"We've all tried to describe what it is that compels us to sail, but it seems ineffable. Sailing is never the same but always sublime. For me, it's a enormous range of extremes, all of them providing a sense of being fully alive. I love the dawn watch offshore when dew falls on the ocean and fills the air with the smell of fresh water. I love those moments in the midst of all hell breaking loose when i realize i am unafraid and competent to keep the boat safe. I love heading off for somewhere far away with a boatload of good friends. I love those wild nights in the trade winds with huge seas and moonlight when the boat roars and trashes and flies along flinging spray. I love being stuck out in weather, good and bad, and seeing endless changes in the sea and sky. I love the wistful feeling of a chilly sail in a small boat in late fall, when i know i should already have put her in the shed." Elizabeth Meyerquarta-feira, 25 de junho de 2008
"We've all tried to describe what it is that compels us to sail, but it seems ineffable. Sailing is never the same but always sublime. For me, it's a enormous range of extremes, all of them providing a sense of being fully alive. I love the dawn watch offshore when dew falls on the ocean and fills the air with the smell of fresh water. I love those moments in the midst of all hell breaking loose when i realize i am unafraid and competent to keep the boat safe. I love heading off for somewhere far away with a boatload of good friends. I love those wild nights in the trade winds with huge seas and moonlight when the boat roars and trashes and flies along flinging spray. I love being stuck out in weather, good and bad, and seeing endless changes in the sea and sky. I love the wistful feeling of a chilly sail in a small boat in late fall, when i know i should already have put her in the shed." Elizabeth Meyerterça-feira, 24 de junho de 2008
"Tinkerbelle"

Em 1958, Robert Manry encontrou o "Tinkerbelle" á venda num anúncio de jornal e dois dias mais tarde tinha-o comprado. A partir daí e depois de vários consertos, o barco tornou-se no centro das planificações de férias e tempos livres da família. Em 1964, com o filho de 10 anos faz uma viagem de 200 milhas pelo lago Erie até Ontario, por esta altura já Manry falava em atravessar o Atlântico com um barco de um amigo. Terá sido esta viagem que o convenceu a tentá-lo no pequeno "Tink" de apenas 4 m ! Em 1965 parte de Cape Cod com destino a Falmouth em Inglaterra, numa viagem que demorou 78 dias, entre 1de junho e 17 de agosto. Sobre a fantástica viagem escreveu um livro que se tornou num best-seller. O "Tinkerbelle" descansa agora num museu do Ohio, descanso merecido sem dúvida. domingo, 22 de junho de 2008
"Alma Nova"
Um agradecimento á tripulação do Celta Morgana pela forma simpática como me receberam e me deram a provar as águas de Mourisca do Vouga, puras e cristalinas..!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
"Guggenheim"
quarta-feira, 18 de junho de 2008
"Canção de Ílhavo"
segunda-feira, 16 de junho de 2008
"RIA"
"Laguna ou Ria o que dela primeiramente nos interessa é aquele mar de água e aquelas vistas. Não há aí coração que não arribe, que não trejubile ante aquela paisagem grande e multicolor, a agitação crescente de vida e mais vida. Eu tenho a paixão da Ria. Por vezes ela adormece à brisa, ela toda, a beijar-se de brisas, o moliço de belo verde a vertebrar na ondina, e aquelas ondinas de ria como olhos garços a brilharem de céu e luz, como fontinhas, abrindo-se para a carícia rude dos barcos e para me conduzirem a mim ciumento!...""Ontem dormi no meu barco. E, pela manhã, ainda mal a aurora incendiava cirros de primavera, para que fosse o sol e não a chuva a imperar seu dia e já uma sinfonia mansa partia dos charcos, batia fino pelos juncos, roncava nas docas, clamava com a sereia do porto, corria em vozes de gaivotas e ia pianar moderado, abatido, comprimindo-se lá para S.Jacinto, para a Torreira, e para o Furadouro, como se soubesse os meus extâses!...
