quarta-feira, 7 de maio de 2008

"Velsheda"




Construído em 1933 por Camper & Nicholson para W.L.Stevenson. Foi o único dos 10 J-class construídos de raíz a ser feito sem o intuito de participar na Taça América.Entre 1933 e 1936 participou e venceu inúmeras regatas em Inglaterra contra barcos como "Shamrock v", o iate real "Britannia" ou "Endeavour". Nos anos 90, jazia em Gosport, depois de algumas tentativas falhadas de recuperação por falta de verbas.Entre 1996/97 foi recuperado pelo actual proprietário sendo agora um dos que participam nas principais regatas de clássicos, fazendo recordar velhos duelos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Vouga "Cuca"



No cruzeiro da ria de 2003 ou 2004, dois barcos ficaram-me no olho pela beleza das suas linhas e equilíbrio de formas, um foi o "CUCA" e o outro o "ZINDA".Durante o jantar de entrega de prémios, fui ter com a tripulação do"CUCA", dei-lhes os parabéns pela vitória e sobretudo pelo barco, que não conhecia e que tinha achado lindíssimo.Quando comecei esta brincadeira do blogue,não descansei enquanto não pedi ao Miguel Paião, leme do barco, que escrevesse umas linhas sobre ele.
À equipa do "CUCA",os meus agradecimentos.
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"Em boa hora o Fernando São Marcos, actual proprietário da embarcação, decidiu mandar recuperar o então "ROSINHA"que esteve quase a ir para lenha como já aconteceu a tantos belos exemplares que a nossa ria acabou por perder e que tenho a certeza que ainda hoje seriam barcos muito bonitos e elegantes. Estavamos então em 2002.
Em agosto de 2003 o Juca veio convidar-me para fazer tripulação com ele e com o Fernando,para irmos ao cruzeiro da ria,...no "CUCA",convite esse que aceitei de imediato e de bom grado pois a rapaziada era boa e divertida.
Obviamentente que em termos competitivos as coisa não se previam fáceis,pois a concorrência era forte e bem apetrechada...mas lá fomos.
Desde aí até 2006, altura em que concretizei um dos meus sonhos, ter o meu próprio barco, o "Rasteirinho"como carinhosamente lhe chamamos, proporcionou-nos momentos fantásticos de vela que jamais esquecerei.Com mais uns toque daqui,mais uns dacolá,lá ia-mos conseguindo levar o velhinho "CUCA"a bons resultados, que desde já peço desculpa por algumas esticadelas mais violentas mas que ele se aguentou firme apesar de algumas "gemidelas".
Durante estes três anos o "CUCA"passou a fazer parte dos potênciais ganhadores.É um barco que navega muito bem à pôpa rasa, é muito estável, um pouco desiquilibrado de leme e na bolina é onde é menos bom, pois o grande problema está no seu pontal que fácilmente nos faz embarcar água à força toda.Mesmo nas mareações a favor do vento e com um pouco de maróla, ele não deixa a tripulação descançar, pois temos que estar bem atentos às afocinhadelas que ele nos prega que nem o quebra-mar nem a borda-falsa nos sáfam de nos socorrermos ao Bartedouro.
Enfim,um barco com características um pouco particulares mas de uma beleza e elegância únicas que aqui descrevo nestas breves linhas e que espero que o seu proprietário mantenha sempre em bom estado de conservação.
Sei que este barco foi construído no final da década de 30, inicialmente se chamou "ALBERTO", mais tarde foi vendido a uma família de Aveiro de apelido Guimarães e em 1963 foi adquirido pelo avô do actual proprietário passando a chamar-se "ROSINHA".
Bons ventos,
Miguel Paião."

