quarta-feira, 16 de julho de 2008

"Moonbeam of Fife"




Construído em 1903 por William Fife, segundo encomenda de Charles Plumtree Johnson para fins desportivos. Em 1920 é vendido a um homem de negócios francês e levado para Cannes. Apesar de ter mudado várias vezes de proprietário, manteve-se sempre com bandeira francesa fazendo o circuito de regatas do Mediterrâneo. Hoje, depois de um exaustivo processo de restauro pela Fairlie Restorations, especialistas na obra de Fife, é um dos que anima o circuito dos clássicos,"La Belle Classe".
Comp.31m /Larg. 4,72 /Calado-3,65 /Área vélica-430m2 / Spinnaker-360m2

domingo, 13 de julho de 2008

"Nortada"

Bela tarde a de sábado, deixando a preguiça espreguiçar-se á medida que o dia vai correndo, o sol convidando á simples contemplação, á conversa que vai escorrendo em torno de uma cerveja convenientemente gelada. Fala-se de Piratas e Piratarias, mas também de viagens, de outros portos, do prazer da partida, de azimutes, de outras gentes, outros lugares e também do prazer da chegada. O sol vai descendo, pescadores regressam ao cais enquanto o tempo passa sem que se dê por ele a passar. A tarde vai caíndo mas a Nortada que nos embala vai soprando, anunciando que voltará no dia seguinte. Fala-se da Ria, pois claro, das navegações, dos Esteiros, dos canais e das impossibilidades de certos passeios, por calados pensados para outras águas.
A tarde vai-se e fica a Nortada, velha amiga que por vezes chateia mas, aos amigos perdoa-se tudo, fazem parte de nós.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"Ria"



Fotografias de Nelson da Silva, amigo, murtoseiro e amante destas coisas.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

"Mar Morto"

"A chuva veio com fúria e lavou o cais, amassou a areia, balançou os navios atracados, revoltou os elementos, fêz com que fugissem todos aqueles que esperavam a chegada do transatântico. Um homem na estiva disse, ao companheiro, que ia haver tempestade. Como um monstro estranho um guindaste atravessou a chuva e o vento, carregando fardos. A chuva açoitava sem piedade os homens negros da estiva. A chuva passava veloz, assoviando, derrubando coisas, amedrontando as mulheres. A chuva embaciava tudo, fechava até os olhos dos homens. Só os guindastes se moviam negros. Um saveiro virou no mar e dois homens caíram nágua. Um era jovem e forte. Talvez tivesse murmurado um nome naquela hora final. Não era uma praga, com certeza, porque soava docemente na tempestade. O vento arrancou a vela do saveiro e levou-a para o cais como uma notícia trágica. O bôjo das águas se elevou, as ondas bateram nas pedras do cais. As canoas no porto da Lenha se agitavam e os canoeiros resolveram não voltar naquela noite para as cidadezinhas do Recôncavo. A vela do saveiro naufragado caiu no quebra-mar e então se apagaram as lanternas de todos os saveiros, mulheres rezaram a oração de defuntos, os olhos dos homens se estenderam para o mar."

Jorge Amado in Mar Morto

segunda-feira, 7 de julho de 2008

"God is in the details"



"God is in the details" - Mies van der Rohe

sábado, 5 de julho de 2008

"Nocturno"

"Um grande fragor abalara as águas vergastadas por uma cauda medonha; vira-se um corpo fantástico descer ao fundo do mar como um cruzador torpedeado. Depois, aninhada e a tremer no fundo da canoa, com as mãos nos ouvidos como se se preparasse para uma batalha naval, Margarida só vira levantar-se um fumozinho dourado da linha girando no choque, correndo nos mitenes de sola que abraçavam as mãos do ti Amaro, desfazendo laças da selha colada à proa, onde jazia acamada e tornada a acamar como um queijo de forma de S.Jorge ou uma grande rosquilha de bodo.
Os homens encarniçavam-se despejando baldes de água nas braçadas da linha desdobrada, para a não deixar arder; um remador, de facalhão nas unhas, preparava-se para cortar aquele cordão umbilical da vida ou da morte, à primeira coca ou excesso de fundura tomado pelo monstro na agonia; a canoa, fina e aguda na água, com as pazinhas aladas como uma vespa suspensa, vogava coroada por grandes salseiros de espuma, de popa quase no céu."
Vitorino Nemésio in "Mau Tempo no Canal"

quinta-feira, 3 de julho de 2008

"Nau Portugal"





Ao tentar saber algo mais sobre a Nau, encontrei estas fotos tiradas durante a Exposição do Mundo Português em 1940.