A minha cama de proa cheirava a marisco.Novamente me deitei para ficar de olhos fechados, a escutar, a ouvir só!...Os ouvidos são mais ricos, mais inundados de vida e de beleza aos sons, quando os olhos se tapam, quando se apaga o cheiro das côres. Sinfonias da ria, nunca mais adormecerei e também nunca mais entreabro meus olhos, que não tenha em meus lábios, como em oração consolada, a expressão contente do amor que me deste. Tudo quanto eu amar, há-de ter a presença, o ensinamento, a moral de amor que a ria me deixou. Há-de ser simultaneamente violento e manso, fascinante e esquivo, cândido e misterioso; há-de ferir como golpe, como coisa que rasga e ao mesmo tempo, na própria dor há-de inebriar tal como um ópio, um vinho, uma doçura, um bálsamo!..."
"Ria ou laguna, como te chamam não importa; a mim o que interessa e a ti me captiva é a soma de quadros de vida, as imagens de beleza e virilidade sadia com que povoaste a minha inteligência, com que enriqueces a alma; a mim o que irresistivelmente me atrai é o teu peixe, o teu moliço, os teus mexilhões; é a estrada sem portagem nem barreiras que ofereces a todo o barco que te sulca as águas; é o lugar ao sol aberto a pobres e ricos, aberto a todos; e é o teu vento que espalha perfumes com sensação de fartura e asseio; como é a tua luz , a tua sedução, a tua beleza, essa arte que tens de agradar a todos os sentidos. A mim o que prende, Ria, é sentir-se a gente homem, plenamente homem, junto de ti!..."
in "Amor à Terra" -Dr. Joaquim Rodrigues da Silva
sexta-feira, 13 de junho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
"Viúvas de Vivos"
"No cais da ribeira, tortuoso canal vindo da ria, àquela hora da tarde ia uma azáfama doida. Nas margens amontoavam-se pilhas de junco, marés de moliço, adobos, tijolos, cascalho, pipas de vinho. Os barcos, de velas arreadas, ou estavam a ser descarregados ou dormiam encostados às margens, cisnes de papos erguidos. Alguns regressavam à ria, empurrados por longas varas fincadas nos ombros largos dos barqueiros, à falta de viragem propícia. Em cima dos carros, de calças arregaçadas ou de calções de estopa, os homens iam ajeitando as engaçadas de junco ou de moliço que as mulheres, em movimentos rítmicos, lhes atiravam para cima. O burburinho enorme, assobios, cantigas, pragas, risadas, perdia-se na amplidão da planície por onde serpenteava o canal até à toalha líquida que se estendia, na direcção do mar, sulcada de mil velas. À esquerda, a terra subia ligeiramente, em campos onde já apareciam vinhedos. Mais além, divisavam-se os contrafortes violáceos das serras. Quase junto aos arrozais, corria, arfando, uma locomotiva, um brinquedo de criança, visto dali. Morria o sol, à direita, sobre o mar, enquanto de todos os inúmeros canais, da ria e da própria terra, ia subindo, diáfano como um véu de noiva, o nevoeiro frio e transparente que os raios do sol a custo rasgavam."terça-feira, 10 de junho de 2008
"A espuma das noites"



Infelizmente não foi, nem uma festa da espuma nem uma qualquer brincadeira de putos com detergente..muito menos uma situação pontual.domingo, 8 de junho de 2008
"Hispania"


quinta-feira, 5 de junho de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
"Cambria"


Desenhado e construído por William Fife em 1928 para Sir William Berry que o mandou fazer mais por colecionismo e meio de promoção social do que por simples paixão pelos barcos. Entre 1928 e 1934, ano em que Berry o vendeu, o "Cambria" foi sendo penalizado nas regatas em que ia participando fruto de ratings e handicaps pouco claros mas que por mera casualidade iam favorecendo o iate real "Britannia" e o círculo dos mais chegados ao Rei George v.quinta-feira, 29 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
"Bico da Murtosa"
Domingo, passeio pela Murtosa e arredores, " o passeio dos tristes..", não sei quem terá sido o triste que teve a triste ideia de chamar tristes a quem faz tal passeio. Nem quero saber.quinta-feira, 22 de maio de 2008
Olin J. Stephens


No passado dia 13 de Abril, Olin Stephens completou 100 anos. Um século de dedicação aos barcos á vela, pela prática da modalidade mas acima de tudo pelos desenhos que o tornaram no mais conhecido e bem sucedido designer do século xx.terça-feira, 20 de maio de 2008
Enquanto andei por Pardilhó a acompanhar a construção do Almagrande, fui tirando fotografias sem outro intuito senão o de poder recordar a evolução da construção do barco. No entanto, algumas vezes passou por lá o meu amigo Quim Marques, competentíssimo proa da embarcação, munido da máquina de filmar. Fotos e filme andaram esquecidos durante uns meses, até que, durante um fim de semana do último inverno, possivelmente sem nada melhor para fazermos, ajudados por um terceiro elemento,o Moreira, crítico de cinema com elevada reputação no vale do Antuã e arredores, juntámos algumas das fotos e partes do filme em DVD. Ainda em produção, está no entanto quase pronto..foi um parto difícil. O meu obrigado ao Quim, o homem das máquinas e ao Moreira, o Bergman da "Praça do peixe". Aqui fica uma pequena amostra..
