma linha de mar leitoso com uma milha de extenção, e as estrelas como que desciam para beijar ao de leve os topes dos mastros. Então chegou ao mar de Java, e todo o Oriente se estendia à sua frente."
Alan Villiers in" Nos domínios da monção"

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"Olin Stephens"


Ontem em visita ao blogue "El mar és el camí" fiquei a saber da morte de Olin Stephens. Um dos mais brilhantes desenhadores de barcos que o século XX conheceu e que aos cem anos levantou pano e largou para outros Oceanos. Morreu o homem mas ficou a obra.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

"CASVIC"

Poucos dias depois de ter participado na regata a bordo do "CASVIC", passou na tv um programa dedicado ao homem, Manuel Martins, e ao barco com que fez as suas viagens. Esta seria até ao Brasil. Aqui fica um excerto feito pelos respigadores do costume.

"les Nuits"

Um vento frescote e uma chuva a lembrar Novembro, os barcos a navegarem à vista uns dos outros. Prazer em estado puro.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

"PORTUGAL - Devoradores de Mar"

Tive por estes dias oportunidade de ver um belo livro de fotografia, da autoria de Candy Lopesino, uma espanhola que por cá andou a fotografar-nos. Com excelentes fotografias, feitas quase na totalidade na praia da Torreira e com um trabalho gráfico de grande qualidade.
A editora é espanhola, e pelo que vi aínda há exemplares para venda. Altamente recomendável.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"Erros meus,má fortuna.."

Este fim-de-semana adivinhava-se fértil em velejadelas, no sábado a regata da "Cenário"e no domingo a do aniversário da Ass. Náutica da Torreira. No sábado, com um dia excepcional e um ventinho cooperante lá fui até ás imediações de Válega, com um proa de recurso mas que cumpriu na perfeição. O sítio da regata tem "pano para mangas"e o cenário é fantástico..pelo menos na maré cheia. A regata correu bem apesar da juventude da mesma, esperemos que a "Cenário" continue a promovê-la, pode ser o início de algo maior e original por estes lados. Um dia magnífico que terminou com um passeio de regresso memorável à marina da Torreira.
No domingo, o dia apresentava-se igualmente solarengo mas mais ventoso, a prometer uma regata animada. De Ovar veio a "Armada dos BJETs" a dar uma animação grande na classe dos Cruzeiros em que o "Planador"ex-Delmar Conde era o principal favorito. Optimists, Darts, Lasers, e claro, nós no "Almagrande"já com o proa habitual e reforçados com o Cândido, comandante do "Casvic", que se juntou a nós para "dar uma forcinha".
Depois de uma largada à maneira e de uma primeira parte da regata em que andávamos lado a lado com o "Planador", seguíamos a fazer uma bela prova, a aproveitar o vento que entretanto tinha crescido um pouco sem ser demais.
Na rondagem da penúltima bóia, depois de uma azelhice aqui do escriba, burrice de todo o tamanho e inqualificável, faço com que o barco vire os pés pela cabeça.
Depois de ver que estavamos todos bem, seguiu-se uma operação de salvamento complicada e que só visto..
Depois de várias e diversificadas tentativas de levar o barco para a borda, lá conseguimos levar avante os nossos intentos. O resto imagina-se... carteiras, telemóveis, sapatos, casacos, chaves dos carros, palamenta supelente..eu estava orgulhoso de mim..sim senhor, lindo serviço!
Lá tirámos a água suficiente para podermos regressar ao cais, e pelo menos não se tinha partido nada, umas arranhadelas na pintura e umas esmocadelas na borda falsa, feitas por um dos barcos intervenientes na ajuda.
Agora é limpar, secar e consertar os estragos, mas como alguém me disse..."Quem anda à chuva molha-se".

domingo, 28 de setembro de 2008

"Nau Portugal"


Mais algumas fotografias da Nau Portugal, retiradas de um velho número do Arquivo do distrito de Aveiro, enviadas por Sérgio Paulo Silva.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Boys with toys"



Penúltimo dia de férias, em Agosto passado. A ideia inicial era a de um passeio matinal para os"Vouguistas" da região, fazerem um belo percurso e ganhar apetite para o almoço agendado para o Bico da Murtosa. Viriam alguns da Costa Nova e dois do lado norte da Ria, nós no "Almagrande" e o Helder Ventura no seu "Aventura".
Assim, no dia e às horas marcadas lá nos encontrámos na Marina da Torreira para aparelharmos as embarcações e zarparmos. Mas, em vez de um mar de água encontrámos um mar de lodo que impossibilitava qualquer tentativa de alcançar o canal de navegação. Para nos tirar o resto da vontade, a Sulada em crescente não tardou a trazer também uma chuva pouco convidativa à prática da modalidade.
Depois de umas trocas de telefonemas com as gentes da Costa Nova, que também já tinham posto a ideia de parte, resolvemo-nos apenas pelo almoço.
O vento que tinha começado por ser de Leste de manhã, rodando para Sul ao final desta, fazendo parecer que não daria outro tempo nesse dia, quando terminámos o café já ele estava de Noroeste e o sol brilhava.
Ala que se faz tarde, toca de aparelhar os barquinhos para matar o vício.
Que final de tarde fantástico, maré cheia, aquela luz própria de Setembro e na água dois Vougas e um Sharpie fazendos bordos ao sabor da fantasia. Belo final de férias