"Maus Prenúncios"

A Nau "Portugal" foi mais do que este rocambolesco bota-abaixo, aqui fica um link para um completíssimo blog dedicado ao tema, da autoria do Eng. Senos da Fonseca -http://nauportugal.blogspot.com/

quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Mar Sonoro"

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 1 de julho de 2008

sábado, 28 de junho de 2008

les Nuits

"Sábado"

(...) porque hoje é sábado.
e dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado (...) - Vinícius de Moraes

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Verdes anos"


Ria de Aveiro - finais dos anos 60

quarta-feira, 25 de junho de 2008

"Ria de Aveiro"


Ria de Aveiro - meados dos anos 70

"We've all tried to describe what it is that compels us to sail, but it seems ineffable. Sailing is never the same but always sublime. For me, it's a enormous range of extremes, all of them providing a sense of being fully alive. I love the dawn watch offshore when dew falls on the ocean and fills the air with the smell of fresh water. I love those moments in the midst of all hell breaking loose when i realize i am unafraid and competent to keep the boat safe. I love heading off for somewhere far away with a boatload of good friends. I love those wild nights in the trade winds with huge seas and moonlight when the boat roars and trashes and flies along flinging spray. I love being stuck out in weather, good and bad, and seeing endless changes in the sea and sky. I love the wistful feeling of a chilly sail in a small boat in late fall, when i know i should already have put her in the shed." Elizabeth Meyer

terça-feira, 24 de junho de 2008

"Tinkerbelle"



Em 1958, Robert Manry encontrou o "Tinkerbelle" á venda num anúncio de jornal e dois dias mais tarde tinha-o comprado. A partir daí e depois de vários consertos, o barco tornou-se no centro das planificações de férias e tempos livres da família. Em 1964, com o filho de 10 anos faz uma viagem de 200 milhas pelo lago Erie até Ontario, por esta altura já Manry falava em atravessar o Atlântico com um barco de um amigo. Terá sido esta viagem que o convenceu a tentá-lo no pequeno "Tink" de apenas 4 m ! Em 1965 parte de Cape Cod com destino a Falmouth em Inglaterra, numa viagem que demorou 78 dias, entre 1de junho e 17 de agosto. Sobre a fantástica viagem escreveu um livro que se tornou num best-seller. O "Tinkerbelle" descansa agora num museu do Ohio, descanso merecido sem dúvida.

domingo, 22 de junho de 2008

"Alma Nova"

Acabou melhor do que começou o fim-de semana. Sábado, já a adivinhar-se um ventinho mas com um sol convidativo lá arrancámos prá Torreira com a traquitana toda atrás de nós. No espaço de 100 metros tudo se alterava, sobre a Ria havia um muro de nevoeiro, denso, húmido e um vento frescote e pouco agradável. Deu para dar umas voltas, fazer o gosto ao dedo mas sem deixar saudades. No domingo o sol voltou e o vento também, a soprar moderado com algumas rajadas "de grande luxo". É um previlégio fazer-se vela com semelhante cenário.
Um agradecimento á tripulação do Celta Morgana pela forma simpática como me receberam e me deram a provar as águas de Mourisca do Vouga, puras e cristalinas..!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"Guggenheim"


Li ou ouvi algures que a primeira imagem que Frank Gehry teve ao idealizar o Guggenheim de Bilbao foi a de um barco encalhado nas margens do Nervión.
Cada vez que vejo a fotografia de cima não consigo deixar de pensar no museu, semelhanças de dois mundos..
foto do Guggenheim - Arq. Helder Ventura

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"Canção de Ílhavo"

"...Ria sonhadora e esquiva
Que o mar não sabe entender
É ele quem lhe dá vida
No mar ela vai morrer.
Morre o sol lá no poente
Num adeus emocionante
Diz adeus chorando á gente
Beijando o mar soluçante..."

Excerto de um poema do Prof. Guilhermino Ramalheira. Obrigado Marieke

segunda-feira, 16 de junho de 2008

"RIA"

"Laguna ou Ria o que dela primeiramente nos interessa é aquele mar de água e aquelas vistas. Não há aí coração que não arribe, que não trejubile ante aquela paisagem grande e multicolor, a agitação crescente de vida e mais vida. Eu tenho a paixão da Ria. Por vezes ela adormece à brisa, ela toda, a beijar-se de brisas, o moliço de belo verde a vertebrar na ondina, e aquelas ondinas de ria como olhos garços a brilharem de céu e luz, como fontinhas, abrindo-se para a carícia rude dos barcos e para me conduzirem a mim ciumento!..."
"Ontem dormi no meu barco. E, pela manhã, ainda mal a aurora incendiava cirros de primavera, para que fosse o sol e não a chuva a imperar seu dia e já uma sinfonia mansa partia dos charcos, batia fino pelos juncos, roncava nas docas, clamava com a sereia do porto, corria em vozes de gaivotas e ia pianar moderado, abatido, comprimindo-se lá para S.Jacinto, para a Torreira, e para o Furadouro, como se soubesse os meus extâses!...
A minha cama de proa cheirava a marisco.Novamente me deitei para ficar de olhos fechados, a escutar, a ouvir só!...Os ouvidos são mais ricos, mais inundados de vida e de beleza aos sons, quando os olhos se tapam, quando se apaga o cheiro das côres. Sinfonias da ria, nunca mais adormecerei e também nunca mais entreabro meus olhos, que não tenha em meus lábios, como em oração consolada, a expressão contente do amor que me deste. Tudo quanto eu amar, há-de ter a presença, o ensinamento, a moral de amor que a ria me deixou. Há-de ser simultaneamente violento e manso, fascinante e esquivo, cândido e misterioso; há-de ferir como golpe, como coisa que rasga e ao mesmo tempo, na própria dor há-de inebriar tal como um ópio, um vinho, uma doçura, um bálsamo!..."
"Ria ou laguna, como te chamam não importa; a mim o que interessa e a ti me captiva é a soma de quadros de vida, as imagens de beleza e virilidade sadia com que povoaste a minha inteligência, com que enriqueces a alma; a mim o que irresistivelmente me atrai é o teu peixe, o teu moliço, os teus mexilhões; é a estrada sem portagem nem barreiras que ofereces a todo o barco que te sulca as águas; é o lugar ao sol aberto a pobres e ricos, aberto a todos; e é o teu vento que espalha perfumes com sensação de fartura e asseio; como é a tua luz , a tua sedução, a tua beleza, essa arte que tens de agradar a todos os sentidos. A mim o que prende, Ria, é sentir-se a gente homem, plenamente homem, junto de ti!..."
in "Amor à Terra" -Dr. Joaquim Rodrigues da Silva