"I want a Reliance"




" They tell me i have a beautiful boat.I don't want a beautiful boat.What i want is a boat to lift the cup - a Reliance. Give me a homely boat, the homeliest boat that was ever designed, if she is as fast as Reliance."
Desabafo de sir Thomas Lipton,depois de ter sido vencido na sua terceira participação na Taça América.
Desenhado e construído por Herreshoff para um sindicato que incluía nomes como, J.P.Morgan, Cornelius Vanderbilt e William Rockfeller, é talvez o barco mais espantoso que disputou a Taça.Expressão máxima da rivalidade entre os dois países na tentativa de conquista da prova, os números do Reliance falam por si : Comp.43,79m, Larg.7,88m, calado 6m, deslocamento 175 ton., altura do mastro 46m, retranca 34,89m, área vélica 1501m2, tripulação 64.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Les Nuits

5.57h.-O cipreste, lá fora,quedo e mudo nem se mexe.Estava pr'aqui a ouvir umas modinhas brasileiras e não posso deixar de levantar o meu copo num brinde sentido e agradecido,ao grupo de amigos verdadeiramente intemporais,The boys from Ipanema.
Numa reverencial vénia à "Alma mater";

"Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
pinto um barco a vela branco navegando,
é tanto céu e mar num beijo azul.."

domingo, 27 de abril de 2008

"Arte da linha"

"No frágil bote de pouco mais de dois metros, aquele solitário pescador, de pé, como dedo especado a apontar o infinito, Deus se possível, era a imagem de um condenado contra quem é cometido erro judiciário e, no derradeiro momento de seguir para a expiação sem culpa, inconformado, mas impotente, aponta silenciosamente na direcção do seu impávido juíz; mas também lembrava o poder de um soberano, senhor de um feudo, ao qual arrancava pela força dos braços, da experiência e da sorte, o sacio das bocas ávidas que lhe haviam ficado na pátria distante." (...)

"E daí a pouco, arrumado o «estrafêgo», de vela em cima ou a remadas vigorosas, era vê-lo sumir-se no horizonte por vezes a tais distâncias que nem binóculos categorizados o iam buscar; lá ia, ora sobre águas plácidas ora, a maior parte das vezes, sobre mar revolto, lá ia, em boa ou má hora, à sua sorte, em demanda do seu pesqueiro, numa detecção irreal apenas orientado por um sexto sentido que teimava em pertencer aos eleitos, às primeiras linhas..."
in "30 anos de Pesca do Bacalhau"-Asdrúbal Capote Teiga

terça-feira, 22 de abril de 2008

"Ah,your Majesty,there is no second.."



As dez horas da manhã do dia 22 de agosto de 1851,tinha sido dada a partida para uma regata em torno da ilha de Wight,organizada pelo Royal Yacht Squadron ,apelidada de 100 guinea cup e a primeira a ser disputada entre barcos britânicos e americanos.Ao final do dia,a aparentemente ansiosa Rainha Vitória,terá,alegadamente perguntado se já se viam os barcos,ao que alguém terá respondido"apenas a América..".Mandada construir por um grupo de entusiastas do recém criado New York Yacht Club,foi desenhada por George Steers e construída por William H.Brown.Depois de ganhar a imortalidade,ao vencer os 14 barcos britânicos no percurso de 53 milhas,foi vendida a um Lord irlandês,vendida e revendida de novo,esteve ao serviço do Sul e do Norte na guerra civil americana e depois de anos como iate particular,é comprada por subscrição pública e entregue à Academia Naval norte americana em Annapolis.Em 1912,o abrigo onde tinha sido colocada,cai devido a uma tempestade,esmagando a América.
Verdade ou mito,naquele dia de 1851,a Rainha teria perguntado qual era o segundo barco e a resposta ficaria para sempre associada à Taça América.Curiosamente,na taça estão inscritos os nomes de 13 barcos que competiram nesse dia,todos menos o de "AURORA",o barco que ficou em segundo lugar.Premeditado ou não,aumentou o peso da frase "Ah,your Majesty,there is no second..".