"Apontamentos"
"A Ria estende-se em canais, em esteiros, em valas, em fiozinhos de água, dividindo-se e subdividindo-se até ao capilar, entrando pela terra dentro, recortando-a e irrigando-a de água salgada, ou, pelo menos, salobra, e que se vai adocicando à medida que foge do mar e se estende, por aí fora, a servir de espelho a uma lavoura anfíbia que lança a semente ao chão e penteia o fundo lodoso das cales, que surriba terra até sentir os pés encharcados e pesca pimpões nas valas intercalares nos fugidios tempos de lazer.Os longes de água são emoldurados por um debrum delgadinho - topo de planície rasa povoada de casa alapadas - e têm-se a sugestão de que a terra se envergonha e se humilha perante a imensidade da laguna, esfumando-se e diluindo-se no horizonte de encontro ao perfil violeta dos montes das distâncias...
Em certas manhãs, doiradas pelo sol nascente, a Ria parece toda um espelho onde, apenas, um trémulo de evaporação - ténuo e vibrátil - põe um vestígio de movimento ritmado.
E, então, os malhadais, os montes de sal, os palheiros exíguos e pintados a zarcão, duplicam-se, invertidos nas águas quietas onde , de vez em quando, uma gaivota, maleabilíssima e ágil, raspa uma tangente quase imperceptível.
As pálpebras cerram-se sobre a pupila magoada por esta duplicação da luz que se remira no espelho da água e, no silêncio inundado de sol, o chap chap de uns remos, ou o golpe de uma vara que empurram o barco que desliza, põem uma nota fugidia de onomatopeia."
"Apontamentos para um trabalho sobre a paisagem de Aveiro" de Dr.Frederico de Moura
segunda-feira, 19 de maio de 2008
"Bluesy"
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Les Nuits
Adoro ouvir contar estórias, e de contar algumas que se passaram ou vão passando comigo.Acho que aprendi a gostar de Água Castello enquanto ia ouvindo o meu pai e os amigos em longas noites de cavaqueira, eles bebendo uns scotchs e eu, escorropichando o resto das garrafas de água e em silêncio, sem ousar participar das conversas, ouvindo e aprendendo. Em tempos li uma entrevista ao Miguel Sousa Tavares em que ele dizia, por outras palavras, que acordar com a mãe andando pelos corredores da casa ás duas da manhã a declamar poemas não seria uma coisa normal para o comum dos adolescentes. Afortunados aqueles que para além do conforto básico, elementar, lhes é dada a possibilidade de algo mais. Assim, em troca dos meus serviços de barman incipiente, lá ia ouvindo relatos de caçadas ás perdizes nas planuras alentejanas, nas serranias das beiras ou nas fragas doTejo,em que elas "de bico abaixo, pareciam balas",de noites escuras como breu ao candeio na ria, com um olho no peixe e outro nos "marinheiros". Estórias de ventos, de barcos, de cruzeiros da ria, das pessoas e dos seus barcos.