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"Tabarly"

Trailer do documentário sobre Tabarly, data de lançamento 11/6/08.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Viúvas de Vivos"

"No cais da ribeira, tortuoso canal vindo da ria, àquela hora da tarde ia uma azáfama doida. Nas margens amontoavam-se pilhas de junco, marés de moliço, adobos, tijolos, cascalho, pipas de vinho. Os barcos, de velas arreadas, ou estavam a ser descarregados ou dormiam encostados às margens, cisnes de papos erguidos. Alguns regressavam à ria, empurrados por longas varas fincadas nos ombros largos dos barqueiros, à falta de viragem propícia. Em cima dos carros, de calças arregaçadas ou de calções de estopa, os homens iam ajeitando as engaçadas de junco ou de moliço que as mulheres, em movimentos rítmicos, lhes atiravam para cima. O burburinho enorme, assobios, cantigas, pragas, risadas, perdia-se na amplidão da planície por onde serpenteava o canal até à toalha líquida que se estendia, na direcção do mar, sulcada de mil velas. À esquerda, a terra subia ligeiramente, em campos onde já apareciam vinhedos. Mais além, divisavam-se os contrafortes violáceos das serras. Quase junto aos arrozais, corria, arfando, uma locomotiva, um brinquedo de criança, visto dali. Morria o sol, à direita, sobre o mar, enquanto de todos os inúmeros canais, da ria e da própria terra, ia subindo, diáfano como um véu de noiva, o nevoeiro frio e transparente que os raios do sol a custo rasgavam."
in "Viúvas de Vivos"- Joaquim Lagoeiro

terça-feira, 10 de junho de 2008

"A espuma das noites"




Infelizmente não foi, nem uma festa da espuma nem uma qualquer brincadeira de putos com detergente..muito menos uma situação pontual.
Numa altura em que a Ria de Aveiro é candidata ás sete maravilhas naturais do mundo, fotografias como estas dão que pensar. Não foram fruto do acaso, qualquer frequentador da Ribeira de Pardelhas na Murtosa o poderá confirmar.. menos os distraídos!
A não ser que os Esteiros, que por mero acaso comunicam directamente com a Ria não façam parte da mesma.
Na mesma semana em que a Murtosa inaugurou o novo porto de abrigo para os seus pescadores no cais do Bico, penso que situações como estas só servem para hipotecar ainda mais o futuro dos mesmos e da nossa Ria.

domingo, 8 de junho de 2008

"Hispania"



Em 1985, S.A.R. Don Juan de Borbón fundou a regata "Troféu Almirante Conde de Barcelona" com o intuito de ajudar a preservar barcos que, tendo tido os seus dias de glória, estavam esquecidos ou ao abandono. Alguns anos mais tarde, é criada a Real Fundación Hispania de Barcos de Época, igualmente em defesa do património náutico espanhol.
No início dos anos 90, depois de terem perdido o "TUIGA", que pertencera ao Duque de Medinaceli, para o Yacht Clube do Mónaco, tentam a aquisição do "irmão gémeo" "HISPANIA", que tinha sido mandado construir pelo Rei Alfonso XIII em 1909. Para tal, deslocam-se a Inglaterra onde o barco, em péssimo estado servia de habitação numa praia do sudoeste britânico.
Depois da compra é levado de barcaça até Fairlie, em Shouthampton onde é restaurado pela Fairlie Yacht Restorations.
O "HISPANIA" sendo uma réplica do "TUIGA", foi no entanto construído em Espanha, em Pasajes no país basco, nos estaleiros "Karpard" de quem pouco se sabe.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

À Propos

"Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração." Henri Cartier-Bresson