Adoro ouvir contar estórias, e de contar algumas que se passaram ou vão passando comigo.Acho que aprendi a gostar de Água Castello enquanto ia ouvindo o meu pai e os amigos em longas noites de cavaqueira, eles bebendo uns scotchs e eu, escorropichando o resto das garrafas de água e em silêncio, sem ousar participar das conversas, ouvindo e aprendendo. Em tempos li uma entrevista ao Miguel Sousa Tavares em que ele dizia, por outras palavras, que acordar com a mãe andando pelos corredores da casa ás duas da manhã a declamar poemas não seria uma coisa normal para o comum dos adolescentes. Afortunados aqueles que para além do conforto básico, elementar, lhes é dada a possibilidade de algo mais. Assim, em troca dos meus serviços de barman incipiente, lá ia ouvindo relatos de caçadas ás perdizes nas planuras alentejanas, nas serranias das beiras ou nas fragas doTejo,em que elas "de bico abaixo, pareciam balas",de noites escuras como breu ao candeio na ria, com um olho no peixe e outro nos "marinheiros". Estórias de ventos, de barcos, de cruzeiros da ria, das pessoas e dos seus barcos.
Nortadas rijas e Suladas impiedosas, a transformarem a ria em mar desfeito e a fazerem das travessias prós patos em Monte Farinha ou na Ilha dos Ovos, aventuras merecedoras de serem revisitadas.
Relatos de caça grossa em Angola, estórias de guerra, do encanto de Luanda e das pessoas que por lá se cruzavam. Eu ficava maravilhado com estas noites, autênticos serões da província que alimentavam a minha imaginação e me faziam sonhar.
Falava-se de livros, do Eça, Camilo, Aquilino, Torga e tantos outros, ouvia-se Buarque, Jobim, Brel ou Pink Floyd.
Mas voltava-se sempre á ria, fosse ao errante vôo das narcejas nas praias de junco de Pardilhó ou ás manhãs geladas atrás das Galinholas, de bateira pelos labirínticos canais de Canelas, ou aos duelos entre o "JOÍNHA" e o "ASA NEGRA" na regata da ria.
No fundo, a ria unia, como continua a unir, uma série de pessoas que se separam pontualmente, mas a que todos voltam, quem é da borda d'água raramente deixa de o ser.








Construído em 1933 por Camper & Nicholson para W.L.Stevenson. Foi o único dos 10 J-class construídos de raíz a ser feito sem o intuito de participar na Taça América.Entre 1933 e 1936 participou e venceu inúmeras regatas em Inglaterra contra barcos como "Shamrock v", o iate real "Britannia" ou "Endeavour". Nos anos 90, jazia em Gosport, depois de algumas tentativas falhadas de recuperação por falta de verbas.Entre 1996/97 foi recuperado pelo actual proprietário sendo agora um dos que participam nas principais regatas de clássicos, fazendo recordar velhos duelos.
