Nortadas rijas e Suladas impiedosas, a transformarem a ria em mar desfeito e a fazerem das travessias prós patos em Monte Farinha ou na Ilha dos Ovos, aventuras merecedoras de serem revisitadas.
Relatos de caça grossa em Angola, estórias de guerra, do encanto de Luanda e das pessoas que por lá se cruzavam. Eu ficava maravilhado com estas noites, autênticos serões da província que alimentavam a minha imaginação e me faziam sonhar.
Falava-se de livros, do Eça, Camilo, Aquilino, Torga e tantos outros, ouvia-se Buarque, Jobim, Brel ou Pink Floyd.
Mas voltava-se sempre á ria, fosse ao errante vôo das narcejas nas praias de junco de Pardilhó ou ás manhãs geladas atrás das Galinholas, de bateira pelos labirínticos canais de Canelas, ou aos duelos entre o "JOÍNHA" e o "ASA NEGRA" na regata da ria.
No fundo, a ria unia, como continua a unir, uma série de pessoas que se separam pontualmente, mas a que todos voltam, quem é da borda d'água raramente deixa de o ser.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
"Velhos Marinheiros"
"Amanheceu um sol de 2 de Julho de tão brilhante e cálido, o céu despejado, o mar como um lençol de aço reluzente cortado pelo orgulhoso Ita de altaneira proa.Quando o comandante saiu do banho e encontrou o café da manhã servido na cabine, o moço de bordo muito solícito a sorrir-lhe, novamente estava de crista erguida e sorvia o ar marinho como nos tempos de suas travessias nas rotas da Ásia e da Austrália. Vestiu a farda branca, trauteando a melodia daquela canção da bailarina Soraia, uma que falava em mar e marinheiros.
Espalhava-se pelas salas, tombadilhos e corredores a característica população daqueles Itas que durante tantos e tantos anos subiram e desceram a costa brasileira, de Porto Alegre a Bélém do Pará. Quando os aviões ainda não cruzavam os céus aproximando as distâncias, encurtando o tempo e retirando às viagens toda a sua poesia e o seu encanto. Quando o tempo era mais lento e menos desperdiçado, menos gasto na sofreguidão inútil de chegar quanto antes, numa avidez de viver tão depressa que transforma a vida numa pobre aventura sem cor e sem sabor, uma corrida, um atropelamento, um cansaço."
em "Os velhos marinheiros" de Jorge Amado
terça-feira, 13 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
"Esteiros"
"-Pai... -O som nem chegou a ser voz. «Pedir o quê? ... Não; não suplicaria uma recusa certa.» Com modos bruscos, falseados, chegou-se ao lume. A mãe entregou-lhe o caldo requentado e ele comeu. Depois, procurou o boné sem pala, atirou para as costas o saco dos aviamentos que o pai lhe estendera, e foi-lhe na cola, sem palavra.Sob os seus passos entorpecidos, a junça orvalhada do esteiro rangia. O barco, ao largo, parecia um navio fantasma de certa fita do cinema. E as estrelas do Sagui lucilavam no céu, como pirilampos em noite de Agosto. «Tinha sorte o Sagui. Dormia a sono solto, fazia o que lhe dava na gana... Enquanto ele, a horas mortas, morto de sono, ia a caminho da prisão.» O frio enregelava-lhe o corpo e a vontade.
-Pega nos remos pra aquecer- ordenou o pai
Poisou os aviamentos, sentou-se, e a bateira deslizou mansamente, direito ao bote, embora nos braços vencidos do Gineto faltasse jeito e ânimo. Nos toletes, os remos feriam as águas e o silêncio- gemiam por ele... Por fim atracaram. O rapaz pôs o pé no bote; mas o olhar ficou-lhe cá fora, em busca da liberdade perdida. Todo o seu ser cativo, menos os olhos."