les Nuits

"Eu nasci (...)ao que suponho na proa de alguma bateira,fui baptizado, à mesma hora, nas águas da nossa ria, abriram-se-me os ouvidos ao som cadencioso dos remos no mar, ao pio estrídulo das famintas gaivotas, ao praguejo inocente dos pescadores. Encheu-se-me o peito, à nascença,do ar salgado da maresia (...). Nós (...) somos feitos, dos pés à cabeça, de ria, de barcos, de remos, de velas, de montinhos de sal e areia, e até de naufrágios.Se nos abrissem o peito, encontrariam lá dentro um barquinho à vela (...). Assim (...), com os beiços a saber a salgado, a pingar gotas de ria por todo o corpo, por toda a alma,eu sou uma nesga, embora minúscula, desta deliciosa aguarela (...),eu sou um pedaço da nossa terra".
D.João Evangelista de Lima Vidal - 1952
excerto retirado do livro de Alexandra Farela Ramos - Murtosa-fotomemória 2

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Harold S."Mike"Vanderbilt





MR.J Class,quase que podia ser a sua alcunha,tal o domínio que "Mike"Vanderbilt teve na Taça América enquanto reinaram os magníficos Jclass.Participou em tês edições da taça,1930/34/37,sendo o primeiro vencedor a tripular o próprio barco.Na edição de 1930,tipulando o "ENTERPRISE" derrotou o "SHAMROCK 5" por 4-o.Em 1934,com "RAINBOW"esteve perto de perder a taça para um barco que era considerado melhor,o "ENDEAVOUR"mas depois de um mau início,conseguiu vencer por 4-2.Em 1937,tripulando "RANGER",a superioridade era tal que os adversários consideravam como vitórias..os segundos lugares.Depois da segunda guerra mundial,tipulando "VIM"12mr,seria finalista entre os "challengers"americanos,tendo perdido para o "COLUMBIA".
fotos.de cima para baixo-"Mike"Vanderbilt/"Rainbow"/"Enterprise"/"Vim"

domingo, 20 de abril de 2008

Far away,so close

"...Pois nós que brigamos com o mar,oito a dez dias a fio numa tormenta,de Aveiro a Lisboa,e eles que brigam uma tarde com um toiro,qual é que tem mais força..."Almeida Garrett in Viagens na minha terra.
Aqui,a tripulação do VELSHEDA executa uma pega de cernelha ao estai,semelhanças de dois mundos.

"Cenário"

Há segredos que se querem bem guardados,coisas e lugares de que gostamos tanto que por vezes os queremos só para nós.Não é o caso,não é segredo nenhum e merece todo o apoio e divulgação que se possa dar.Um grupo de amigos da zona de Ovar,um antigo armazém de sal em Válega,o carinho pelos barcos de madeira e pela Ria de Aveiro,vão fazendo com que a memória perdure.Aos fins de semana,entre tábuas,tintas e vernizes vão pondo a conversa em dia enquanto recuperam barcos que pareciam ter os dias contados.
Aqui deixo um abraço a todos e o desejo de bons ventos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

"The Hajen"





Em finais dos anos 20,à semelhança dos noruegueses,os finlandeses procuravam um barco que fosse ao mesmo tempo,acessível a um maior número de pessoas,que podesse ser utilizado tanto por jovens como por mais idosos e que fosse agradável,seguro e simples de tripular,tanto em regata como em passeio.Gunnar l. Stenbäck aceitou o desafio e desenhou o HAJ,que teve sucesso assinalável,tanto na Finlandia como noutros países bálticos.Em meados dos anos trinta,foram exportados 100 barcos para França,onde se tornaram bastante conhecidos e apreciados.Os franceses,além de lhe terem mudado o nome para "REQUIN",permitiram que fossem construídos barcos em fibra de vidro,algo que não seria possível no país de origem.
Ambos os países continuam a ter regatas regularmente e respectivos campeonatos nacionais,mas a ausência de uma associação internacional da classe,permitiu ainda aos "REQUINS"o aumento da área vélica e a utilização de mastros e retrancas em alumínio.
comp.9,60m/larg.1,90m/área vélica-21m2/spinnaker-35m2

domingo, 13 de abril de 2008

Johan Anker-"master of lines"