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"O cão andaluz"

"Nas férias, aranjara emprego no Clube Naval, onde cuidava dos barcos trabalhando duramente, manobrando o guincho, passando os motores por água doce, arrumando os reboques na garagem. O presidente do Clube, pai de um seu amigo, tratava-o com simpatia, e mestre Zé, que lhe dava ordens num trato rude, era leal e justo.
Nos dias de folga, aceitava o convite do Hélder e do Juca para uma volta no Andorinha do Clube. O velho barco de madeira, com velas de lona, cortava, como uma lâmina, a água espelhada das manhãs, mostrando-se firme na nortada, enfrentando ondas e rajadas com a segurança de um velho marinheiro.
Fora descobrindo a beleza da ria nos longos bordos em frente a S.Jacinto, espraiando o olhar pelas margens semeadas de pinheiros, que continuavam, num fio verde, até ao bico do Moranzel, atracando no Bar do Francês ou no café da Torreira, para um intervalo de descanso. No regresso, quando o vento caía e o céu se enchia de púrpura em poentes de calmaria, traziam o barco à sirga, puxando-o da margem, arranhando os pés no junco por onde fugiam ratazanas. Nesses dias, quando a sorte lhes sorria, apanhavam boleia da lancha da carreira, com a ajuda dos passageiros que pressionavam o piloto, contrariado, a passar-lhes um cabo de reboque.
Aos poucos, foi-se tornando um conhecedor de ventos e marés, hábil em bolinas e cambadelas, velejador cobiçado como proa nas regatas. E no Verão de 65, no Cruzeiro da Ria, conhecera Elisa Medina. A meio de Agosto."

Jorge Seabra in "O cão andaluz"

terça-feira, 23 de setembro de 2008

"Coisa Amar"

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar.Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

Manuel Alegre

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"Ria"

Fotografia que abria o Jornal dos Pescadores na sua edição de Setembro de 1955, com o título "Pesca à taínha na Ria de Aveiro". Foto enviada por João Aldeia.

domingo, 21 de setembro de 2008

"Figueira da Foz - Aveiro"

Ele há dias assim, que prometem e cumprem o que se espera deles. Neste caso, a promessa de um dia agradável foi largamente cumprida e ultrapassada. O convite feito pelo Patrão do "CASVIC" para fazer parte da tripulação na regata Figueira- Aveiro foi como "perguntar ao cego se quer ver.." nas palavras de um ilustre participante. Logo aí a coisa começou a correr bem porque depois de demoradas e complicadas negociações consegui conciliar as minhas obrigações profissionais de maneira a poder estar presente.
A noite da véspera foi passada a bordo, por toda a cabina são aínda visíveis recordações de viagens do antigo proprietário, placas de algumas homenagens que lhe prestaram e que ele, premeditadamente ou não, deixou no barco. Ali fazem mais sentido, um barco com aquele historial deve ostentar os galões.
O dia amanheceu a anunciar chuva e com um ventito Leste que ameaçava desaparecer, e assim foi, depois de uma primeira parte feita a motor até às imediações da linha de largada, quando precisámos dele, ele quase que se recusava a colaborar. A manhã foi assim, vento muito fraco e sempre com tendência a diminuir.
Aproximava-se a hora do almoço e a total ausência de vento levava alguns dos competidores a renunciar à competição e a ligar o motor, enquanto outros aproveitavam para ligar o fogão, anunciando pelo rádio as respectivas ementas e cartas de vinhos..decididamente trata-se bem esta rapaziada da Avela.
Estavamos nós também a tratar do corpo quando, sem avisar, entra um vento simpático de Oeste que ainda fez esvoaçar uns copos e ao que consta, um prato de salada numa das embarcações que mais leva a sério esta questão da alimentação a bordo, a forma como hidratam o corpo é notável!
O vento foi crescendo e até Aveiro foi uma beleza, nem a chuva que entretanto apareceu conseguiu estragar a festa.
Depois de uma entrada na barra sem sobressaltos, os barcos reuniram-se para um desfile e sentida homenagem aos "TALL SHIPS", enormes, majestosos, magníficos.
Os participantes da regata iam passando em comboio, com as tripulações a admirarem estes colossos, buzinando repetidamente, um espectáculo dentro de outro. De repente, sem que alguém esperasse, o nosso "CREOULA" responde-nos na mesma moeda, amplificada à medida do seu tamanho... Lindo!
A caminho da sede da Avela aínda nos cruzámos com um daqueles moliceiros castrados, sem mastro, sem velas e sem ponta da proa, até para ser barco é preciso ter sorte..
Seguiu-se a amarração e barrela das embarcações e quanto a mim, um cafézinho sonhado desde a Figueira.
Claro que os organizadores não deixaram os créditos por mãos alheias e tinham um paladoso jantar para os participantes, comido e bebido com gosto por todos.
Após a entrega de prémios, para alguns o fim de festa, para outros alonga-se a conversa e para outros aínda, é tempo de merecido descanço a pensar já no regresso no dia seguinte à Figueira da Foz. Bela jornada de vela, ao Comandante Cândido e à Inês o meu agradecimento.