Do livro "Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes
sábado, 10 de maio de 2008
Les nuits
" Distingo um fundo muito roxo - o recorte dos montes. Aqui a ria mais larga, aumenta ainda e divide-se, de um lado até Ovar, do outro até Salreu. E além, e além... casinhas num reprego da encosta, onde apetece viver, perdidas no mundo e esquecidas do mundo. Mesmo à beira de água e reflectida na água a Murtosa aureolada de oiro: algumas casas brancas reluzindo, algumas árvores muito verdes em contraste e um canalzinho de abrigo para os barcos estranhos, com o leme estrambólico atravessado por um pau. Aconchego e sol. A fantástica esquadrilha desdobra-se na água que estremece, menos em certos veios que ficam lisos de propósito para reflectirem os mastros num sarrabiobisco até ao fundo.Agora o barco encalhou e a água está dourada até onde a vista alcança. Deixo-me ficar, olhando para o fundo da areia. A meu lado há um verde que nenhuma paleta pode dar, um verde vivo, um verde trespassado da luz que se coa pelos canaviais e todo se arrepia à superficie do veio, ao mexer das quatro tábuas do barco, para enfim parar absorto no silêncio. Bóia aqui nestas águas uma alma entontecida, humilde e tímida tão ténue que pode desaparecer num sopro de um momento para o outro.Eixiste mas não se sabe bem que existe. É quase nada. Um fio de oiro, silêncio, um reflexo de luz...Andem devagarinho com o barco - não vamos nós assustá-la."
quinta-feira, 8 de maio de 2008
"Ninguém aqui vem que não fique seduzido, e noutro país esta região seria um lugar de vilegiatura privilegiado. É um sítio para contemplativos e poetas: qualquer fio de água lhes chega e os encanta. É um sítio para sonhadores e para os que gostam de se aventurar sobre quatro tábuas, descobrindo motivos imprevistos. É-o para os que se apaixonam pelo mar profundo e para os medrosos que só se arriscam num palmo d'água - porque a ria é lago e mar ao mesmo tempo. Com meios muito simples, um saleiro e uma barraca tem-se uma casa para todo o verão. Pesca-se. Sonha-se. Toma-se banho. E esquece-se a vida prática e mesquinha. Dorme-se ao largo, deitando-se a fateixa ou abica-se o areal: um fuguaréu, uma vara, a caldeirada...Começam a luzir no céu e na ria ao mesmo tempo miríades de estrelas. Vida livre dalguns dias, de que fica um resíduo de beleza que nunca mais se extingue.
É a ria também sítio para os que querem descobrir novas terras à prôa do seu barco e para os que amam a luz acima de todas as coisas. Eu por mim adoro-a.
É-me mais necessária que o pão. E é esse talvez o ponto da nossa terra onde ela atinge a beleza suprema. Na ria o ar tem nervos. A luz hesita e cisma e esta atmosfera comunica distinção aos homens e às mulheres e até às coisas, mais finas na claridade carinhosa, delicada e sensível que as rodeia. A luz aqui estremece antes de pousar..."
Do livro "Os Pescadores" de Raul Brandão
"O Velho e o Mar"
"O rapaz voltou com as sardinhas e as iscas embrulhadas num jornal, e desceram até ao esquife, sentindo debaixo dos pés a areia com seixos, e pegaram no esquife e meteram-no no mar.-Boa sorte, meu velho.
-Boa sorte - respondeu o velho. Enfiou as amarrações de corda dos remos nos toletes e, debruçando-se contra a resistência das pás na água, começou a remar na treva para fora do porto. Havia barcos de outras praias saindo para o mar, e o velho ouvia-lhes o mergulhar e o impulso dos remos embora não pudesse vê-los, com a lua já posta atrás dos montes.
Às vezes,num barco alguém falava. Mas a maior parte dos barcos ia silenciosa, a excepção do mergulhar dos remos. Dispersaram-se, uma vez chegados à embocadura do porto, e cada qual aproou à parte do oceano em que esperava encontrar peixe. O velho sabia que ia muito para o largo, e deixou para trás o cheiro de terra e remou para o lavado e matinal cheiro do oceano."
Ernest Hemingway in " O Velho e o Mar "