Johan Anker-1871-1940.Designer e desportista de grande qualidade,funda em 1905 o estaleiro Anker & Jensen que seria internacionalmente conhecido pela qualidade dos barcos aí produzidos.Para tal,ajudou decerto as três participações de Anker nos Jogos Olímpicos,em 1908 com o 8mr "FRAM"seria quarto,em1912 com o 12mr "ROLLO" e 1928 com o 6mr "NORNA" seria medalha de ouro.Em 1928,o Royal Gothenburg yacht club lança um concurso entre os desenhadores noruegueses,para um barco mais pequeno, barato e acessível aos mais jovens.Anker ganha o concurso com o "DRAGÃO" que rápidamente se torna conhecido pelas excelentes qualidades velejadoras.Primeiro na Escandinávia e norte da Europa,a popularidade do "DRAGÃO"foi aumentando e em 1948 é escolhido como classe Olímpica.Curiosamente,quando se esperava que a classe entrasse em declínio,á semelhança de outras que deixaram de ser classe Olímpica,o "DRAGÃO"aumentou desde 1972,o numero de embarcações registadas.
fotos.de cima para baixo-"Cotton Blossom"- Q5class,DRAGÃO,"THÉA"-12mr,"COTTON BLOSSOM"

quinta-feira, 10 de abril de 2008

" Avril au Portugal "


Fim de semana quase perfeito;sol,vento na conta exacta para umas voltas descontraídas a tirar o mofo ás velas e,de vez em quando,a soprar mais forte para garantir a emoção.Maré cheia,sem aqueles "aceleras"que costumam frequentar a Ria em épocas mais estivais,apenas dois ou três barcos á vela e meia dúzia de canoístas em louvável esforço competitivo.Ainda nos cruzámos com o "Bruma" do Avela que pacificamente rumava a sul.Fim de semana perfeito,que nada fazia antever a trabalheira que iríamos ter no início da semana para tirar o barquinho da água..mas,"quem quer festa sua-lhe a testa".
fotos-João Vidal Lemos

domingo, 6 de abril de 2008

"le mutilé de l'océan"

Uma ilustre visitante aqui do blogue"levantou a lebre" e bem,porque uma história desta envergadura deve ser relembrada.Assim sendo,aqui ficam umas linhas breves sobre a extraordinária vida deste homem.

Desde a idade dos quinze anos,Blackburn navegou em longo curso,e,durante seis anos,andou a bordo de veleiros ingleses e americanos.Em 1879,possuindo já uma boa experiência de mar,fixou-se em Gloucester e dedicou-se á pesca do alto.No ano de 1883,era marinheiro a bordo do palhabote Grace L. Fears e na manhã de 25 de fevereiro,embarcou no seu dóri com o companheiro habitual,Tom Welch,para ir levantar as linhas.O tempo estava calmo e o mar chão.Ainda não estavam recolhidas metade das linhas,a brisa que entretanto se tinha levantado,aumenta progressivamente de intensidade até ser de tempestade,acompanhada de uma neve espessa e densa.Com uma visibilidade de poucos metros,perdem-se do palhabote e não lhes resta outra alternativa que continuar a remar em direcção a ocidente,contra um mar agitado e um frio cortante.O pequeno dóri cobria-se de gelo em quantidade tal que foi necessário lançar ao mar todo peixe capturado para aliviar a embarcação.O frio era tal que Blackburn fica com as mãos completamente geladas,dobrou os dedos em volta do punho de um remo e passados vinte minutos tinha-as petrificadas mas de uma forma que lhe permitia continuar a remar.
A tempestade não dava sinais de amainar,vagas enormes obrigavam os náufragos a esvaziar constantemente o barco,a fadiga,a fome e a sede vencem Tom Welch;ao amanhecer,Blackburn dá com ele frio e rígido,coberto com uma camada de gelo.Ao sexto dia avista terra mas as suas mãos estavam irremediavélmente perdidas,no espaço de dois meses,todos os seus dedos caíram uns após os outros.Do mesmo modo perdeu os dedos dos pés e metade do pé direito.Quando toda gente julgava que os dias de mar tinham terminado para Blackburn,decide fazer a travessia entre Gloucester nos Estados Unidos e Gloucester em Inglaterra,demoraria 61 dias.Em 1901,lança um desafio nos jornais,a todos os navegadores solitários americanos para uma regata entre Gloucester e Lisboa.Sem mais participantes,decide fazer a travessia contra-relógio no Great Republic.Trinta e nove dias depois,entrava no Tejo.

