Descobri-o há dias pela mão de um amigo, enquanto procurava uma imagem para ilustrar o post anterior, magnífica fotografia. E atrás dessa, apareceram outras que não lhe ficam atrás.
Descobri-o há dias pela mão de um amigo, enquanto procurava uma imagem para ilustrar o post anterior, magnífica fotografia. E atrás dessa, apareceram outras que não lhe ficam atrás.
Antes da ponte da Varela, era aqui o fim da estrada. Do lado de lá, a Torreira, uma pequena aldeia piscatória, isolada por terra e à data só acessível por água. Daqui partiam e chegavam pessoas e mercadorias, fosse a peixeira com a canastra à cabeça para calcorrear as populações vizinhas, o médico para uma consulta do lado de lá ou aínda os primeiros veraneantes que íam a banhos. Ontem, o Sérgio Paulo Silva enviou-me esta foto a que junto o seu comentário.
Mar, metade da minha alma é feita de maresiaSophia de Mello Breyner
No dia 15 de Fevereiro de 1986, sábado, entre as 12H e as 16H, inesperadamente aconteceu a maior tempestade do séc.XX e a maior até à data nos Açores, em que o vento atingiu velocidades de 250 km/h.
Em tempo de Jogos Olímpicos recorda-se um dos maiores, senão o maior regatista da vela ligeira. Participou em 8 Olimpíadas e é, juntamente com Carl Lewis e Al Oerter, o recordista em vitórias consecutivas nos Jogos. Em 1948 em FIREFLY, 52/56 e 60 em FINN.
Uma das mais bonitas frases que ouvi acerca da amizade, ouvi-a do meu pai, referindo-se a um grupo de amigos de longa data, que desde sempre se reuniam no mesmo café, quase sempre na mesma mesa , " eles já pouco falam, já falaram quase tudo, basta-lhes a companhia, a presença dos outros para se sentirem bem". Volta e meia lembro-me da frase, e cada vez mais me revejo nela, cada vez me faz mais sentido, quando uma amizade aguenta o silêncio aguenta tudo. Há dias, em jantar que me propiciaram, a conversa proveitosa e prazenteira fluía, embalada por um tinto nascido em berço D'ouro, que cresceu na medida exacta da conversa.
Depois da chuva da véspera, o dia amanheceu cinzentão, e à medida que a manhã chegava ao fim, ainda não havia sinal de vento ou aragem de qualquer tipo.



Fotografias do arquivo da família Carneiro da Silva. Conjunto admirável de fotografias de época, bastante extenso e de grande qualidade. http://www.prof2000.pt/users/secjeste/arkidigi/C_da_Silva/opcoes.htm

"A chuva veio com fúria e lavou o cais, amassou a areia, balançou os navios atracados, revoltou os elementos, fêz com que fugissem todos aqueles que esperavam a chegada do transatântico. Um homem na estiva disse, ao companheiro, que ia haver tempestade. Como um monstro estranho um guindaste atravessou a chuva e o vento, carregando fardos. A chuva açoitava sem piedade os homens negros da estiva. A chuva passava veloz, assoviando, derrubando coisas, amedrontando as mulheres. A chuva embaciava tudo, fechava até os olhos dos homens. Só os guindastes se moviam negros. Um saveiro virou no mar e dois homens caíram nágua. Um era jovem e forte. Talvez tivesse murmurado um nome naquela hora final. Não era uma praga, com certeza, porque soava docemente na tempestade. O vento arrancou a vela do saveiro e levou-a para o cais como uma notícia trágica. O bôjo das águas se elevou, as ondas bateram nas pedras do cais. As canoas no porto da Lenha se agitavam e os canoeiros resolveram não voltar naquela noite para as cidadezinhas do Recôncavo. A vela do saveiro naufragado caiu no quebra-mar e então se apagaram as lanternas de todos os saveiros, mulheres rezaram a oração de defuntos, os olhos dos homens se estenderam para o mar."
Jorge Amado in Mar Morto