sábado, 5 de abril de 2008

"Centennial" Johnson

Em 1876,ano em que os Estados Unidos comemoravam o centenário da Independência,as grandes cidades rivalizavam em engenho para para festejar a data,várias delas organizaram exposições onde seriam apresentadas as últimas realizações do espírito e do trabalho yankee.Os marinheiros não queriam ficar atrás,até que alguém propôs:um barco que fizesse a travessia do Atlântico com um só homem.
Alfred Johnson,um pescador de bacalhau à linha,habituado aos caprichos do Atlântico Norte,propõe-se a faze-lo no barco que conhecia melhor, sabendo-o capaz de aguentar com qualquer tempo;um Dóri.No pequeno dóri de cinco metros foi montado um tecto sob o qual o pequeno espaço conseguido constituia um porão e não um alojamento.Aparelhou-o com tudo o que conseguiu;quadrangular latina,traquete,vela de giba e uma vela de ré para o vento de popa.Partiu de Gloucester no dia 15 de junho de 1876,tendo feito uma primeira escala em Shake -Harbor na Nova Escócia,o que lhe permitiu experimentar o barco e dez dias mais tarde parte para Inglaterra.Johnson não era muito falador e os pormenores da viagem não abundam limitando-se aos factos mais salientes da navegação.Dos seus estados de alma,dos pequenos problemas que vão surgindo nada dirá.Quando se dormiu enrolado no capote de oleado,entre peixe,num dóri perdido na bruma,na chuva gelada ou na neve dos bancos,todo o resto são pormenores menores.No dia 2 de Agosto de Agosto,apanha uma tempestade a 300 milhas da Irlanda que lhe volta o barco,a leveza do dóri,que era o maior dos seus problemas aqui é uma ajuda preciosa.Johnson consegue voltar o barco,esvaziá-lo e continuar viagem.A 10 de Agosto entra no porto de Abercastel após 46 dias de mar.Pela primeira vez um homem sozinho tinha atravessado o Atlântico.Como o seu destino era Liverpool,larga dois dias mais tarde tendo chegado a 17 de Agosto de 1876.
Em breve o feito seria esquecido e Johnson continuaria a pescar bacalhau.
Com mais de 80 anos,por volta de 1930 era ainda chamado amigávelmente de "Centennial Johnson"
in "Os Navegadores Solitários"-Jean Merrien

quinta-feira, 3 de abril de 2008

On the road



Aproveitando o mote do "post" anterior,aliado à minha falta de imaginação,transcrevo um prefácio de John Steinbeck de que gostei muito.

"Quando eu era muito novo e sentia em mim o impulso irreprimível de estar em quaquer outro sítio,foi-me assegurado que a maturidade curaria esse desejo ardente.Quando os anos me indicavam como amadurecido,o remédio prescrito foi a meia-idade.Na meia-idade,asseguram-me que uns anos mais acalmariam a minha febre,e agora,que tenho cinquenta e oito ,talvez a senilidade o consiga.Nada surtiu efeito.Quatro sopros roufenhos do apito de um navio ainda arrepiam o cabelo da minha nuca e põem os meus pés a sapatear.O som de um avião de jacto,de um motor a aquecer,até o bater de cascos ferrados no pavimento,provocam o antigo estremeção,a boca seca e olhar vago,o calor das palmas das mãos e a agitação violenta do estômago,aos pulos sob a caixa das costelas.Por outras palavras,não melhoro,ou,indo mais longe,quem foi vadio é sempre vadio.Receio que a doença seja incurável.."
"Descobrimos após anos de luta que não escolhemos um passeio;o passeio é que nos escolhe a nós.Linhas mestras da volta,horários,marcações,descaradamente obrigatórios e inevitáveis,fazem-se em fanicos de encontro à personalidade do passeio."
"Agora sinto-me melhor,tendo dito isto,embora só aqueles que o experimentam possam compreendê-lo."

John Steinbeck-Viagens com o CHARLEY

segunda-feira, 31 de março de 2008

Bruce Chatwin

"Mas eu cantei «Hark the Herald Angels Sing» em galês,numa capela remota no Dia de Natal,comi tarteletes de limão com um velho escocês que nunca esteve na Escócia,mas que fez as suas próprias gaitas-de-foles e veste um kilt para jantar.Fiquei em casa de uma ex-diva suiça que casou com um camionista sueco e que vive no mais remoto dos vales de toda a Patagónia,tendo decorado a casa com murais do lago Genebra.Jantei com um homem que conheceu Butch Cassidy e outros membros do bando Black Jack.Brindei à memória de Luis da Baviera com um alemão cuja casa e estilo de vida estão mais de acordo com o mundo dos irmãos Grimm.Discuti a poética de Mandelstam com uma médica ucraniana sem as duas pernas.Vi a estancia de Charles Milward e fiquei instalado com os peões,bebendo mate até às 3 da manhã..."
in- Bruce Chatwin's biography

terça-feira, 25 de março de 2008

" The Twelves "



Classe criada em 1907,baseada numa fórmula matemática em que o resultado final teria de ser igual a doze metros,o que daria origem a várias interpretações consoante os valores em equação.Os barcos variavam entre os 60 e os 70 pés entre outras medidas que incluíam,largura,altura do mastro,calado e área vélica.Participaram nos Jogos Olímpicos de 1908/12/20,tendo tido uma visibilidade maior ao serem escolhidos para a Taça América.Seria não só uma época de mudança nos barcos mas também o fim de uma época em que FIFE,NICHOLSON,ANKER e HERRSHOF foram o expoente máximo em design náutico.Entre 1958 e 1987 tiveram direito ao palco maior da vela de competição.Barcos de inegável beleza que continuam a ter enorme popularidade entre os amantes dos clássicos

sexta-feira, 21 de março de 2008

Cais da Ribeira

Sr.José,faz-me um Vouga?Disse-me que sim e que me iria fazer um desenho!Passados dois ou três dias presenteou-me com uma maquete á escala 1/10,dizendo-me;"...leve para casa,veja bem e ponha defeitos..."Assim fiz,passei um fim de semana a tentar encontrar pontos que não me agradassem tanto,tendo-a entregado como a tinha recebido."E mesmo isto sr.José,não mexa em nada...".Hoje,depois da obra feita,teria modificado um pormenor..erros na interpretação das escalas...
E faze-lo como,e com quê?A minha ideia inicial era ele ser construído em Cedro Brasileiro,cavernas em Freixo e rebitado a Cobre como era usual...trinta anos antes!
"nem diga uma coisa dessas que ainda nos mandam prender.."brincava o mestre Zé,"..eu já nem sei onde tenho o caldeiro..." infelizmente tinham deixado de fazer as cavernas dos barcos cozendo ao vapôr e vergando a madeira,que depois de seca e colocada no sitío,dava aos barcos uma rigidez estrutural óptima.Também tive que abandonar a ideia do Cedro porque depois de milhentos telefonemas e pesquisas na net,não conseguia arranjar mais do que meia dúzia de tábuas manhosas ou Cedro nacional cheio de nós.Optámos então por fazer toda a parte estrutural do barco em Carvalho Francês e o casco em Tola,que por serem mais fáceis de encontrar nos davam mais possibilidades de escolha.Nos pontos sujeitos a esforços mais violentos,utilizaram-se madeiras mais rijas,Carvalho,Cambala e Faia.No convés,para dar algum contraste e quebrar a monotonia da Tola usou-se Mogno.
Ao longo de quase nove meses corri para Pardilhó,quase diariamente,onde me deliciei com a qualidade do trabalho dos Mestres,quem conhece o sítio e as pessoas,sabe do que falo.Sessenta e muitos anos de experiência,de conhecimentos adquiridos,de paixão pelo bem feito,pelo pormenor e sobretudo pela qualidade de construção.Nove meses que ampliaram a minha admiração por estes homens que com ferramentas que muitos achariam arcaicas,continuam a fazer de um monte de tábuas,os sonhos de outros.

quarta-feira, 19 de março de 2008

" Mariquita "




Desenho e construção William Fife -1911 / comp.-38m larg.-5,30m área vélica-585m2
Mais um,aqui no cantinho da devoção ao "estirador"de Fife...

domingo, 16 de março de 2008

Mau Tempo no Canal

Durante quinze anos fui cavaleiro profissional,desbastando,trabalhando e apresentando dezenas de cavalos das mais variadas raças,cores e feitios.Quis o destino,e os resultados que ia conseguindo que me dedicasse mais aos nossos lusitanos,que nem caíam muito nas minhas preferências visto serem pouco atléticos e por isso menos capazes para certo tipo de desportos equestres.No entanto apanhei uma época de mudança,em que alguns criadores começaram a utilizar reprodutores visando unicamente uma melhoria dos aspectos funcionais,negligenciando por vezes o maior atributo da raça,a sua beleza.O balanço foi negativo porque as melhorias funcionais não conseguiram fazer esquecer a falta de beleza dos mesmos.Isto a propósito de quê?Assiste-se nos dias que correm a um interesse renovado pelos "VOUGAS",barcos que estavam esquecidos há muito são restaurados,outros feitos de raiz,dando visibilidade a uma classe que parecia condenada á extinção.No entanto,a ausência de regulamentos e a "campeonite" deram origem a interpretações que visam unicamente o aumento das performances dos barcos sem respeitarem as suas características fundamentais.Desde o aumento desmesurado da área vélica,alterações ao formato dos cascos,permissão à construção de barcos que não nos materiais tradicionais,têm transformado um barco de recreio numa máquina de regatas em que os fins justificam os meios.Assim como nos "LUSITANOS" em que excessos estavam a conduzir a uma descaracterização da raça,temo que o mesmo se esteja a passar com os "VOUGAS".

sábado, 15 de março de 2008

Charlie Barr




Foi durante 97 anos o recordista da invencibilidade na Taça América,até aparecer um tal de Russell Coutts..!Criando em Inglaterra uma reputação de "skipper" ganhador,é contratado em 1899 por J.P.Morgan para tripular o seu barco "COLUMBIA" na defesa da taça.Adopta a nacionalidade americana e participa em mais duas edições da prova,nunca perdendo qualquer regata.Relatos da época exaltam a facilidade com que Barr tripulava aquelas "Flying Beasts",o conhecimento perfeito dos seus barcos,assim como os dos adversários.Em 1905,tripulando a escuna "ATLANTIC" faz a travessia entre os Estados Unidos e Inglaterra em 12 dias e 4 horas,record que duraria 75 anos.